Morre a atriz e modelo Vera Valdez
Vera Valdez foi a primeira modelo brasileira a fazer sucesso no exterior antes de se consagrar nos palcos do teatro.
A atriz e modelo Vera Barreto Leite Valdez morreu nesta quarta-feira (14.01), aos 89 anos. A notícia foi comunicada pelos perfis do Teatro Oficina e de sua filha Mariana de Moraes, no Instagram.
Antes de se consagrar nas artes cênicas, Vera Valdez foi a primeira modelo brasileira a fazer sucesso fora do país. Filha de diplomatas e nascida no Rio de Janeiro em 27 de maio de 1936, ela estava com sua mãe em uma festa em Bordeaux, França, quando foi abordada por um senhor que queria saber se ela gostaria de ser manequim.
Então com 14 anos, a carioca não fazia ideia do que se tratava e perguntou à sua mãe, que, por sua vez, disse que explicaria depois. Um dia, na rua, Maria Barreto Leite apontou para uma revista na banca de jornal e falou para a filha que aquilo era um manequim. “Eu quis imediatamente”, disse Vera em entrevista ao Volume 16 da ELLE Brasil, publicado em maio de 2024.
Vera Valdez.
Foto: Hudson Rennan

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O primeiro trabalho foi com Elsa Schiaparelli. Depois, modelou para os grandes couturiers da época, como Christian Dior, Jacques Fath e Gabrielle Chanel, de quem ficou bastante próxima e se tornou modelo de prova. “A gente se amava. Ela tinha uma relação maternal comigo. Me punha de castigo, cuidava de mim. Trabalhei com ela enquanto o sonho durou, enquanto esteve viva”, recorda.
Nos anos 1960, iniciou sua carreira de atriz em produções de cinema nacionais, como As cariocas (1966), de Walter Hugo Khouri, e O homem nu (1968), de Roberto Santos. “Normalmente, as boas manequins representam. E representar, para mim, já era banal”, explicou ela sobre a mudança de área. Na década de 1980, foi apadrinhada por José Celso Martinez Corrêa (1937–2023). “Ele se orgulhava muito de mim, sobretudo da arte de ser maneca.”
Com o Teatro Oficina, Vera Valdez atuou nas montagens de Bacantes, Os sertões, entre outras. A mais recente foi em 2024, com Vozes humanas. A peça era inspirada no texto A voz humana, de Jean Cocteau – a quem a atriz foi apresentada por Coco Chanel décadas atrás.
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