Um roteiro imperdível com 9 exposições em Paris

Nossa correspondente selecionou as melhores mostras para mergulhar na cultura e fugir do calor do verão parisiense.


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Arte: Barbara Marcantonio



Os meses de maio a junho são o auge da temporada de exposições em Paris – e aqui vou propor uma maratona pelas melhores! De nomes clássicos como Renoir, em uma magnífica exposição no Museu d’Orsay, à fotógrafa estadunidense Lee Miller, no Museu de Arte Moderna de Paris, passando pela artista surrealista britânico-mexicana Leonora Carrington no Museu de Luxemburgo e uma grande retrospectiva sobre a carreira de Gianni Versace, tem programa para todos os gostos. Como o verão avançou por aqui, as exposições ficam ainda mais atrativas: a gente fica no fresco, evitando o bafo terrível que se alastra pela cidade e sai com o cabeção repleto de arte das boas! É só copiar, colar e se preparar para a imersão cultural. 

Lee Miller, a grande 

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Lee Miller em foto de 1943. Foto: Lee Miller Archives England, todos os direitos reservados

Essa grande exposição é uma retrospectiva dedicada à fotógrafa Lee Miller (1907–1977). São cerca de 250 fotos vintage e contemporâneas abarcando todo o trabalho dessa mulher, que foi um estouro tanto na vida quanto na arte – e merecidamente foi tema do filme Lee (2023), com Kate Winslet no papel-título. A expo mostra a esfera gigantesca de sua atuação, da moda à guerra, sem esquecer a sua participação no movimento surrealista. Lee Miller foi modelo e parceira de Man Ray, o grande fotógrafo estadunidense que viveu aqui em Paris e que é um dos grandes nomes do dadaísmo e do surrealismo. Depois que o deixou, olha só: virou correspondente de guerra na Segunda Guerra Mundial e documentou os campos de concentração e a libertação de Paris. É uma das exposições em Paris mais aguardadas do ano. 

Lee Miller: Até 2 de agosto no Musée d’Art Moderne de Paris (MAM), 11 avenue du Président Wilson. 

 

Mais surrealismo feminino

Leonora Carrington Artes 110 1944 huile sur toile 406 x 609 cm collection privee © Adagp Paris 2026 © NSU Art Museum Fort Lauderdale

Leonora Carrington, Artes 110, 1944. Imagem: © NSU Art Museum Fort Lauderdale; gift of Pearl and Stanley Goodman © 2026 Estate of Leonora Carrington / ADAGP, Paris

Essa é a primeira grande retrospectiva em Paris da artista surrealista britânico-mexicana Leonora Carrington (1917–2011). Menos conhecida que Frida Kahlo, mas não menos importante, Leonora é apresentada como uma “Mulher de Vitrúvio”, quer dizer, uma criativa completa que buscava a harmonia entre mundos visíveis e invisíveis.

São 126 obras, entre pinturas e esculturas, de um universo visual único. É impossível não ficar tocado com as criaturas híbridas, meio humanas, meio animais, e as referências à mitologia celta, ao esoterismo e, claro, ao feminismo. Essa tem que correr, porque acaba logo! 

Leonora Carrington: até 19 de julho no Musée du Luxembourg, 19 rue de Vaugirard.

 

Renoir et l’amour — La modernité heureuse 

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Alphonsine Fournaise, 1879, de Auguste Renoir. © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Patrice Schmidt Imagem: © Musée d’Orsay, Dist. RMN-Grand Palais / Patrice Schmidt

O lance de Renoir era o amor, e não a melancolia. Esse é o mote dessa expo que é também a maior retrospectiva de Renoir em Paris desde 1985. E tá todo mundo falando nela! São 50 pinturas dos primeiros vinte anos da carreira do artista, quando ele participou da criação do movimento impressionista ao lado de Monet, Manet e Degas. A mostra também celebra os 150 anos do Bal du moulin de la Galette (1876) e inclui ainda Le Déjeuner des canotiers (1880–81), duas obras famosas do artista que foram emprestadas ao museu. 

Paralelamente à exposição principal, há uma segunda mostra (com entrada paga separadamente) que também vale a visita. Ela se chama Renoir dessinateur, ou seja, Renoir desenhista, e traz mais de 100 folhas inéditas entre esboços, pastéis, aquarelas e sanguíneas.  Essa é a parte oculta de Renoir, eclipsada pela fama de seus quadros. 

Renoir et l’amour, La modernité heureuse: Até 19 de julho no Museu D’Orsay, 1, rue de la Légion d’Honneur.
Renoir Dessinateur: Até 5 de julho no Museu D’Orsay, 1, rue de la Légion d’Honneur.

 

Moda moda moda 

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Imagem de Utica Queen/ Etan Mundt 2021. Foto: © @ericrichardmagnussen

Eu fui e adorei, porque sou do time que pensa que, para entender de moda, ou qualquer assunto que seja, estudar sua história é o único caminho (além da vivência, claro). Pois então, o século 18 é apontado como um divisor de águas na história da moda europeia: foi quando surgiram as grandes casas de alta-costura e toda aquela parafernália maximalista das perucas e dos espartilhos. Também foi o momento em que a  moda virou um campo de poder da  identidade feminina. 

A expo traz mais de 70 silhuetas, acessórios e peças têxteis para mostrar as características da moda feminina da época e sua influência duradoura até hoje. A anotar: o espartilho de Maria Antonieta, exibido excepcionalmente ao público por causa de sua extrema fragilidade. Tem também peças de Chanel, Dior, Louis Vuitton, Vivienne Westwood e Dries van Noten, exibidas em contraponto ao chamado Século das Luzes. 

La mode du 18e siècle – Un héritage fantasmé: até 12 julho no Palais Galliera (Musée de la Mode), 10, avenue Pierre 1er de Serbie.

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A rainha e Balmain 

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Peça feita pelo assistente de Pierre Balmain, Erik Mortensen, em 1985. Foto: © Coleção da rainha Sirikit Queen, Sirikit Museum of Textiles (QSMT)

Essa é uma exposição inusitada e fantástica, que foi inaugurada recentemente. É boa para jogar na agenda, sem muita pressa, mas, sabe como é, a gente ama dar as notícias na frente. La Mode en Majesté, Alta-costura da Corte da Tailândia traz mais de 200 peças da coleção real tailandesa para contar a história da rainha Sirikit e sua relação de mais de 30 anos com Pierre Balmain. São trajes, joias, têxteis e moda contemporânea que revelam como a rainha usou a moda como instrumento diplomático e, vejam só, como meio de valorizar os artesãos tailandeses.

 La Mode en Majesté – Alta-costura da Corte da Tailândia: Até  1° de novembro no Musée des Arts Décoratifs, 107, rue de Rivoli. 

Oh Gianni!

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Cartaz da exposição sobre Gianni Versace que abre no começo do mês em Paris. ImagemL Musee Maillol

Essa é, sem dúvidas, uma das grandes exposições de moda de 2026:  Gianni Versace Retrospective. A maior retrospectiva já realizada sobre Gianni Versace – e a primeira na França desde 1986 – reúne 450 peças, que já passaram  por Berlim, Londres e Málaga. 

Vamos ver as silhuetas originais, acessórios, esboços, cartas e fotografias assinadas por Helmut Newton, Patrick Demarchelier e Mario Testino. A cenografia, assinada por Nathalie Crinière, reconstitui o ateliê familiar em Reggio Calabria e vai até o universo de toda a efervescência e glamour pop dos anos 1990, quando Gianni era o rei absoluto das modas. O interessante é que esse não é um projeto da Donatella Versace ou dos atuais proprietários da marca. Ele foi concebido de forma independente, a partir de arquivos dos colaboradores mais próximos do estilista, morto em Miami em 1997. Curiosa!

Gianni Versace Retrospective: de 5 de junho a 6 de setembro no Musée Maillol, 59–61, rue de Grenelle.

 

Dupla Marilyn 

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Marilyn Monroe, Nova York, 1954, Foto: ©SAM SHAW, cortesia da Galerie de l’Instant, Paris

Quem ama Marilyn Monroe tem dois motivos maravilhosos para passar por Paris por agora! São duas exposições sobre a atriz estadunidense, que faleceu há 64 anos e completaria um século de vida no dia 1° de junho. O mito em torno de Marilyn continua poderoso, como provam dois eventos programados aqui. Um, na Cinemateca Francesa, é uma retrospectiva. O outro é uma  exposição de fotografias na Galerie de l’Instant, um  endereço conhecido pelos retratos dos grandes ícones do cinema e da cultura.  Na Cinemateca, ela aparece como uma figura que foi mais celebrada pelas fotografias do que pelos filmes. Já na Galerie de L’Instant, as fotos de Sam Shaw, Lawrence Schiller e George Barris falam da intensidade de uma vida, de sua beleza e de sua vulnerabilidade: aquilo que Truman Capote definiu como “criança radiante”. Ah, a exposição também vira livro com edição limitada de 1.000 exemplares, com fotografias exclusivas de Shaw.

Marilyn Monroe: 100 anos!: Até 26 de julho na Cinémathèque Française, 51, rue de Bercy.
Marilyn, Portrait of a Radiant Child: de 1º de junho a 15 de setembro na Galerie de l’Instant, 46, rue de Poitou.

 

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