Chanel anuncia aquisição da Charvet, camisaria francesa fundada em 1838

Com a compra, a Chanel tem como objetivo apoiar e preservar o savoir-faire e a independência criativa da Charvet.


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Chanel, verão 2026. Foto: Divulgação



Entre as peças mais cobiçadas do verão 2026 da Chanel, a coleção de estreia do diretor criativo Matthieu Blazy, estavam três camisas oversized, de corte quadrado. Elas eram da Charvet, a primeira loja de camisaria masculina na França. A parceria foi o passo inicial para uma aproximação ainda maior. Nesta quinta-feira (02.07), a Chanel anunciou a compra de 100% das ações da Charvet.

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A camisa da Charvet no desfile de verão 2026 da Chanel. Foto: Divulgação

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“Nós compartilhamos a mesma visão sobre o savoir-faire: pautada pelo rigor, pelo respeito e pela convicção de que essas habilidades só florescem plenamente quando cultivadas com uma perspectiva de longo prazo”, disse Bruno Pavlovsky, presidente da divisão de moda da maison, em um comunicado oficial. “Consideramos nossa responsabilidade apoiar, preservar e perpetuar habilidades artesanais que representam tanto um artesanato excepcional quanto uma parte essencial do nosso patrimônio cultural.”

Com a aquisição, a Charvet passa a integrar o grupo de ateliês especializados pertencentes à Chanel. Alguns entram na divisão de Métiers D’Art e atuam mais proximamente à cadeia de fornecimento da grife, outros operam de forma independente. A camisaria se encaixa na segunda categoria. 

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Gabrielle Chanel usando uma camisa da Charvet roubada de Boy Capel. Foto: Reprodução

A Charvet foi fundada em 1838 por Joseph-Christophe Charvet, em um momento em que camisas masculinas deixavam de ser roupas de baixo e ganhavam protagonismo. O primeiro ponto de venda ficava na Rue de Richelieu, até migrar para um segundo na Place Vendôme por volta de 1870. Em 1965, Denis Colban (pai de Jean-Claude), empresário do ramo têxtil, comprou a marca, então administrada pelos herdeiros de Joseph-Christophe. 

Entre os clientes famosos, estão nomes como Charles Baudelaire, Charles de Gaulle, Winston Churchill, Yves Saint Laurent, Karl Lagerfeld e Boy Capel – o grande amor de Gabrielle Chanel e também financiador de seus negócios. A couturière foi fotografada algumas vezes com as camisas de seu amante e se inspirou consideravelmente naquelas modelagens. Foi com base nessa história que Matthieu entrou em contato com a Charvet para seu primeiro desfile na casa.

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Gabrielle Chanel e Boy Capel. Foto: Reprodução

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Já havia um interesse generalizado por camisas masculinas, principalmente pela praticidade, versatilidade e aparência simples. Aqueles três modelos da Chanel potencializaram a tendência – e de quebra direcionaram os holofotes à camisaria, conhecida apenas por insiders. 

“Minha irmã Anne-Marie e eu estamos encantados com este novo capítulo na história da Charvet, que está em perfeita sintonia com o espírito e a identidade que sempre definiram a nossa empresa”, comentou Jean-Claude Colban, diretor-geral da Charvet, no mesmo comunicado. “Essa relação desenvolveu-se de forma muito natural, marcada por trocas abertas e colaborativas, e enraizada em valores comuns: a transmissão do savoir-faire, o respeito pelo trabalho artesanal e a atenção meticulosa à qualidade”, concluiu Jean-Claude.

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Nicole Kidman com a camisa do verão 2026 da Chanel. Foto: Getty Images

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