Matthieu Blazy, o diretor criativo da Chanel, é um millennial sem vergonha – no melhor sentido. Nos seus desfiles sempre tem uma “pérola” na trilha sonora que remete a momentos marcantes da infância e adolescência de quem hoje está com seus 40 anos. Ele mesmo tem 42 recém-completos, fez aniversário no fim de junho.

Na sua estreia, em outubro do ano passado, tocou a música de abertura da série Dawson’s Creek (1998–2003), “I don’t want to wait”, e “Rhythm is a dancer”, na versão gravada com a Orquestra de Berlim em 2017. No Métiers d’Art, apresentado no metrô de Nova York, teve Natalie Imbruglia com “Torn”. Em janeiro, o verão 2026 de alta-costura começou com “I wonder”, da animação A bela adormecida, e terminou com “Bitter sweet symphony”, do The Verve, com “Porcelain”, do Moby, no meio. Na coleção seguinte, veio Lady Gaga com “Just dance” e depois, no cruise 2027, Kylie Minogue, bem brevemente, com “Come into my world”. 

Na terça-feira passada (07.07), o inverno 2026 de alta-costura abriu com uma canção do filme O senhor dos anéis (“Bag End”) e fez todo mundo cantar (ou dublar) quando entrou “Kiss me”, do Sixpence None the Richer. Essas referências não estão ali à toa. Elas funcionam como gatilhos emocionais capazes de criar conexões afetivas entre o público e a marca. Em outras palavras, elas estão lá para fazer as pessoas sentirem coisas – coisas boas, vividas, reais. E isso é a principal novidade na moda de agora.

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