Com “Music, fashion, film”, Charli XCX se reinventa após “Brat”
Cantora desacelera em novo disco para falar sobre sua relação com música, moda e cinema.
Charli XCX viu Brat (2024) se transformar em um fenômeno cultural. O álbum acabou extrapolando as paradas musicais: o verde limão que estampa sua capa virou tendência e o título (uma gíria para “pirralha”) foi escolhido como palavra do ano pelo dicionário Collins.
A cantora estava então diante do desafio de lançar o sucessor do disco que se tornou um marco em sua carreira. A resposta chegou nesta sexta-feira (24.07) com Music, fashion, film.
Em entrevistas para a divulgação do álbum, a britânica deixou claro que não tinha interesse em produzir uma continuação direta do universo verde-limão de batidas aceleradas que dominou as redes dois anos atrás.
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O novo trabalho troca a euforia do hyperpop – gênero que ela alavancou – por guitarras, com arranjos menos eletrônicos e letras autobiográficas. O resultado é um disco breve, de exatos 30 minutos, e que funciona como um manifesto sobre crescer sob os holofotes e a pressão da indústria musical, além de abordar sua relação com a música, a moda e o cinema. O cineasta David Cronenberg, conhecido por filmes que exploram o body horror como A mosca (1986), participa da faixa “No one lasts forever”, que fecha o álbum.
Primeiro single do disco, “Rock music” marcou a ruptura com a estética de Brat. Apesar do título, a cantora deixou claro que “não estava fazendo um álbum de rock”, mas sim explorando guitarras e referências ao gênero.
“Nunca pensei em gênero musical de uma forma binária. Acho isso uma noção muito antiquada. Nem sei o que é um gênero. Somos apenas eu, AG Cook e Finn Keane (produtores do álbum), fazendo o nosso som”, disse à Rolling Stone em junho sobre reduzir o novo trabalho a um disco de rock.
Na mesma entrevista, ela chamou atenção ao falar sobre como as redes sociais impactaram sua saúde mental. “Na verdade, tenho estado muito mais offline. Não estou mais tão conectada. É melhor para a minha mente. Sei que as pessoas provavelmente não vão acreditar em mim, porque fui, pelo menos no passado, uma artista muito ligada à internet. Mas recentemente tenho lutado muito com a minha saúde, a ponto de, para ser sincera, estar no pior momento mental da minha vida.”

Foto: Reprodução
A capa
O próprio título (Music, fashion, film) resume a ideia do álbum, enquanto a capa traz um representante de cada um desses universos: o músico John Cale, ex-integrante da banda The Velvet Underground, o estilista Marc Jacobs e o cineasta Martin Scorsese reunidos em uma cozinha. Segundo Charli contou à NME, a intenção era aproximar três campos criativos diferentes através de uma imagem simples, quase doméstica, distante do glamour normalmente associado a esses nomes. Um site especial também foi lançado para que o público possa criar a sua própria versão da capa, escolhendo quais personalidades gostaria de inserir.
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Os videoclipes
Lançado em maio, “Rock music” foi filmado em preto e branco, e brinca com cenas clássicas do imaginário do rock. Há televisões arremessadas de janelas de hotel, guitarras destruídas, rodas de pogo e montanhas de cigarros. O baterista George Daniel, seu marido e integrante da banda The 1975, faz uma participação especial.
Depois veio “SS26”, que reflete sobre a indústria da moda em clima de fim de mundo. No vídeo, Charli faz as vezes de uma modelo na passarela em um desfile fictício, com nomes como a stylist e editora de moda Carine Roitfeld e o diretor criativo da Saint Laurent, Anthony Vaccarello na primeira fila e bastidores caóticos. Apesar do nome fazer referência à temporada de verão 2026, a maior parte dos looks de Charli (que vão de Balmain à Chrome Hearts) são de coleções de inverno apresentadas em março.
Em seguida, saiu “Wink wink”, o mais bem-humorado até agora. O vídeo brinca com a ideia de uma garota má tentando adotar uma vida doméstica perfeita, misturando tarefas de casa, erotismo e humor absurdo. Em uma referência à sua própria carreira, o styling reúne figurinos anteriores de Charli, como do disco Pop 2 (2017) e merchandising de Brat pendurados no varal.
Lançado nesta semana, “Camera” mergulha no cinema. Em um set, o ator francês Vincent Cassel interpreta um personagem envolvido em um grave acidente de carro na ficção, da qual Charli é a diretora (ela também assina o videoclipe).
Lado B
Outras músicas que não entraram em Music, fashion, film foram compartilhadas por Charli em seu perfil secundário do Instagram, @b.sides, que conta com 368 mil seguidores (enquanto o principal tem 9 milhões). A ideia, segundo a cantora, foi criar um espaço mais próximo dos fãs, além de divulgar outros detalhes sobre o disco novo, incluindo bastidores e comentários pessoais. “Acho que os lados B nunca vão entrar nas plataformas de streaming”, explicou a britânica em uma das postagens. “Por esse motivo, eu só queria que eles estivessem aqui.”
As faixas divulgadas são “I keep thinking about you every single day and night”, “Playboy bunny” e “If you take away the music, then what has she got?”, que estarão disponíveis apenas em vinil na edição de luxo do álbum. Um box traz o disco completo e um livro de 48 páginas com imagens inéditas da produção.
Enquanto isso, nas telas…
Desde Brat, a cantora vem se exercitando como atriz. No ano passado, atuou no drama Erupcja, de Pete Ohs, e na fantasia 100 noites de desejo, de Julia Jackman. Também está em O momento, mocumentário da A24, dirigido por ela e Aidan Zamiri, seu parceiro de longa data, em que interpreta uma versão ficcional de si mesma e discute, de forma irônica, como lidou com o medo de ser engolida pelo sucesso de seu último álbum.
“Vou construindo projetos com minha rede de amigos e diretores que admiro. Seja qual for a ideia em que estou trabalhando, sempre prefiro quando a faísca inicial vem de mim e dos meus colaboradores, em vez de terceirizar. Basicamente, tento encontrar o material por conta própria”, disse à Variety.
Ela também está no elenco de I want your sex, filme de Gregg Araki, protagonizado por Olivia Wilde, com estreia prevista neste mês nos EUA.
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