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Constantemente ligada à adolescência, a acne também é muito comum entre adultos. Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 56% da população segue convivendo com ela depois dos 25 anos. São diversos os fatores que podem ocasioná-la, desde fatores genéticos até o uso de determinados medicamentos. Abaixo, as dermatologistas Camila Rosa e Fernanda Trindade, ambas membros da SBD e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, respondem as principais dúvidas relacionadas a cravos e espinhas.

O que é acne?

As principais d\u00favidas sobre acne respondidas Foto Getty Images


"A acne é uma doença inflamatória da pele que ocorre devido a alterações na produção de sebo e obstrução folicular", define a dermatologista Camila Rosa. O folículo piloso é uma estrutura composta por um fio de pelo ou cabelo com a sua matriz e uma glândula sebácea. O poro, termo mais popular, é a abertura dele na pele. Quando esse poro entope com queratina das células mortas, sebo e outras impurezas, a acne acontece.

Os tipos de acne

Apesar da origem em comum, os tipos de lesão podem variar. O mais simples são os cravos ou comedões, aqueles pontinhos que aparecem quando há acúmulo de sebo nos poros. Os brancos são fechados, com uma camada de pele por cima, e os pretos são abertos. A cor escura se dá devido à oxidação.

"Já a espinha é uma lesão inflamada, que fica vermelha, dá pus e pode doer", explica Fernanda. A inflamação se dá por ação bacteriana. Esse é um dos motivos pelo qual se deve evitar espremer cravos por conta própria. Ao fazer isso sem a limpeza adequada, você acaba empurrando sebo e bactérias para os poros, podendo resultar em espinhas.

A acne também se manifesta como pápula, uma lesão avermelhada e elevada que não concentra pus. O cisto ou nódulo, por sua vez, é uma inflamação mais profunda e mais grave. "É aquela bem dolorida que popularmente a gente chama de 'espinha interna'", ilustra a especialista.

Os graus da acne

Os termos acima se referem a sintomas da acne. A sua classificação, porém, é feita de acordo com a gravidade dessas manifestações e se dá da seguinte forma:

  • Acne grau I: presença apenas de cravos.
  • Acne grau II: cravos, pápulas e espinhas.
  • Acne grau III: cravos, espinhas e cistos.
  • Acne grau IV: cravos, espinhas e lesões císticas maiores que podem se interconectar pela pele formando "túneis" internos chamados de abscessos.

De acordo com Fernanda, as cicatrizes costumam ocorrer com mais frequência em quem tem uma acne mais severa, de grau IV. No entanto, até mesmo a acne de grau II pode deixar marcas em quem tem propensão genética.

"A gente prevê essa tendência observando a pele dos pais", comenta. "Às vezes, a pessoa tem só algumas espinhas, mas você vê que os poros estão ficando mais abertos, formando cicatrizes pequenininhas." A dermatologista também faz um alerta: espremer a acne e cutucar a pele aumentam as chances de ter cicatrizes e manchas em todos os casos.

As principais causas da acne

Os cravos, pápulas, espinhas e cistos podem ocorrer por diversos fatores, geralmente relacionados a alterações hormonais que estimulam a pele a produzir mais sebo. Segundo as dermatologistas, as causas mais comuns são:

  • chegada da puberdade;
  • predisposições genéticas;
  • Síndrome do Ovário Policístico;
  • níveis elevados de estresse;
  • uso de medicamentos específicos, como corticoides e vitamina B12;
  • suplementos como o Whey Protein;
  • cosméticos com formulações e texturas oleosas.

Hábitos importantes para evitar a acne

Com alguns cuidados diários é possível minimizar as chances de desenvolver acne. Lavar o rosto de maneira correta é o primeiro deles: duas vezes ao dia com um sabonete adequado para o seu tipo de pele. A frequência e a atenção ao produto são importantes já que "a limpeza excessiva é prejudicial, podendo causar irritação e piorar as lesões", diz Camila.

Também é preciso se atentar aos outros itens do seu ritual de skincare. "A indústria cosmética criou uma rotina um pouco exagerada", comenta Fernanda. Para ela, é ótimo que existam cada vez mais opções de produtos no mercado, mas nem todo mundo precisa seguir todos os passos que são descritos em manuais na internet.

"Quem tem acne e tendência a oleosidade nem pode usar cosméticos demais porque acaba obstruindo os poros e causando mais inflamação", alerta. A dica é investir apenas em protetores solares e hidratantes que sejam específicos para o seu tipo de pele para não correr o risco de prejudicar a saúde dela. No entanto, o ideal é sempre procurar um dermatologista para entender exatamente o que funciona melhor para você.

A nossa alimentação também tem influência sobre a nossa pele, destaca Camila. "Dietas ricas em leite e seus derivados, em carboidratos e em alimentos ultraprocessados geram uma piora do quadro de acne." Por isso, quem tem tendência a essas lesões precisa buscar uma dieta balanceada sem excesso desses itens.

É importante ressaltar que ter acne não significa necessariamente falta de higiene ou atenção. Algumas pessoas têm mais propensão a desenvolver quadros mais graves por questões genéticas. Esses hábitos são importantes para não intensificar esse processo, mas é sempre importante procurar um tratamento adequado para cuidar da acne, mesmo nos casos mais leves.

Como é o tratamento de acne


Cada pele tem as suas características específicas. Faixa etária, tipo de lesão predominante, grau de inflamação, ser oleosa, mista, normal ou seca são alguns dos aspectos que podem variar de pessoa para pessoa. Por isso, não existe uma receita única que funcione para tratar a acne de todo mundo. É preciso sempre consultar uma dermatologista para receber instruções direcionadas para as suas necessidades individuais.

"Acne é uma doença da pele e sempre deve ser tratada, principalmente para evitar as temíveis cicatrizes que tanto incomodam. Nos casos mais graves, pode ser inclusive necessário o uso de tratamentos orais", diz Camila. "O ideal é marcar uma consulta quando notar que apareceram cravos e espinhas para receber as orientações corretas", completa Fernanda. Isso é muito importante, já que alguns quadros podem até ser agravados com o uso de produtos inadequados para a sua pele.

Pele seca com acne

Alguns devem estar se perguntando: se a acne tem relação direta com a produção exarcebada de sebo, por que algumas pessoas com pele seca também têm lesões? Segundo Camila, isso pode acontecer devido ao uso inadequado de cosméticos, genética, uso de medicamentos que possam ter esse efeito colateral e, até mesmo, ser, na verdade, rosácea, outra doença de pele constantemente confundida com acne.


A conversa sobre aceitação corporal nas redes sociais está começando a adentrar o território das espinhas e, por isso, uma nova geração de marcas de skincare chega com a promessa de transformar a maneira como o assunto é abordado dentro deste mercado.


Rotinas com 20 passos, arsenal de produtos, horas de dedicação: autocuidado ou obsessão? A discussão em torno do skincare tem muito mais camadas do que faz supor aquele belo efeito glossy no rosto.


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