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Beleza

O poder da nanotecnologia no skincare

Além de intensificar a absorção de ativos, ela pode diminuir reações alérgicas, aumentar a fixação de substâncias e muito mais.

Ilustração: Mariana Baptista

Nanotecnologia

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Como a pele é a primeira linha de defesa do nosso corpo contra ameaças externas, ela nem sempre absorve com tanta eficácia tudo o que incluímos nas nossas rotinas de skincare. Para driblar essa barreira, entra em cena a nanotecnologia que, devido ao seu sucesso nesse quesito, tem sido cada vez mais procurada por empresas do mercado de cosméticos, principalmente desde o início da pandemia do coronavírus.

Para entender o que a nanotecnologia é capaz de fazer no skincare, vale pensar no funcionamento das medicações encapsuladas. Se você abrir a cápsula e engolir somente o seu conteúdo, provavelmente seu corpo não vai absorver o remédio completamente. A função da cápsula é preservar a integridade da fórmula até o momento em que ela será melhor englobada e utilizada pelo seu organismo. Agora pense nisso acontecendo com os ativos da dermatologia. A nanotecnologia ajuda exatamente nisso.

Por exemplo, uma vitamina C que não consegue passar pelo primeiro nível da pele (epiderme), pode gerar resultados não tão bons. "A substância conta com um problema de degradação, tem uma baixa estabilidade química. Por isso, nós criamos cápsulas nano com este ativo", explica a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Sallve Carine Dal Pizzol. A marca tem dois produtos que envolvem nanotecnologia: o hidratante antioxidante, que leva vitamina C, cafeína e resveratrol, e o sérum uniformizador.

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Esse tipo de tecnologia trabalha com o desenvolvimento, manuseio e exploração de materiais em uma escala miúda, nanométrica. Um nanômetro equivale a um metro dividido por um bilhão. E mais, a nanopartícula, é utilizada por diferentes razões, não apenas para facilitar a absorção. Poder combinar ativos incompatíveis em uma escala maior e não encapsulados, assim como aumentar a fixação de substâncias, são algumas delas. "É possível desenvolver um sistema nanotecnológico para protetor solar, por exemplo", afirma Carine. "Tanto para intensificar quanto para bloquear a permeação, usamos nanotecnologia. A variação está na composição das cápsulas, em seus tamanhos e na função atribuída", complementa.

Arquitetura da composição

Sabe o toque macio deixado por um hidratante? É provável que tenha nanotecnologia aí. Como as partículas são minúsculas, sensorialmente as soluções que fazem uso delas tendem a não criar um aspecto oleoso, mas sim aveludado. Além disso, elas também permitem que a concentração de ativos seja menor, o que diminui as chances de irritações.

"Algumas marcas que não trabalham com nanotecnologia colocam uma porcentagem muito alta de vitamina C (entre 20 e 30%), que pode causar alergia. Elas aumentam a porcentagem na esperança de fazer com que o ativo chegue nas camadas mais profundas", explica a biomédica esteta Gabriela Silveira, doutoranda em ciências biomédicas pelo Instituto de Educação Superior Latinoamericano. "A marca que trabalha com nano fica entre 5% ou 10%, pois sabe que a nanopartícula ao passar pela epiderme vai conseguir permear mais", complementa.

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Contudo, nem toda empresa que aplica esta tecnologia tem percentuais baixos, o que não demonstra nenhum problema quando devidamente testada e regularizada. "Eu gosto muito da SkinCeuticals, mas tenho consciência de que não posso indicar para uma pele sensível ou, talvez, mais jovem. É uma marca que se identifica com peles mais maduras, com uma necessidade de maior concentração de ativos", detalha.

Um outro ponto que Gabriela destaca, ainda no exemplo da vitamina C, é como a arquitetura nanotecnológica possibilita que esta substância colabore, ainda mais, com a produção de colágeno. No hidratante antioxidante da Sallve, a fórmula contempla esta função. "Em 15 dias, você vê a diferença na pele, ao contrário de um produto sem a tecnologia", destaca a gerente de pesquisa e desenvolvimento da marca.

"A nanotecnologia nos auxilia trazendo importantes e poderosos ativos em uma escala menor, facilitando na profunda absorção e tratando o problema ou oportunidade de melhora da pele na sua raíz", pontua Wendel Santos, treinador nacional de skincare da Lancôme.

A marca tem duas frentes de atuação com a tecnologia. A primeira é a linha de luxo Absolue, com séruns, elixires, máscaras e outros produtos com o ativo da rosa de Lâncome. A segunda é o Génifique Sérum, com foco na reparação e preparação da pele para outros tratamentos.

"É mais fácil vender um produto evidenciando qual foi a tecnologia utilizada na sua concepção. Muitas empresas conseguem se sobressair quando trabalham na sua comunicação que a oferta delas é nanotecnológica", analisa a biomédica esteta, que também é proprietária da clínica Slim Santé, em São Paulo. "Sabemos que a entrega de uma solução com nanopartículas é diferenciada."

"A nanotecnologia nos auxilia trazendo importantes e poderosos ativos em uma escala menor, facilitando na profunda absorção e tratando o problema ou oportunidade de melhora da pele na sua raíz", Wendel Santos, treinador nacional de skincare da Lancôme.

Outras potências nano bem observadas, em tratamentos no consultório ou em casa, são sobre o melasma – no qual as manchas irreversíveis podem ser controladas – e sobre a flacidez de pele e rugas, especialmente na região dos olhos e da testa. "Hoje, pode-se dizer que um produto focado em melasma precisa ter nanotecnologia, assim como inibidores de melanócitos – células responsáveis pela produção de melanina –, como a niacinamida", afirma a fundadora da Mizz Cosméticos, Camila Figueiredo Durigon. No sérum facial com vitamina C de sua marca, a nanopartícula deste ativo age no clareamento de manchas enquanto a niacinamida, ou vitamina B3, reduz a produção.

Assim como na Sallve, o sistema nano não é desenvolvido internamente, mas fornecido por empresas terceiras especializadas. "O ativo é entregue, nós fazemos a integração à fórmula e concebemos o produto. Depois, ele vai para a estufa por 30 dias", detalha Camila. "Hoje, as nanopartículas já vêm do fornecedor com teste de eficácia. Porém, acabamos fazendo testes posteriores mesmo assim para o produto final, já que colocamos outros ativos que trazem benefícios para a textura da pele, dentre outras razões", conclui.

Vamos com calma

Nem todos os ativos geram melhores resultados quando encapsulados e organizados de maneira nano. Alguns, inclusive, apresentam os mesmos benefícios quando estão livres. Considerando isto e os custos – é uma tecnologia complexa e cara –, a abordagem deve ser aplicada quando se tem a garantia de otimização de performance, sempre medida por testes.

"A questão da permeação é delicada pois não podemos ter absorção sistêmica – os ativos não podem entrar na corrente sanguínea. A depender do sistema usado, você pode ter um problema mais sério, como a polêmica relacionada à utilização nano de minerais em filtros solares, como dióxido de titânio e óxido de zinco", explica Carine. "Não é uma regra que esses materiais não possam ser nano, depende do tamanho da partícula e se a pele vai ter ou não capacidade de absorver. Muitas pesquisas não são conclusivas", continua.

Existe um território cinza, mas os riscos são bem dimensionados. "Em cosméticos, desconheço sistemas tóxicos de empresas bem estabelecidas", pondera. A recomendação para quem se interessar por qualquer produto nano cosmetológico, independente da marca, é a de pesquisar as práticas da empresa, seu propósito e por qual motivo a tecnologia é utilizada.

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