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Colunistas

Treino para espacate

Mais esticado, menos estressado diz o slogan do aplicativo

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Abre-se o aplicativo que ensina a fazer espacate. Tudo ali parece familiar e bem explicado. É com essa armadilha que conquistam os principiantes.

Há sempre numa nova prática um incômodo de corpo, um aviso de fratura a ser ignorado, por assim dizer. Que se arrisque pouco é uma questão de gestão do medo. Que se arrisque demais é paixão, estupidez ou falta de opção. Que não haja risco é tirania.

O treino para espacate exige disciplina e constância como tanta coisa. Não se sabe bem de onde parte o desejo de executar esse novo ângulo, mas no momento em que isso se mostra sempre parece importante tentar. Mais esticado, menos estressado diz o slogan do aplicativo, o que não parece exatamente bom ou certo, mas no fim é só um jeito meio bobo de dizer as coisas em termos mecânicos.

Aquecimento. Tudo começa com um joelho levado ao peito. Para isso é preciso estar de pé. Com cuidado para não bater muito forte, para não se dar o troco sem querer. O joelho chega em marcha lenta, é o ideal.

O treino está cheio de bichos e ilusões de ótica. As borboletas sentam, os cachorros olham para baixo, os sapos são dinâmicos, há pombos em todas as direções. E pula-se corda de mentira com saltos verdadeiros. Um homem bateu em minha porta, e eu a-bri.

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A promessa de alcançar abertura em trinta dias parece generosa. O objetivo não é deitar, mas achar certo equilíbrio entre o alinhamento das pernas com o chão e a verticalidade do tronco. Busca-se aí uma nova postura de árvore nascendo, sua posição é desconforme e não-toda em uma direção, tanto faz se em relação ao céu ou à terra.

O difícil é sempre o entre. O treinamento exige constantes estocadas no ar, agachamentos pulsados em ritmo imposto e, especialmente, dar conta das extensões livres. Livre durante o treino quer dizer sustentar o corpo em uma só posição de cada vez, isso até a desistência dos músculos ou o apito da campainha eletrônica, o que vier antes. Não é obrigação ou destino em si, mas antes uma exigência para atiçar a lembrança de certa elasticidade. É uma aposta rigorosa bem onde tudo treme.

Terra em ângulo raso, soma das internas de um triângulo qualquer, meia-volta no círculo, 180 medidos em graus. Ou quase lá.

O tronco então se levanta desconhecendo-se do que um dia foi, das posições que já ocupou em relação aos pés. Há um segundo de estranhamento profundo. Para evitar desconexões muito brutas o treino é claro: ao subir, bata palmas, fazendo encontrar as mãos.

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O aplicativo está zerado. Fecha-se ou repete.

Você não. Você é do seu primeiro passo o próximo. Do princípio ao fim há sempre um outro. Sempre igual. Sempre diferente.

Do italiano spaccare: abrir, fender, partir. Dividir-se em um. Querer como causa. Fazer disso uma vida.

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