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Autocuidado nem sempre é sobre fazer coisas relaxantes, talvez tenhamos nos deixado enganar em algum lugar da conversa sobre o tema. Porque fazer uma bateria de exames, por exemplo, é bem chato e continua sendo um grande ato de autocuidado, assim como controlar as finanças, lembrar de ajustar o despertador, e por aí vai toda uma lista de questões mundanas. Mas também há as tarefas gostosas de se fazer que acabam sendo medicinais, e eu acredito com todas as forças que a masturbação é uma delas.

E isso não é apenas o que eu acho, é algo que descobri na pele, e que também a ciência já conseguiu comprovar há um certo tempo. Trazendo um pouco da minha experiência, não sei se vocês já ouviram falar em endometriose, mas essa é uma inflamação crônica que se aloja na região uterina, causando cólicas intermináveis, além de vários outros sintomas cruéis que assolam milhões de mulheres diariamente. Meu diagnóstico só saiu há poucos meses, apesar de eu já sentir as dores desde os 14 anos. Então, durante toda essa lacuna de tempo tive que ir aprendendo a gerenciar sozinha os constantes episódios das supercólicas, já que aparentemente não havia remédio na farmácia que fizesse elas diminuírem. Um dia, porém, sem nenhuma intenção, acabei por descobrir o que finalmente era capaz de trazer um certo alívio: os orgasmos. E não, não estou falando de cura, mas sim de um pequeno respiro que eu nem sabia que existia.

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Mas como algo tão restrito ao campo sexual também pode virar um remédio para cólicas? Por causa da bendita ocitocina, um hormônio que além de ter uma conexão com o útero, com o prazer durante a amamentação e nossas conexões afetivas no geral, também é conhecido como "o hormônio do amor". Além de tudo, ele é capaz de inibir o cortisol, que possui fama de vilão e é chamado de "o hormônio do stress". E quando analisamos o poder do relaxamento causado pela masturbação (e do orgasmo, se possível), para nossa sorte descobrimos muitos benefícios a mais!

Ao nos tocarmos nessa busca pelo prazer, além de ganharmos uma aula gratuita sobre anatomia e aumentarmos a conexão com o próprio corpo, nosso cérebro age rápido e através de neurotransmissores consegue gerar uma resposta positiva que vai se expandindo, passando pelo mental e pelo físico, em deliciosas ondas de bem-estar. Ou seja, o orgasmo pode sim ser chamado de analgésico, ansiolítico, relaxante muscular e regulador do humor e do sono. E o melhor? É 100% natural e de graça. Mas fique atenta, a intenção aqui não é desestimular qualquer outro tratamento necessário, e sim mostrar que existe ainda mais um aliado guardado em nós mesmas na hora de cuidar de algo que não está indo muito bem.

Além da ocitocina, durante a masturbação também recebemos mais doses de endorfina, serotonina, adrenalina, noradrenalina, dopamina e prolactina. Isso significa que uma enxurrada desses chamados "hormônios do bem" invadem nosso corpo, e juntos são capazes de formar um grande combo medicinal, melhorando inúmeros tipos de queixas e dores que podemos estar sentindo no momento.

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E como fazer pra querer se tocar mesmo quando essa vontade inicial não envolve necessariamente o tesão? Entendo que pode parecer estranho ir se masturbar no meio de uma cólica ou de uma dor de cabeça, normalmente somos ensinadas que uma coisa repele a outra, porém não precisa ser assim. Um bom truque é aliar técnicas de meditação junto com os estímulos na região íntima.

Masturbação e mindfulness: Esse é um combo de duas coisas extremamente relaxantes que funcionam super bem juntas. Estamos acostumadas a pensar que a mente pode apenas acessar o erótico na hora do autoprazer, que devemos lembrar daquela cena quente de um filme, ou num fetiche, numa boa transa do passado, etc. Com certeza, isso funciona e é uma delícia, porém se tocar também é sobre presença. Nada mais conectado com buscar consciência sobre o momento presente e o próprio corpo do que a prática de mindfulness, que é uma técnica meditativa que te encaminha para a atenção plena. Então, minha dica é, quando você sentir que seria bom receber aquele boost dos hormônios amigos, procure um lugar confortável e privado, respire fundo algumas vezes e feche os olhos. Em seguida, leve a atenção para o seu corpo e para a sua respiração, assim que entrar num estado mais calmo, vá adicionando aos poucos o toque em suas zonas erógenas e massageando suavemente no lugar que preferir. Acredite em mim: além de ser algo que ajuda muito em momentos de ansiedade, esse outro olhar para a masturbação também traz experiências intensas e inesquecíveis na vida de quem pratica.

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Para além da química do prazer, o bônus do fortalecimento pélvico: Como o assunto aqui é saúde e masturbação, não posso deixar de citar que essa atividade também é capaz de fazer a malhação que você não vai ver na academia. Nosso assoalho pélvico precisa de muita atenção, já que ele sustenta órgãos importantíssimos, e a melhor forma de mantê-lo sempre forte é fazendo exercícios especializados para a região. Você provavelmente já deve ter escutado nomes como pompoarismo, treinamento kegel, entre outros, mas o próprio corpo quando reage à excitação também acaba se movimentando e trazendo uma resposta positiva para a musculatura. Durante o platô, a fase que vem logo antes do orgasmo, todo o canal vaginal se expande com movimentos capazes de tonificar essa área. É uma verdadeira mágica da natureza, e quem diria que até nessa parte saímos ganhando, né? Mas não esqueça de consultar uma fisioterapeuta pélvica na hora de treinar e descobrir mais sobre o seu assoalho pélvico, combinado? Acompanhamento profissional é indispensável nessas horas, ainda mais se já existir alguma condição prejudicial, como incontinência urinária, prolapso uterino, entre outras.

O que podemos perceber com essas informações é que existe todo um espectro de self-care que não é nem sobre passar uma máscara de argila no rosto nem sobre as obrigações burocráticas da vida adulta. É algo que pode ser muito potente e revelador, ou prático na necessidade de um alívio rápido, o que vai depender do momento e de cada pessoa, mas que tem eficácia comprovada e não deve ser visto como inferior às outras atividades de bem-estar. Se tocar não é um luxo, uma coisa errada ou para poucas, é uma parte básica da nossa saúde, um direito natural e poderosíssimo! E agora, pronta para sentir os efeitos medicinais do prazer?

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