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Meu trabalho como escritora também inclui um constante esforço para promover e apoiar a literatura escrita por mulheres. Hoje trago minhas melhores leituras que tive no decorrer de 2021 escritas por autoras coreanas. Espero que com essas indicações a escritoras coreanas, imensamente cheias de originalidade e também de importância histórica, sejam cada vez mais lidas e conhecidas pelos leitores brasileiros.

Pachinko

Em seu segundo romance, Min-Jin Lee criou uma saga passando por quatro gerações de uma família coreana que imigra ao Japão no século XX em busca de uma vida melhor. Movido pelas batalhas enfrentadas por imigrantes, os salões de pachinko ― o jogo de caça-níqueis japonês que dá o título ao livro ― são o ponto de convergência da história: os temas de identidade, família, destino e pertencimento são profundamente universais para todos os leitores. A história de Sunja, uma adolescente coreana que engravida de um homem rico e poderoso e acaba se casando com outro homem de passagem para o Japão, desencadeia essa enorme saga dramática.

Eleito um dos 10 Livros do Ano de 2017 pela Time e pelo The New York Times e finalista do National Book Award, não é por acaso que Pachinko também teve os direitos de adaptação televisiva comprados pela Apple. Pachinko é uma leitura épica e uma das melhores da minha vida, que apresenta uma parte muito importante da história asiática – ignorada por muitos – com um grande protagonismo feminino.

Nossas horas felizes

Intenso, Nossas horas felizes conta uma história emocionante sobre punição e perdão no corredor da morte. Da autora Ji-Young Gong, o livro conta a história de Yu-Jeong, uma jovem da alta sociedade coreana que, após três tentativas de suicídio, começa a fazer visitas semanais a um preso no corredor da morte para tentar encontrar um sentido para sua própria vida. Yun-Su, um homem humilde que anseia a própria morte como redenção por seus pecados, compartilha com Yu-Jeong um passado repleto de histórias de abuso. Durante os encontros na prisão, os dois revelam um ao outro seus segredos e traumas mais obscuros, despertando um no outro a inesperada vontade de viver.

Uma leitura que precisei interromper algumas vezes para conseguir digerir, este é um livro incrivelmente impactante, que faz você refletir sobre a importância da saúde mental e sobre a percepção de cada um sobre o que significa viver.

Flora Hen

Escrita por Sun-Mi Hwang, Flora Hen (tradução do título original "A galinha que deixou o quintal") é uma fábula moderna coreana com milhões de exemplares vendidos e uma adaptação audiovisual de sucesso, que já conquistou corações em diversos países ao redor do mundo.

Flora é uma galinha poedeira que tem o sonho de chocar o seu próprio pintinho. Se rebelando contra o sistema, Flora arquiteta um plano em busca da liberdade, onde vai precisar enfrentar não apenas a vida dura dos animais selvagens, mas também as rígidas estruturas hierárquicas dos animais do celeiro. Numa história com metáforas acessíveis para todas as idades, Flora vai aprender o verdadeiro significado de liberdade, independência, sacrifício e do que significa ser mãe. A edição brasileira conta com belíssimas ilustrações de Yasmin Mundaca.

Grama

Da cartunista Keum Suk Gendry-Kim, Grama é uma poderosa graphic novel sobre as mulheres de conforto forçadas à escravidão sexual durante a ocupação japonesa da Coreia na Segunda Guerra Mundial. Baseado na história real de Ok-Sun Lee, Grama traz à tona esse gravíssimo crime contra a humanidade, nos contando o lado das mulheres coreanas na história do mundo. Com uma arte belíssima que apenas ressalta o impacto da narrativa, Grama merecidamente venceu os prêmios The Cartoonist Studio Prize, Big Other Book Award e VLA Graphic Novel Diversity Award, o Prêmio Especial Bulles d’Humanité e entrou para as listas de melhores HQs de 2019 do The New York Times e do The Guardian.

A Espera

Assim como Grama, A Espera é outra graphic novel da premiada cartunista Keum Suk Gendry-Kim. Aqui ela se inspira em uma história que ocorreu em sua própria família, pois sua mãe foi separada da irmã durante a Guerra da Coreia, assim como milhares de outras famílias coreanas que foram vítimas de separações forçadas durante o conflito armado.

O foco fica na história de Gwija, uma senhora coreana que, aos 17 anos, foi obrigada a se casar com um desconhecido para escapar da escravidão sexual como uma das “mulheres de conforto” que serviam às tropas japonesas. Apesar do casamento forçado, Gwija consegue encontrar relativa felicidade, mas acaba sendo separada do marido e do filho durante a Guerra da Coreia. Sozinha, Gwija consegue chegar ao Sul, onde inicia uma nova família. Décadas depois, sua filha, Jina, sai em busca dos familiares separados da sua mãe, agora já idosa e com a saúde frágil e com o sonho cada vez mais distante de conseguir reencontrá-los. Todo mundo deveria ter um contato pessoal com essa história e esse livro oferece um contato pessoal e comovente para todos os leitores.

Herdeiras do mar

Também sobre as mulheres coreanas usadas como mulheres de conforto durante a Segunda Guerra Mundial, Herdeiras do mar conta a história de Hana, uma haenyeo, ou seja, uma mulher do mar, uma mergulhadora que garante o sustento de sua família. Num ato de coragem para salvar sua irmã 7 anos mais jovem, Hana acaba sendo capturada por um soldado japonês e transformada em uma mulher de conforto, onde apenas com 16 anos ela é forçada a trabalhar em bordéis militares. Escrito pela autora de ascendência coreana Mary Lynn Bracht, Herdeiras do mar é um dos livros mais lindos e tristes que já li em toda minha vida e que recomendo como leitura obrigatória para todos.

O bom filho

Escrito por You-Jeong Jeong, uma das maiores autoras coreanas da atualidade, O bom filho conta a história de Yu-Jin, um nadador que tem sua carreira interrompida pela epilepsia. Um dia, Yu-Jin acorda sentindo cheiro de sangue. Acreditando que sofreu um ataque epiléptico à noite, ele percorre o apartamento e encontra sua mãe morta. Com algum esforço, ele se lembra que sua mãe o chamava pelo nome, mas não se recorda se ela pedia ajuda ou tentava salvar a própria vida. Isso dá o pontapé inicial a um thriller psicológico onde Yu-Jin tenta investigar o que ocorreu na noite anterior para descobrir quem foi o assassino.

O bom filho é uma leitura muito única e interessante, colocando o leitor dentro da cabeça do protagonista de uma forma surpreendente e que te faz ir desvendando novos fatos do enredo a cada página.

A vegetariana

Este é um livro muito aclamado que também te conquista pela enorme intensidade. Yeong-Hye leva uma vida normal com seu marido, até que um dia começa a ter sonhos e visões com imagens de sangue. Atormentada, ela decide renunciar completamente ao preparo e consumo de carne. Sua decisão aparentemente simples de uma mera dieta acaba se tornando um ato de subversão e rebelião, transformando sua vida em um pesadelo cada vez mais profundo e transgressivo, onde Yeong-Hye progressivamente vai se tornando outra versão de si mesma. Narrado em três vozes, esta é uma história que se desenrola de uma maneira sempre chocante.

A vegetariana foi escrito pela autora coreana Han Kang e já foi premiado em pelo menos três países, sendo ganhador do Man Booker International Prize, do Prêmio Literário Yi Sang e do 24º Premio San Clemente.

Nascida em Juazeiro do Norte, na região do Cariri (CE), em 12 de Fevereiro de 1991, Jarid Arraes é escritora, cordelista, poeta e autora do premiado "Redemoinho em dia quente", vencedor do Prêmio Biblioteca Nacional, do APCA de Literatura na Categoria Contos e finalista do Prêmio Jabuti. Jarid também é autora dos livros "Um buraco com meu nome", "As Lendas de Dandara" e "Heroínas Negras Brasileiras em 15 cordéis". Atualmente vive em São Paulo (SP), onde criou o Clube da Escrita Para Mulheres e tem mais de 70 títulos publicados em Literatura de Cordel.


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