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“Logo se percebeu que o político Eduardo Suplicy era diferente porque agia como um homem comum, acessível, como qualquer um de nós. Ele não correspondia ao estereótipo do político, não desaparecia das vistas do eleitor depois de eleito. Em toda a concepção de justiça entre os povos e entre as classes, é ali que o nome do cara aparece com muita força.”
Mônica Dallari, jornalista e escritora

Dá pra afirmar sem medo de parecer um exagero: de Norte a Sul do Brasil, o único desejo que aglutina esquerdas e direitas, progressistas e conservadores, ateus e espiritualistas e todos os grupos sociais possíveis e imagináveis é: a transparência na condução da coisa pública.

Mas a questão é que desejar e colocar em prática têm lá suas distâncias. Em uma estrutura política tão viciada e deformada como a que temos no Brasil, essas distâncias, por vezes, de tão desafiadoras se tornam intransponíveis. É o famoso “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”, se é que você me entende…

Essas distâncias, essencialmente falando, envolvem desprendimento dos anseios pessoais, recuo nos privilégios sociais e a disposição de levar a honestidade menos como bandeira que reveste demagogias e mais como um compromisso que deve ser renovado cotidianamente. Isso requer e sempre vai requerer aprimoramento e vigilância ativa sobre si mesmo e uma maneira pragmática de elencar princípios e lançar mão deles o tempo todo.

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Somos humanos e, obviamente, falhos. E somos nós que fazemos, coletivamente, a sociedade ser o que é. Portanto, não é clichê insistir no entendimento de que a mudança tem que acontecer de dentro para fora de cada um de nós, até que se faça materializado no todo.

Isso parece muito fora da nossa realidade humana, mas arrisco dizer que é da nossa natureza buscar por isso.

Estamos angustiados porque, a maioria de nós está condicionada a achar o contrário: que nascemos para dar vazão ao nosso lado problemático, errante. Tanto que há o ditado popular que diz: “a carne é fraca” e soa como uma justificativa prévia para os possíveis deslizes que nossa autoindulgência vai nos permitir concretizar.

Mas o mundo, então, estaria perdido? Se não podemos ser perfeitos, uma vez que somos humanos, mas precisamos buscar a retidão nas nossas práticas, apesar da nossa condição de permanente imperfeição, é possível seguir um caminho genuinamente honesto?

É.

E a história da humanidade elencou figuras que provam isso. Inclusive na contemporaneidade. São pessoas “santas” ou acima do bem e do mal? Não. Mas são pessoas que assumiram em algum momento de suas vidas o compromisso com o acerto, e não com a permissividade que pauta o desequilíbrio social e político como algo inevitável.

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É o caso do vereador (e, como dizem, sempre senador!) Eduardo Matarazzo Suplicy, aquele que é apontado por dez entre dez pessoas como o mais honesto dos políticos brasileiros e, quiçá, do mundo todo.

O carismático e paciente filho de família que faz parte da história de São Paulo, Matarazzo, carrega apenas no nome a lembrança de ter vindo da alta sociedade.

Em todo o restante é tudo tão conectado com o popular que, para quem está à distância, gera um olhar de dúvida e até mesmo de descrença: será que é mesmo assim ou trata-se de um personagem?

Talvez para cravar definitivamente nos compêndios da história da política brasileira, ou principalmente pela necessidade de resgatar o gosto popular e a aposta na política como caminho viável para a transformação social, sua biografia chega em um momento inquestionavelmente oportuno.

Em Um jeito de fazer política, primeiro registro bibliográfico de uma história que, de tão rica, muitos detalhes já haviam caído no esquecimento até pelo próprio Suplicy, que é a figura do Partido dos Trabalhadores tão carismática (mas menos controversa) que o ex-presidente Lula.

Com prefácio escrito pelo grande rapper ( e agora muito bem sucedido podcaster) Mano Brown, cuja admiração e amizade Eduardo Suplicy sempre faz questão de destacar, e o filósofo e escritor Leonardo Boff, o livro organizado pela jornalista Mônica Dallari traz mais de 100 fotografias, tem um tom intimista e uma espontaneidade que torna a leitura bastante agradável.

Em certos momentos é possível “ouvir” a voz calma e pausada de Eduardo Suplicy contando seus “causos”, ora tristes, ora esperançosos, mas sempre interessantes e conectados com a história recente do país.

Além de contar passagens de sua vida política, destaca figuras tão importantes quanto inusitadas com quem o atual vereador (e sempre senador!) de São Paulo, vem interagindo ao longo de sua vida pública, como Carmem Silva, uma das grandes lideranças do movimento por moradia, e a cantora e compositora Rita Lee. Isso reafirma uma peculiaridade notável no comportamento político de Suplicy, que é unir mundos aparentemente distantes.

Sua trajetória prova que não há barreira que não possa ser derrubada, pacificamente, como é de seu estilo, como bem mostra um dos episódios relatados no livro: quando era senador, ele solicitou que as paredes de alvenaria de seu gabinete fossem substituídas por vidros, para que qualquer pessoa que ali chegasse pudesse ver tudo que se passava ali dentro.

Convenhamos, em uma época em que se esconde dinheiro na cueca, esse gesto mostra que o comportamento político de natureza benéfica deve se proliferar e ser pautado como tendência a ser seguida, e não como caso pontual.

Há também passagens tensas que nos remetem a momentos de grande apreensão do nosso país, em um passado não tão distante, como os embates que Eduardo Suplicy travou com o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) na CPI de PC Farias, que derrubou o presidente Fernando Collor de Mello.

Como disse a organizadora e escritora responsável pelo minucioso resgate, tanto dos fatos quanto dos registros fotográficos que dão o charme do livro, a jornalista Mônica Dallari:

“Para os jovens, diante do caos atual, espero que o livro sirva de inspiração, que seja uma luz de otimismo no fim desse túnel sombrio.”

Joice Berth é arquiteta, urbanista, escritora, feminista e apaixonada por uma boa série. É autora do livro O que é empoderamento, da coleção Femininos Plurais.

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