Em “Sala dos espelhos”, Liv Strömquist discute autoimagem na era dos selfies

Kim Kardashian, Kylie Jenner, Marilyn Monroe servem de personagens para autora expor a obsessão por padrões de beleza inalcançáveis


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Quando lançou seu primeiro livro no Brasil, A origem do mundo – Uma história cultural da vagina, ou a vulva vs. o patriarcado (2018), a quadrinista sueca Liv Strömquist causou alvoroço nos círculos feministas – e fora deles – ao desmistificar tabus acerca do órgão feminino.

Em seu terceiro livro lançado no país, assim como fez em A rosa mais vermelha desabrocha (2020), HQ em que investiga os relacionamentos amorosos modernos, a autora escolheu figuras pop para ilustrar suas reflexões, dessa vez sobre o universo das aparências.

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Em Sala dos espelhos – Autoimagem em transe, ou beleza e autenticidade como mercadoria na era dos likes & outras encenações do eu (Companhia das Letras, 168 págs.), nomes como Kim Kardashian, Kylie Jenner, Marilyn Monroe e outros ícones servem de personagens para Liv expor a obsessão por padrões de beleza inalcançáveis, numa sociedade regida pelos filtros e selfies das redes sociais.

Como enxergar a si mesmo em um mundo dominado pela hiperexposição e pela busca da (auto)imagem perfeita? Para tentar desvendar quando foi que entramos nesse espiral narcisístico, a autora recorre a ideias de escritoras como Susan Sontag (“A câmera fotográfica terminou por promover uma brutal ascensão do valor das aparências”) e Naomi Wolf (“O ideal da imagem feminina antes do surgimento da fotografia era muito menos padronizado”), e até à figura da madrasta da Branca de Neve (na verdade, sua mãe disfarçada, como explica a autora), que não suporta a ideia de a filha ser mais bonita e ordena sua morte. Com pinceladas de humor e sarcasmo, as HQs de Liv divertem e fazem pensar. 

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A autora Divulgação

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