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Está aberta a temporada de apostas para o melhor figurino do Oscar 2022 e os concorrentes não mediram esforços para criar looks memoráveis, seja confeccionando do zero 2 mil peças de roupa, viajando para quatro países em busca de tecidos e joias vintage, seja mergulhando em pesquisas minuciosas sobre a moda específica não de uma década, mas de um único ano.

A seguir, os detalhes e curiosidades dos cinco indicados à estatueta na categoria de melhor figurino e uma menção honrosa a um longa que poderia ter entrado na disputa.

DUNA, POR JACQUELINE WEST



Duna
é considerado o favorito entre os concorrentes a melhor figurino deste ano, e talvez a maneira inesperada e minuciosa com que a figurinista tenha executado a missão – além do fato de ter criado mais de 2 mil peças (!) para o filme – seja o motivo. Depois de rejeitar várias vezes o convite do diretor Denis Villeneuve ("Desculpe, não faço ficção científica", ela disse), Jacqueline West acabou aceitando o trabalho justamente por Villeneuve apreciar sua expertise em produções históricas. O resultado, então, pendeu menos para o futurismo e mais para uma modernidade medieval, com pesquisa que traz inspiração de tribos nômades do deserto, mitologia grega e o tom sombrio das pinturas de Goya. "Senti que tinha que vestir todos de dentro para fora, para mostrar nuances desses personagens. Para isso, estudei a psicologia de cada um deles, e tentei construir uma ponte entre o personagem e o ator que o interpreta por meio do figurino", disse Jacqueline, que já foi estilista de high fashion –, ao The Hollywood Reporter.

Indicada outras três vezes para o Oscar de melhor figurino (Marquês de Sade, O curioso caso de Benjamin Button e O Regresso), a figurinista contou também com a ajuda de Bob Morgan (Malévola e Inception) para supervisionar os figurinos especiais, como o traje dos moradores do deserto Fremen do planeta Arrakis. (O filme está disponível na HBO Max)

CRUELLA, POR JENNY BEAVAN



Cruella ganhou todo um estilo punk londrino dos anos 70 no filme homônimo que substitui Glenn Close por Emma Stone para contar a história da infância e juventude da personagem até ela se tornar uma vilã. Antes de se tornar assassina de dálmatas, a vilã (Stone) foi oprimida pelo mundo da moda na capital inglesa – mais especificamente pela baronesa von Hellman (Emma Thompson), estilista de sucesso de quem Cruella é assistente –, até ela própria se tornar uma designer subversiva. "Cruella mistura ares de uma criança punk com uma estilista sofisticada dos anos 1970", contou à ELLE a figurinista Jenny Beavan, que viveu na Londres nos anos 70 e passeou por referências como Vivienne Westwood, Sex Pistols e King's Road.

Se Cruella por Emma Stone é uma fashionista avant-garde, o guarda-roupa de sua arqui-inimiga bebe de fontes mais clássicas. Segundo a figurinista e vencedora de dois Oscars (Mad Max: Estrada da fúria e Um quarto com vista) a referência para os looks da baronesa vem da maison Dior. Intencionalmente ou não, a rivalidade histórica entre as duas capitais da moda ajuda a acirrar a disputa entre as personagens, assim como a ideia de renovação do punk versus a tradição couture da grife francesa. O vestido vermelho vintage criado pela baronesa e desconstruído por Cruella é um bom exemplo disso. (O filme está disponível no Disney+)

O BECO DO PESADELO, POR LUIS SEQUEIRA



No quesito figurino, o diretor Guillermo del Toro repete em O beco do pesadelo (disponível no Star+) a parceria com Luis Sequeira, que já trabalhou em várias produções do cineasta mexicano, entre elas A forma da água, indicada ao Oscar de melhor figurino. Para vestir o vidente charlatão interpretado por Bradley Cooper e uma entourage de estrelas (Rooney Mara, Cate Blanchett, Toni Colette e Willem Dafoe) no filme noir ambientado entre 1939 e 1941, o figurinista foi minucioso. "Realmente queria diferenciar o terno usado entre o início dos anos 30 até meados dos anos 30 do terno do final dos anos 30 e todos os aspectos da roupa para realmente entender a ambientação do filme”, disse ao WWD.

No caso do vidente vivido por Cooper, há uma transformação de estilo quando ele sai do subúrbio pobre e passa a enganar a alta-sociedade de Chicago com seus truques de mentalista. "Na cidade, ainda que tenham se passado apenas dois anos, todos se vestem na última moda de 1941. E isso significa, novamente, estudar o que estava em alta em 1941 – não em 1938 ou 1945", afirma o figurinista, que mandou fazer a maioria dos figurinos e viajou para Itália, Espanha, França e Inglaterra para obter amostras de tecidos, comprar joias e visitar lojas vintage e mercados. Para as personagens femininas, Sequeira criou figurinos fortes que se diferenciam pela silhueta e pela cartela de cores: vermelhos para Molly (Mara), parceira de Cooper; verdes para Zeena (Colette) e tons frios para a psiquiatra Lilith (Blanchett).

AMOR, SUBLIME AMOR



"Irene Sharaff, a figurinista da produção original do musical da Broadway, de 1957, criou looks icônicos que estão em nossa psique coletiva. Queria criar esse mesmo tipo de imagem, mas com uma nova visão", contou Paul Tazewell, em entrevista ao site Popsugar. Responsável pelo figurino do remake de Steven Spielberg (disponível no Disney+), Tazewell teve um desafio de originalidade duplo já que, além de musical, a história também já foi filme lançado em 1961.

A trama gira em torno de uma história de amor proibida, no estilo Romeu e Julieta, entre a porto-riquenha Maria (Rachel Zegler) e o nova-iorquino Tony (Ansel Elgort), permeada por uma guerra entre gangues rivais. Para os Sharks, o grupo dos imigrantes de Porto Rico, o figurinista criou um estilo vindo do guarda-roupa social, mais formal, uma influência de época oriunda das roupas de missa da igreja católica. A cartela de cores é mais quente, mas tenta fugir do estereótipo do look latino. Tazewell se baseou em fotografias de Bruce Davidson, que retratou comunidades de gangues na Nova York dos anos 50, para elaborar os figurinos. Já a gangue dos Jets, dos brancos estadunidenses, é mais casual, com muito blue jeans, camiseta branca e jaquetas, ao estilo James Dean e Marlon Brando, com uma cartela de cores mais terrosa e cinzenta, que remete ao cimento e à poeira da metrópole.

CYRANO, POR MASSIMO CANTINI PARRINI E JACQUELINE DURRAN



Diz a lenda que a academia adora um figurino histórico, e é aí que entra o musical Cyrano, de Joe Wright. Estrelado por Peter Dinklage (Game of Thrones), o filme é baseado na peça de teatro homônima que trata da vida do escritor francês e duelista Cyrano de Bergerac. O italiano Massimo Cantini Parrini (indicado ao Oscar por Pinocchio) e a britânica Jacqueline Durran (ganhadora do Oscar por Ana Karenina, também assinado por Wright) foram buscar em aquarelas do século 18 em museus de Londres e Roma a cartela de cores suave e as transparências dos vestidos usados por Roxanne (Haley Bennett), por quem Cyrano se apaixona.

No filme, Cyrano é militar, uma parte importante do figurino, já que quase metade dos 700 looks criados pelos figurinistas desde o croqui são de uniformes militares do regimento comandado por ele. Em entrevista ao site da Variety, Parrini conta que fez várias amostras de linho, tecido das peças, até achar o tom de vermelho perfeito. "Queria encontrar um tom de vermelho que mudasse de acordo com a luz. Foi um verdadeiro desafio chegar ao tecido certo com o procedimento de tingimento certo para serem replicados em 300 uniformes." (O filme tem estreia prevista nos cinemas brasileiros em 31.03)

BÔNUS: HOUSE OF GUCCI, POR JANTY YATES



Se o fashionismo fosse nota de corte para ganhar a estatueta de melhor figurino, o Oscar 2022 seria de House of Gucci e todas as bolsas vintage usadas por Lady Gaga no longa (disponível para aluguel no YouTube, Google Play e Apple TV+). O filme de Ridley Scott não entrou nas indicações de melhor figurino do Oscar deste ano, mas merece uma menção honrosa.

Para criar os looks do longa, Janty Yates (ganhadora do Oscar na categoria por Gladiador) teve livre acesso ao acervo histórico da Gucci, de onde, afirma, saíram muitos e muitos acessórios (bolsas, sapatos, cintos, colares, brincos) usados por Patrizia Reggiani, interpretada por Gaga, mas apenas dois looks de roupas, embora tenha pegado emprestado entre 15 e 20 (um é o usado quando ela recebe os papéis do divórcio, e outro na discussão com Maurizio/Adam Driver, em que ela fala "Nosso nome…querido"). "Trabalhei com uma equipe sensacional e um modelista incrível. No total, acredito que ele fez 30 vestidos, 10 ternos, 30 blusas, 8 calças, 40 saias — tudo entre setembro e as gravações, que começaram em fevereiro de 2021. Também tivemos acesso (além do acervo da Gucci) ao arquivo do Azzedine Alaïa e da Valentino, e eu comprei algumas peças do EBay e da Boohoo", disse a figurinista, em entrevista à ELLE.

Janty diz ainda que a personagem vivida por Gaga não repetiu uma única peça de roupa ou acessório durante todo o filme, e que Gaga teve participação ativa e até emprestou algumas peças do seu próprio acervo vintage (o look usado para a cena do desfile da Versace é da atriz/cantora). Uma curiosidade: a Patrizia Reggiani da vida real não usava muito Gucci, gostava mais de Dior e Yves Saint Laurent.

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