Balenciaga, inverno 2026 alta-costura
O diretor criativo Pierpaolo Piccioli recorre a seus pontos fortes – cores, formas e volumes – para sua estreia na alta-costura da Balenciaga.
Quando Pierpaolo Piccioli foi anunciado como diretor criativo da Balenciaga, em maio de 2025, parecia o match perfeito. Os volumes, as formas, as silhuetas de suas coleções à frente da Valentino (entre 2008 e 2016 ao lado de Maria Grazia Chiuri e de 2016 até 2024 em carreira solo) carregavam referências claras ao legado de Cristóbal Balenciaga. O próprio estilista reconheceu a influência do couturier espanhol em um post no seu perfil no Instagram.
Sua estreia no prêt-à-porter (verão 2026), no entanto, não empolgou. Em meio a acenos aos seus antecessores na casa (Demna, Alexander Wang e Nicolas Ghesquière) e interpretações de modelos originais do fundador, não dava para identificar uma visão ou proposta clara, nem o estilo pelo qual ficou conhecido. Na temporada seguinte (inverno 2026), foi a mesma coisa. As apostas eram que o cenário mudaria na alta-costura.
O début de Pierpaolo na couture aconteceu na manhã desta quarta-feira (08.07) no jardim da Cité Internationale Universitaire de Paris. Para as roupas, a locação foi ótima – como boa parte das peças e materiais são leves e cheios de movimento, o caminhar a céu aberto reforçava tal percepção. Já para quem estava assistindo com a cara no sol do quase meio-dia (numa das piores ondas de calor da história da Europa), a experiência foi sofrida.
![]() Balenciaga, inverno 2026 alta-costura. Foto: Divulgação |
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Como esperado, ele retomou o que faz melhor: uma moda exuberante, com combinações de cores excepcionais e silhuetas marcantes. A releitura de itens emblemáticos do arquivo ainda é uma tentação irresistível, mas melhor contextualizada na edição final. Sem interferências de apelo pop e mercadológico – como as colaborações com o criador da série Euphoria, Sam Levinson, e com a NBA –, o foco é na engenharia e construção de cada item: do tecido à maneira como ele cobre, ressalta ou revela o corpo.
Há alguns desenvolvimentos têxteis e de execução que fazem jus ao legado inovador da maison (o gazar foi inventado lá em 1958): uma seda sintética super-resistente e uma técnica de escaneamento digital do corpo para criar uma estrutura base sob medida – os looks de alfaiataria foram feitos com o novo recurso.
![]() Balenciaga, inverno 2026 alta-costura. Foto: Divulgação |
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Balenciaga, em si, ficou famoso pela precisão de suas formas, e as melhores peças são as que prezam por tal característica: o vestido preto com detalhes brancos, a jaqueta inflada e calça ampla de gazar de seda com regata branca de crepe de seda, o vestido-camiseta creme, a camisa com saia azul e calça franjada, o vestido floral com decote traseiro, o vestido longo sem alças com bordados que imitam plumas.
Em um texto enviado à imprensa, o estilista fala sobre uma couture atualizada, em sintonia com as necessidades e realidades do presente. Na prática, porém, é difícil encontrar exemplos. Tem as modelagens inspiradas em shapes familiares, como o de uma camiseta, mas isso está longe de ser inédito. Pierpaolo fez muito na Valentino. A semelhança entre essa coleção e outras anteriores da Valentino também não ajuda, ainda que não seja o centro do problema. A questão é menos a recorrência de um estilo, e mais a falta de um ponto de vista relevante.
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