Dior, inverno 2026 alta-costura
Jonathan Anderson deixa a alta-costura da Dior mais leve e atual em sua segunda coleção couture como diretor criativo da marca.
É na alta-costura que o diretor criativo Jonathan Anderson está entendendo e se encontrando na imensidão simbólica que a Dior carrega. Em janeiro, sua estreia na couture foi um bom exemplo. Agora, o inverno 2026 é ainda melhor.
Apresentada nesta segunda-feira (06.07), a coleção é mais bem resolvida e, sobretudo, leve, sem tantas estruturas armadas ou volumes complicados. Em comum com a anterior, há os drapeados e os cortes em viés, dois resquícios da era de John Galliano (que Jonathan admira bastante); a botânica como pano de fundo na decoração, tanto do cenário quanto das roupas (Christian Dior amava flores) e uma presença considerável de tricôs e malhas (no caso de cashmere). A técnica não é muito associada à alta-costura, e isso interessa ao estilista, que explora maneiras de torná-la especial.

Dior, inverno 2026 alta-costura. Foto: Getty Images
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Acessórios também não costumam ter destaque nesse segmento, e essa é outra ideia que o designer quer deixar para trás. Além de uma ampla variedade de modelos e estampas, alguns itens são feitos de um tecido indiano do século 18, ou seja, são exclusivos.
O mais marcante, porém, são os plissados. Os três primeiros vestidos (e o mais elogiados) do desfile de estreia de Jonathan na alta-costura eram plissados. Os de agora são um pouco diferentes e estão presentes em quase toda a coleção e em vários tecidos.
![]() Dior, inverno 2026 alta-costura. Foto: Getty Images |
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A principal referência aqui são as esculturas de Lynda Benglis. O look de abertura, com uma estola de shearling amarrada com um nó, é uma releitura de uma das obras da artista. Os metalizados, as pontas soltas e assimétricas, os amassados, os leques com bordados coloridos, algumas estampas e padronagens são outras interpretações diretas do trabalho dela.
O resultado nem sempre é bem sucedido. Algumas ideias destoam e atrapalham a imagem sofisticada que permeia a apresentação. Além das formas orgânicas e abstratas, como movimentos congelados no tempo, uma característica das esculturas de Lynda são as camadas visíveis que se acumulam ao longo do trabalho, funcionando como registro do processo.

Dior, inverno 2026 alta-costura. Foto: Getty Images
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Vêm daí as interpretações mais interessantes da coleção. Em muitos, looks os forros são aparentes, seja pela barra e mangas viradas para cima, seja pelo comprimento mais longo. Algumas extremidades são desfiadas e superfícies bordadas ou tramadas vão se desfazendo, como se estivessem sem finalização e deixando expostos alguns vestígios das manualidades.
Esse efeito, aliado aos volumes menos estruturados, ao caimento solto e ao desapego a referências históricas, da própria marca e de outras épocas, contribui para uma impressão mais atual da coisa toda. Claro, ainda há várias versões da jaqueta Bar, uma releitura do casaco Arizona de 1948, agora em cashmere vermelho com forro de seda rosa claro. No entanto, com menos nostalgia.
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