Marc Jacobs, verão 2026
Em sintonia com as mudanças na moda de agora, Marc Jacobs reduz volumes e proporções e aposta em silhueta seca e alongada.
Alguns estilistas são termômetros bem confiáveis sobre mudanças de clima na moda. Miuccia Prada segue no topo dessa lista, seguida bem de perto por Marc Jacobs. O designer estadunidense sempre foi uma boa antena para capturar – e traduzir em roupas – variações de humores, vontades e um tanto de outras coisas relacionadas às formas de expressões socioculturais. Seu desfile, na noite de segunda-feira (09.02), é um desses casos.
Como nos últimos seis anos, a apresentação antecedeu a semana de moda de Nova York, teve uma lista de convidados enxuta, começou pontualmente e durou menos de cinco minutos. O que se viu na passarela, contudo, sugere uma ruptura expressiva com os volumes e proporções exageradas das coleções anteriores.

Marc Jacobs, verão 2026. Foto: Getty Images

Marc Jacobs, verão 2026. Foto: Getty Images

Marc Jacobs, verão 2026. Foto: Getty Images
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A silhueta agora é contida e linear. As formas ainda se destacam do corpo, como se flutuassem sobre ele, porém de maneira menos dramática, mais discreta. Os suéteres têm os ombros levemente marcados. Os cós das saias têm estruturas geométricas, afastadas do quadril e da cintura – algumas modelos caminham com as mãos enfiadas sob eles, como se fossem bolsos.
A redução dá visibilidade a referências menos reconhecíveis, embora recorrentes para o estilista. Marc nunca escondeu sua admiração e inspiração em nomes como Miuccia Prada, Yves Saint Laurent e Gabrielle Chanel. Existem releituras claras de todos eles aqui – descritas com precisão no release. Tem também lembranças e interpretações de suas próprias coleções, em especial as dos anos 1990. Apesar das memórias, o resultado é livre de nostalgias.

Marc Jacobs, verão 2026. Foto: Getty Images

Marc Jacobs, verão 2026. Foto: Getty Images
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A sensação é de que o volume baixou – o que pode estar relacionado à tentativa (sem sucesso) de venda da marca por parte da LVMH (a grife faz parte do grupo desde 1997). Dada sua sensibilidade, é improvável que seja só isso (Marc não é de se limitar às balizas comerciais). Até porque ele não é o único. Houve sinais desse movimento nos desfiles de verão 2026, entre setembro e outubro de 2025. Na temporada masculina de inverno 2026, a toada se intensificou. Não é menos criatividade, no sentido de roupas básicas e daquela conversinha do quiet luxury. É uma outra proposta e visão. Tem a ver com um esgotamento e uma alternativa às imagens hiperbólicas e artificiais moldadas à lógica performática das mídias sociais.
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