PFW: Chloé, inverno 2026
Chemena Kamali olha para celebrações comunitárias, para o movimento hippie e para o próprio passado da Chloé para enriquecer seu repertório e suas ofertas na marca.
A diretora criativa Chemena Kamali escreveu que o inverno 2026 da Chloé é sobre como as roupas podem conter emoções e carregar memórias. Segundo ela, é uma reflexão sobre humanidade, empatia e devoção.
Vamos por partes, porque elas são muitas. Na das memórias, temos alguns desdobramentos. O mais evidente são as interpretações de peças ou looks completos que a estilista encontrou nos arquivos da marca. Em sua maioria, da época em que Karl Lagerfeld respondia como diretor de criação (entre meados de 1960 até o início dos anos 1980).
Outro ponto de vista mais subjetivo tem a ver com a maneira como o que vestimos é marcado pelo tempo. Uns amassadinhos aqui e ali, a forma do nosso corpo, uns desgastes em determinadas áreas e as lembranças que ficam registradas nas nossas mentes.

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Tem ainda um viés social e cultural nessa história: o papel que as roupas desempenham em tradições e rituais populares, como festas ou celebrações folclóricas. Chemena se inspirou em um tanto deles, sobretudo os de regiões europeias.
Tratando-se de Chloé, uma grife conhecida pelo estilo boêmio das décadas de 1960 e 1970, rolam muitas referências ao movimento hippie, com todas suas associações com liberdade, natureza e espírito comunitário. E isso traz algumas novidades para o repertório da estilista.
Há uma abordagem mais natural e menos glamourizada de modo geral – embora a tentativa pareça improvável ou forçada em alguns momentos.
Além dos vestidos de seda em camadas, dos jeans de cintura alta, das blusas com babados, das capas e dos blazers e jaquetas de proporções infladas, entram em cena uma série de tricôs, camisas xadrez e itens com pegada campestre. Claro, nada é exatamente simples. Pelo contrário.

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Devido ao mote da coleção, há uma valorização de processos manuais e, por consequência, humanos. Praticamente todas as peças têm alguma decoração: babados, plissados, bordados, aplicações, acessórios de metal, estampas e por aí vai. Alguns deles, como aquela espécie de cobertura ou capa nos ombros de alguns casacos, são removíveis. Outros são tão pequenos que só podem ser vistos bem de perto (ou com um bom zoom). Todos são feitos artesanalmente.
É muito bem-vinda a intenção de introduzir novos elementos ou direcionar a marca para outros caminhos. Só não vale perder o senso de realidade, nem da pessoa que pode vestir aquele look. Em alguns casos, o espírito livre e a devoção às manualidades parecem sobrecarregados. E assim, a leveza e espontaneidade essencial à garota Chloé parece perdida em meio a folclores.

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

Chloé, inverno 2026. Foto: Getty Images

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