PFW: Alaïa, inverno 2026
Em sua última coleção como diretor criativo da Alaïa, Pieter Mulier volta o seu olhar para a silhueta feminina, a fascinação do fundador da casa.
No dia 30 de janeiro veio a notícia: Pieter Mulier faria o seu último desfile na Alaïa, durante a temporada de inverno 2026. Seis dias depois daquele anúncio, o estilista foi nomeado diretor criativo da Versace. Ele assumirá a grife italiana em julho e, por enquanto, não há informações de quem herdará o seu posto na etiqueta francesa.

Alaïa, inverno 2026. Foto: Divulgação
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A transição cordial é resultado de uma passagem muito bem-sucedida. Após a morte de Azzedine Alaïa em 2017, Pieter foi o primeiro designer a assumir a direção criativa da maison. Em cinco anos, ele devolveu o brilho à grife ao equilibrar o conceitual (tecidos cortados em espiral que abraçam o corpo) com o comercial (sapatilhas de trama aberta que viraram hits). Embora o grupo Richemont, conglomerado que detém a label, não divulgue os números individuais de suas marcas, estima-se que a Alaïa mais que dobrou de tamanho durante o período sob o comando do belga.
Para a apresentação derradeira de quarta-feira (04.03), nada de transmissão ao vivo. Em vez disso, um filme captado pelo diretor de fotografia canadense Shayne Laverdiere foi preparado para o dia seguinte. Antes do desfile, um telão exibiu retratos dos funcionários da casa feitos pelo artista japonês Keizo Kitajima. Na primeira fila estavam o ex-companheiro de Pieter e atual diretor criativo da Chanel, Matthieu Blazy, além de seu mentor de longa data, Raf Simons, hoje co-diretor criativo da Prada e com quem o estilista trabalhou na Jil Sander, Dior e Calvin Klein.
Alaïa, inverno 2026.
Foto: Divulgação

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Em conversa com a imprensa presente, o designer contou que queria mostrar o que aprendeu nesse tempo no ateliê de uma forma humilde. Sem grandes efeitos de despedida, o seu objetivo era manter a calma e honrar as raízes do mestre Azzedine. Na passarela, essa intenção se traduziu na celebração da silhueta feminina. Tal ideia já estava presente no convite do show feito de peças planas de cartão que, montadas, formavam um busto de mulher.
O primeiro look, uma regata tubular ajustada que termina abaixo do joelho, aparece em branco, cinza, preto, caramelo e vermelho. A peça faz referência a algo pop: o filme As Patricinhas de Beverly Hills (1995), mais precisamente quando a protagonista Cher Horowitz é assaltada usando um modelo semelhante e, ao receber a ordem de deitar no chão, dispara: ‘Não posso, isso é um Alaïa!’. A atriz Alicia Silverstone, que deu vida à personagem, estava presente na fila A.
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Os tubinhos recriam ainda o conceito de bodyconscious que deu fama a Azzedine. Não se tratam apenas de vestidos justos, mas modelagens que esculpem as linhas do corpo. Eles aparecem também em versões de manga longa sem costura aparente e opções que brincam com texturas, ora transparentes, ora foscas. A engenharia invisível também está nas blusas combinadas à saias coluna, macacões, alfaiataria aveludada e um blusão que envolve o rosto à la Grace Jones, musa histórica da marca.
Um escritor objetivo e um arquiteto que resolve a vida com linhas mínimas são frequentemente respeitados. O valor da simplicidade na moda, porém, nem sempre é percebido. Ainda mais na era das redes sociais, em que parece valer o que reluz, mesmo que não seja ouro, Pieter lembra que há muita beleza na roupa que só evidencia o corpo da mulher.
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