PFW: Comme des Garçons, inverno 2026
Com nova coleção da Comme des Garçons, Rei Kawakubo declara que, no fim, o preto prevalece.
Aos 83 anos de idade e com mais de cinco décadas de história na moda, Rei Kawakubo mantém sua investigação livre sobre as formas do corpo por meio da Comme des Garçons. No que se refere à imagem feminina, a estilista sustenta uma conduta que permanece revolucionária. Isso fica evidente pela maneira como suas propostas seguem impactando tantos designers contemporâneos e suas visões de feminilidade continuam necessárias.

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Os volumes nos vestidos ocupam espaços inesperados, como a barriga, o tórax, as costas e apenas uma lateral do quadril. Tais contornos se distanciam de conceitos preconcebidos de sensualidade, alongamento, formalidade ou enquadramento. As peças também abraçam com sarcasmo os padrões tradicionais das roupas clássicas das garotas, a exemplo dos tecidos franzidos, babados e enchimentos. O conjunto é desorientado pelo embate entre o bidimensional e o tridimensional, apresentando uma dose de fúria em amarrações e uma sensação de vertigem provocada pelo corte em espiral.
Ombreiras revestidas por uma organza translúcida se repetem em toda a região do busto de um exemplar. Outra composição faz menção ao traje ladylike, porém com a área dos seios aumentada e pontiaguda em direções opostas. Laços coloridos buscam envolver as cinturas disformes que as modelos ganham e resgatam com ironia os vestidos acinturados, tão comuns no guarda-roupa de meninas, e que parecem embalá-las para presentes. Entre os acessórios, parcerias com nomes caros para a grife marcam presença, como os calçados feitos de couro pelo designer canadense John Fluevog e os adornos de cabeça elaborados pelo chapeleiro japonês Nobuki Hizume.

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images

Comme des Garçons, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Um pouco antes do final da apresentação, uma série de visuais pink aparece. O rosa já recebeu variadas interpretações, algumas célebres vinculadas a personalidades fortes, como Elsa Schiaparelli e Madonna, e conferindo um quê subversivo e punk ao tom. De toda maneira, o pigmento costuma ser ligado à doçura e a feminilidade suavizada de forma obrigatória. As produções de encerramento voltam ao escuro. No material distribuído à imprensa, Rei Kawakubo diz: “No fim, há o preto. Em última instância, o preto. Percebi que o preto é a cor para mim. É simplesmente a mais forte, a melhor para a criação e a cor que incorpora o espírito rebelde. E possui o maior significado de todos: o universo e o buraco negro.”
Na trilha, toca partes de concertos de Chopin e Mozart que adicionam uma carga dramática ao todo. O show termina deixando o questionamento sobre qual conclusão a mente por trás da grife quer comunicar. Seria o fim do mundo? O encerramento de sua própria obra?
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