Como é passar uma noite no Baile da Cruz Vermelha de Mônaco

Nossa editora de consumo acompanhou a 77ª edição do Baile da Cruz Vermelha de Mônaco e revela como é a experiência do começo ao fim.


baile da cruz vermelhaHOME
O príncipe Albert II e a princesa Charlène durante a 77ª edição do Baile da Cruz Vermelha Monegasca. © Palais Princier / David Nivière / SBM



Desde 1948, o Baile da Cruz Vermelha de Mônaco ocupa um lugar único no calendário social europeu. Criado para arrecadar fundos para a instituição monegasca, o evento reúne anualmente centenas de convidados na Salle des Étoiles, em Monte-Carlo, entre eles membros da família real, celebridades e nomes da alta sociedade internacional. Este mês, viajei ao principado para acompanhar de perto sua 77ª edição e descobrir o que realmente acontece por trás de uma das tradições mais emblemáticas da região.

Confesso que, até receber o convite do grupo Monte-Carlo Société des Bains de Mer (SBM), eu tinha poucas informações sobre o evento. Mônaco, porém, já ocupava um lugar bem claro no meu imaginário. Como muita gente, cresci associando o território à elegância de Grace Kelly, aos cassinos, aos iates e ao Grande Prêmio de Fórmula 1. Não por acaso, foi também a princesa quem levou o baile ao radar global durante os anos em que presidiu a Cruz Vermelha local. Com essas referências na bagagem, desembarquei para entender como uma celebração criada há quase oito décadas continua mobilizando o jet set.

Baile da Cruz Vermelha

As primeiras apresentações da noite, onde todos homenageiam a Cruz Vermelha balançando a fita, símbolo da instituição. © Palais Princier / David Nivière / SBM

leia mais
Um roteiro de bares e restaurantes para conhecer em Paraty 

Hospedada no Hermitage, um dos hotéis históricos administrados pelo grupo, saí para a Salle des Étoiles pouco antes das oito da noite. A movimentação já começava na porta, onde convidados posavam no backdrop enquanto fotógrafos disputavam espaço para registrar as chegadas. Lá dentro, uma banda de jazz dava início à gala, o champanhe Taittinger Comtes preenchia as taças e os grandes arcos do salão deixavam o mar Mediterrâneo o tempo todo à vista.

O público era bem diverso, indo da aristocracia à política e às artes. A atriz e modelo francesa Estelle Lefébure dividiu a apresentação da cerimônia com o ator e humorista Michel Boujenah – sem discursos longos, um ponto para o baile. Entre os convidados estavam o artista Jean-Michel Othoniel, a socialite Mouna Ayoub, George Romanov e Victoria Romanovna, representantes da antiga Casa Imperial Russa, Camille Gottlieb, neta de Grace Kelly, além do ministro de Estado de Mônaco, Christophe Mirmand.

baile da cruz vermelha 2026 chantal

Meu look para a noite: vestido Gloria Coelho, colar Hector Albertazzi, bracelete Yar Atelier e clutch Ysla. Divulgação / Monte-Carlo Société des Bains de Mer (SBM)

Com 800 convidados, era meio óbvio que não existiria um estilo só. Tinha vestido estruturado com ombro de fora ao lado de look mais fluido e discreto. Havia bordados que pareciam ter levado semanas para ficar prontos, assim como tecidos lisos, sem frescura. Dourado, nude e branco apareceram bastante, mas não dominaram. De vez em quando, uma cor mais forte, tipo um vermelho em camadas de tule, roubava a cena. Teve quem foi no clássico, teve quem arriscou um corset com mangas bufantes e aquelas que simplesmente confiaram no poder de um bom diamante ou de uma esmeralda.

A chegada do príncipe Albert II e da princesa Charlène aconteceu sem exageros: o casal surgiu pelo palco sob aplausos e, logo depois, o jantar começou. As entradas foram preparadas por Thierry Saez Manzanares, chef do Sporting Monte-Carlo, e o menu teve assinatura de Marcel Ravin, chef três estrelas Michelin e responsável pelo Blue Bay. Entre os pratos, o que mais me marcou foi o robalo servido com flor de abobrinha, velouté de limão e caviar Ossetra.

baile da cruz vermelha 2026 ARRIVEESPRINCE0006

O príncipe Albert II e a princesa Charlène entre Frédéric Platini, Camille Gottlieb e Bettina Ragazzoni-Janin durante o 77º Baile da Cruz Vermelha de Mônaco. © Palais Princier / David Nivière / SBM

O mesmo champanhe acompanhou tudo e, sempre que a taça começava a esvaziar, alguém aparecia para completá-la. Na minha mesa, o clima era animado. Dividi a noite com jornalistas da Itália, da França, do Reino Unido e de diferentes países do Oriente Médio, o que rendeu boas conversas sobre cultura e curiosidades locais.

No palco, o som rolava solto. Chamou a atenção a ausência de um nome grande da música, afinal, outras edições já receberam gente como Frank Sinatra, Elton John e Diana Ross. No lugar, veio SOUL! Where Legends Come Back, uma produção da própria SBM em homenagem à música negra estadunidense e sua influência na cultura pop. E olha, convenceu. No setlist, tinha clássicos de Stevie Wonder e The Supremes, mas também hits de Beyoncé e Alicia Keys. Teve até uma releitura de Like a Prayer, da Madonna, acompanhada por um coro gospel, que me arrepiou.

baile da cruz vermelha 2026 SPECTACLE0005

O coral Gospel Dream se apresentando no 77º Baile da Cruz Vermelha de Mônaco. © Palais Princier / David Nivière / SBM

Voltando ao menu, a expectativa pela sobremesa era alta. E não é pra menos: a criação vinha de Cedric Grolet, um dos confeiteiros mais influentes da atualidade, conhecido pelas frutas hiper-realistas que viraram fenômeno nas redes sociais. O “pêssego trompe l’oeil” fez jus à fama. Escondia camadas de creme e uma geleia levemente ácida, que equilibrava a doçura. Tão divertida de quebrar quanto gostosa de comer.

Outro momento aguardadíssimo é a tradicional rifa beneficente. Entre os prêmios, um conjunto de joias da Cartier, um relógio da Audemars Piguet e experiências exclusivas de viagem, tudo doado por parceiros para arrecadar recursos para a Cruz Vermelha monegasca. O primeiro número sorteado foi o 007 e arrancou risadas quando Michel Boujenah chamou por “James”. Dali pra frente, o ritual se repetiu com aplausos, foto no palco e a discrição de quem acaba de ganhar uma peça de alta joalheria.

baile da cruz vermelha 2026 TOMBOLA0001

Michel Boujenah e Estelle Lefébure entregam o prêmio oferecido pela Cartier. © Palais Princier / David Nivière / SBM

Em seguida, foi a vez da tradicional dança do casal real. Ao contrário do que se imagina para um baile de gala, não houve valsa. Embalados por I’ve Got So Much to Give, de Barry White, o príncipe Albert II e a princesa Charlène abriram a pista e, aos poucos, outros convidados também entraram no mood romântico. Nesse momento, o teto retrátil da Salle des Étoiles se abriu para a tradicional queima de fogos sobre o Mediterrâneo, parte do encerramento da ocasião.

baile da cruz vermelha 2026 DANSE0006

O príncipe Albert II e a princesa Charlène durante o 77º Baile da Cruz Vermelha de Mônaco. © Palais Princier / David Nivière / SBM

Com o fim das últimas apresentações musicais, os convidados começaram a ir embora. Peguei meu mimo, um porta-cartões da Cartier – sim, todos recebem uma pequena lembrança luxuosa na despedida – e voltei para o Hotel Hermitage a tempo de assistir à disputa pelo terceiro lugar da Copa do Mundo. Depois de uma noite cercada por príncipes, chefs estrelados e joias milionárias, terminar o dia vendo futebol foi a maneira mais rápida de voltar à realidade.

baile da cruz vermelha 2026 FEU0003

Os fogos de artifício deram o tom do encerramento da noite. © Palais Princier / David Nivière / SBM

Chantal Sordi viajou a Mônaco a convite da Monte-Carlo Société des Bains de Mer (SBM).

leia mais
Destino favorito: Ischia na Itália, o paraíso de Dua Lipa e Visconti

 

Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.