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Ideias para decorar seu bar em casa

Ter um cantinho reservado para a coquetelaria volta a ser moda entre quem curte bons drinques com os amigos. Inspire-se!

Foto: @claudia_belarm
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A cena é clássica no cinema noir. O detetive chega ao apartamento da mocinha desconfiado de que ali encontrará indícios dos crimes que está incumbido de desvendar. Com a capa molhada de chuva, um cigarro aceso entre os lábios, é recebido pela vamp, vestida como se estivesse pronta para uma gala, embora seu programa para aquela noite seja ficar em casa mesmo. Em menos de um minuto de diálogo, ela abre um gabinete e, ali encontra gim, gelo, vermute, duas taças. Prepara dois Dry Martinis. A conversa esquenta e o fade out sugere que as confidências que pretendem trocar logo se transformarão em outro tipo de diálogo.

Por aqui também foi moda, até os anos 1960, ter em casa um bar pronto para qualquer ocasião em que se quisesse intoxicar alguém. Pensava-se no espaço do bar dentro do projeto de decoração, com móveis, grandes ou pequenos, soltos ou embutidos, desenhados especificamente para a função. Era comum ganhar de presente de casamento licoreiras, coqueteleiras em vidro lapidado, jarras para batidinhas com copinhos combinando e mais uma sorte de apetrechos de bar. Com a vida acelerada, as soluções prontas oferecidas pela indústria e o desapego pela coquetelaria clássica, o home bar foi ficando ultrapassado nas décadas seguintes – virou uma ideia cafona até.

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As peças de vidro ou cristal bonitas que sua avó possuiu provavelmente foram parar nas lojas e feirinhas de antiguidades. A indústria moveleira, sem o auxílio dos designers e arquitetos modernistas que compuseram o Brasil dos anos dourados, não ajudou muito para que tivéssemos vontade de nos reconciliar com o bar caseiro. Peças mastodônticas em madeira escura, espelhadas, com luzes embutidas e grades para pendurar as taças, num grito agudo de novo riquismo, justificaram a aversão que alguns tomaram por essa outrora gloriosa facilidade no lar, o bar doméstico.

Hoje, muita gente voltou a preparar coquetéis em casa e, especialmente durante a quarentena, sentiu a necessidade de ter tudo organizado, à mão, para quando surgisse vontade de um Negroni, um Gim Tônica ou algo mais elaborado. Se a ideia pode ser prática, por que também não deveria ser bonita? Em certos casos, não é preciso grandes investimentos, ensina Néli Pereira, sócia e mixologista no Espaço Zebra, em São Paulo. "É sempre bom começar a olhar o que você tem: um móvel que seja versátil e possa acomodar o bar, garrafas e utensílios bonitos, que façam vista, como se dizia antigamente. Nada precisa ser grande. Um carrinho de chá pode virar bar, uma bandeja também."

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Deixar tudo à vista, diz Néli, além de dar graça à decoração da casa, faz com que você tenha vontade de usar. Por isso, ela aconselha a não esconder taças, coqueteleiras, mexedores, colheres, bules, vidrinhos com temperos secos e outros objetos bonitos em armários e cristaleiras. Revele seus badulaques, escolha boas bebidas, pesquise receitas de drinques e viaje em muitas ideias para montar um bar caseiro charmoso, pequenino ou grandioso.

Um bar emoldurado com arte

Foto: Arquivo pessoal

Rodar antiquários e bricabraques fez parte da rotina de Suemi Uemura durante a época em que atuava como restauradora de peças de arte. Durante essas visitas, encantava-se com um cálice aqui, um copinho ali, taças de variados formatos e funções. Ia comprando. Vidros e cristais juntavam-se a garrafas de licores, vinhos do Porto e destilados, coleção que crescia ao passo que Suemi envolvia-se com outros interesses além das artes plásticas. "Tive contato com a coquetelaria clássica em viagens e me apaixonei", conta ela. Fez cursos de mixologia e o amor por aquela nova forma de arte foi tal ao ponto de ela se profissionalizar e se tornar sócia de um bar, o extinto Clube V.U., que fez curta, porém memorável, história na paulistana Barra Funda.

Quando mudou para o apartamento onde mora, em um prédio histórico no centro da cidade, notou que a mesa de aço com tampo de granito que havia projetado para ser a bancada de seu antigo ateliê encaixava-se perfeitamente numa espécie de nicho, com a janela emoldurando a praça arborizada. "Dispus meus acessórios de bar e coqueteleiras na mesa, defini as alturas das prateleiras laterais, feitas sob medida. Consegui organizar 110 garrafas, das 125 que contabilizei na lista da mudança", diz. Duas banquetas desenhadas por Ruy Ohtake completam o quadro.

Hoje o bar caseiro de Suemi funciona mais como laboratório, as coqueteleiras e colheres bailarinas agitam-se com mais frequência quando ela cria receitas para a carta de um bar que esteja prestando consultoria. "Não bebo sozinha em casa. Prefiro estar no balcão dos bares, junto às pessoas, vendo o trabalho dos bartenders – saídas da qual senti muita saudade durante os meses de quarentena. Abro meu bar caseiro em raras ocasiões, para amigos íntimos, pessoas que realmente apreciam coquetelaria. Nessas horas, faço drinques e também deixo os amigos prepararem o que tiverem vontade de beber."

Estantes e móveis improváveis

Foto: @espacozebra

O artista plástico Renato Larini construiu uma de suas primeiras prateleiras assimétricas para organizar uma coleção de vinis de 7 polegadas – os antigos compactos. Logo colocou outros objetos ao lado dos disquinhos e animou-se a criar outros móveis da série que apelidou de Bauhaus Favela. "Bauhaus por causa da coisa angular e modernista, típica dos anos 1920. Favela porque não tentei esconder nada, assumi as gambiarras que fiz e as imperfeições dos restos de madeira que usei", ele conta.

As estantes passaram pela prova de resistência no Espaço Zebra, misto de galeria, ateliê e bar que Renato divide com a mulher, Néli Pereira, pesquisadora de ervas, raízes, cascas, flores e frutas da flora brasileira – que vão todas para os seus coquetéis perfumosos. Foi natural que os móveis de madeira reciclada logo fossem "infectados", como diz Renato, pelo clima de bar, abrigando vidros, garrafas, utensílios de coquetelaria, taças e outros apetrechos usados por Néli. Esse foi o tom de uma exposição montada pela dupla no local e inspiração para quem comprou os móveis com a ideia de organizar o bar doméstico.

Assemblage de taças

Foto: @claudia_belarm

A consultora de enxoval, ambientes e recepções Claudia Belarmino montou um bar no aparador da sala, onde mantém suas bebidas preferidas sempre à mão. Seu xodó é o jogo de taças e copos coloridos, peças garimpadas em lojas como Le Lis Blanc, Artes Salles e Westwing. "Acho a ideia de expor as taças bem eclética e alegre, elas convidam ao coquetel", diz Claudia, que também mantém sobre o aparador um balde de gelo, dosador e temperos para Gim Tônica. Na parte de baixo, uma adega climatizada guarda os vinhos como se deve, longe da luz e do calor.

Quase tudo no rolé

Foto: @barmina_drinks

Cris Chaim encontrou na estante com rodinhas a solução ideal para abrigar suas garrafas, taças e apetrechos de coquetelaria quando se mudou para um apartamento de 40 m², em São Paulo, e precisou acomodar seu arsenal em menos espaço. "Consegui ajeitar uma boa parte das coisas nos três andares do carrinho que comprei pela internet: as garrafas que mais uso no dia a dia, as águas de rosa e de flor de laranjeira com que perfumo os drinques, copos, canecas e um balde de gelo onde enfiei um bichinho de pelúcia, até hoje não sei por que razão".

O carrinho não deu conta de todo o recado. Cris é filha de um colecionador de cachaças e uísques, de quem herdou o gosto pela fartura. Uma estante em "S" e prateleiras na parede abrigam o excedente do acervo. "De qualquer forma, achei a ideia do carrinho bem prática, pois posso levá-lo para onde os coquetéis forem preparados, embora nunca vá muito longe num lugar tão pequeno", diz Cris, publicitária com longa passagem por uma multinacional da indústria de bebidas, cocktail geek e dona do perfil Bar Mina Drinks no Instagram.

Mimetismo com plantas

Foto: @movendodesign

Preste atenção naquele móvel que você anda querendo jogar fora. Com um bom tapa, quem sabe, ele fica novo. O carrinho velho e sem graça de uma cliente foi recuperado com tinta spray ouro velho, "quase mostarda", pela designer de interiores Leilah Accioly, sócia da Movendo, marca de projetos e móveis personalizados. Garrafas de vinhos e destilados, taças e equipamento de coquetelaria foram mimetizados com plantas, no arranjo que Leilah criou para ser um dos pontos focais da sala, "aquele que traz o olhar e faz você se perder nos pensamentos".

Pelas paredes

Foto: @morandonumestudio

Para driblar o pouco espaço em seu apartamento de 50 m², o publicitário Guilherme Abreu, dono do perfil Morando Num Estúdio, montou um bar que sobe pelas paredes, usando painel aramado. Há prateleiras para garrafas, taças, utensílios e temperos que ele emprega nos drinques, mais uma bancada forrada com pastilhas para o preparo das alquimias. Entre as ideias originais, a jardineira preta foi transformada em balde para gelar bebidas e potinhos pendurados acolhem as frutas que mais tarde vão parar nos copos.

De bandeja

Foto: @virnasantolia

A fotógrafa Virna Santolia chegou a achar cafona a ideia de ter um bar em casa, mas entregou-se à tendência. "Amo uma cafonice e um drinque salva a vida", diz ela, que não vive sem gim e Aperol. Para arrebanhar seu arsenal, lançou mão de uma bandeja básica, de madeira escura, em que acomodou licores que trouxe de viagens: coca da Bolívia, café de Cuba e maple do Canadá. "É preciso muito licor, porque de amarga basta a vida". O charme se completa com canequinhas de metal, uma coqueteleira vintage de vidro colorido, tacinhas panamenhas que ela herdou do pai e o arranjo de folhas e flores ao fundo.

O novo carrinho de chá

Foto: @muma.com.br

Os carrinhos de chá dos tempos de antanho voltam a frequentar as salas, agora com linhas mais modernas. Para quem não quer exatamente chá, mas acha a ideia prática e catita, há uma infinidade de modelos (e preços) no mercado, prontos para abrigar seu bar. Você pode procurar peças com uma cara vintage ou com linhas contemporâneas como a do modelo Carrinho de Mão, da Muma, com bastante espaço para todo o arsenal de mixologia da casa.

Modernismo retrô

Foto: @knotartesanal

O ateliê Knót Artesanal, dos designers Renata Gutierrez e James Rowland, sugere o modelo Dram, em cumaru. É pequenino, mas cheio de estilo e serve bem a quem quer preparar drinques e evocar as linhas do Brasil modernista na decoração. Ele tem uma parte para guardar as garrafas, outra para os copos e uma prateleira para montar e servir os coquetéis.

Modernismo vintage

Foto: @galpaoteo

Para quem tem espaço, uma sugestão pode ser investir em um bar vintage e de verdade, com balcão e banquetas. Lojas mid century costumam ter essas peças em bom estado, prontas para encher de charme qualquer ambiente que os comporte (na maioria das vezes, é preciso espaço). O bar da foto, dos anos 1950, em madeira caviúna, foi composto pelos curadores do Galpão Teo com bancos dos anos 1960 em ferro maciço, uma tapeçaria de autoria desconhecida, taças coloridas e balde de gelo em formato de abacaxi.

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