Soho Futures Grant: Conheça as vencedoras do projeto

Conheça as vencedoras e os projetos que o Soho Futures Grant ajudou a transformar em realidade, ampliando as narrativas do mercado criativo.


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Foto: Christopher Sturman



Cinco mulheres, cinco projetos e um mesmo impulso: transformar a indústria criativa a partir de novas perspectivas. Na terça-feira, dia 3, a Soho House São Paulo apresentou as selecionadas pelo Soho Futures Grant, projeto que visa ampliar o acesso às artes e ao mercado criativo para mulheres que enfrentam barreiras de inclusão.

Em sua primeira edição no Brasil, a iniciativa trouxe propostas que lançam luz sobre grupos historicamente invisibilizados, ampliam o acesso a comunidades marginalizadas e desenvolvem produtos que escapam do óbvio, propondo um novo olhar sobre moda e conforto alinhados à responsabilidade ambiental.

No processo de seleção, as candidatas apresentaram suas ideias e objetivos. As cinco escolhidas receberam bolsas de até 2.000 libras para alavancar esses projetos e tirá-los do papel. As participantes foram selecionadas pela especialista em estratégia de marca e inovação Ana Kuroki, pela diretora, roteirista e artista Asaph Luccas e pela cofundadora da Pantys, Emily Ewell.

Além do incentivo financeiro, o programa também forneceu mentorias voltadas às áreas artísticas de cada proposta e estimulou a troca e o companheirismo entre as vencedoras. Conheça, a seguir, as participantes do Soho Futures Grant e seus projetos.

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A partir da esquerda, Naiá Tupinambá, Leticia Nakano, Jennyffer Bransfor Tupinambá, Nathalia Rosa, Amanda Cassia Dias e Dariely Belke Foto: Divulgação

Joias da terra

O projeto de Amanda Cassia Dias foi voltado para sua marca, Mandinga Biojoias. Com a assistência da fundação, ela desenvolveu uma coleção cápsula de acessórios feitos de argila, sementes e resíduos – elementos da terra que dão forma a joias que unem moda sustentável e contemporaneidade. 

Para a criadora, as peças não são apenas acessórios, mas devem ser usadas com propósito. Participar do Soho Futures Grant, afirma Amanda, tem sido um processo de potência – experiência que agora a leva a mentorear jovens na próxima edição da Soho House.

Para além do olhar

A diretora de fotografia Dariely Belke desenvolveu a videoarte intitulada Córnea, que apresenta a perspectiva do mundo a partir da vivência de pessoas com deficiência visual. O curta tem apenas oito minutos – tempo suficiente para revelar uma obra emocionante e didática.

O documentário experimental não nasce do acaso. A ideia já existia e, como afirma a diretora, parecia inevitável: criada em convivência constante com pessoas com deficiência visual, Dariely transforma essa experiência em linguagem, conduzindo o espectador a perceber o mundo para além da visão.

Vozes indígenas 

A criadora digital Jennyffer Bransfor Tupinambá utilizou a bolsa da Soho House como oportunidade para desenvolver a série de vídeos batizada de Ecos de Ancestralidade, que rompe estereótipos e afirma a presença indígena nas metrópoles e no mercado corporativo.

“Eu vivi uma vida sem me ver, e não quero que outras pessoas vivam essa vida. Vamos levar essa briga até o fim”, afirmou durante a apresentação.

Liberdade em movimento

Conforto sobre duas rodas: esse era o objetivo da artista visual Letícia Yuri Nakano ao desenvolver uma coleção cápsula para sua marca, Momotaro, voltada para ciclistas. A fundadora buscou ouvir as principais dificuldades enfrentadas por mulheres que pedalam, para entender como criar peças voltadas ao público feminino que priorizem o conforto, em um hobby historicamente associado aos homens. 

Com tecidos tecnológicos e sustentáveis, que permitem pedalar por até seis horas com tranquilidade, Letícia criou uma marca que prioriza o conforto das mulheres e pode se estender a outras atividades do dia a dia com estilo.

A beleza da periferia

Foi trabalhando em uma loja de móveis que a diretora criativa e produtora audiovisual Nathalia Rosa percebeu, pela primeira vez, que as pessoas enxergavam o “lar” de uma forma diferente da visão que ela tinha. Para ela, tratava-se de funcionalidade: se havia fogão, geladeira e micro-ondas, já era uma vitória. Não pensava em decoração, cores de parede ou na disposição dos móveis. Mais tarde, no entanto, entendeu que muitos viam a casa como refúgio – um espaço de acolhimento e identidade. O lar não era apenas funcional. 

Foi com essa reflexão que Nathalia aproveitou a bolsa para desenvolver o projeto Minha Casa, Minha Vida, em que produz editoriais fotográficos que celebram a estética e a beleza autêntica das casas da periferia. Espaços antes ignorados por estarem longe dos centros urbanos, e frequentemente associados à precariedade, ganham uma nova narrativa através de suas imagens, que reivindicam pertencimento, orgulho e potência visual.

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