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A estreia de Matthieu Blazy na direção criativa da Bottega Veneta era um dos eventos mais aguardados desta temporada. Mas antes, vamos recapitular: o estilista belga, criado na França e com passagens pela Celine (na época da Phoebe Philo, Martin Margiela, Raf Simons e Calvin Klein, era diretor de design na casa italiana até que Daniel Lee, então diretor de criação, foi demitido meio de repente. E isso num momento de grande expansão comercial e vendas nas alturas. Justamente por isso, não era esperado uma grande ruptura – e de fato não houve.

O que não quer dizer que não tiveram novidades – e muito bem-vindas. Sob comando de Daniel, a marca deixou para trás a elegância discreta pela qual ficou conhecida para investir numa imagem mais jovem e conectada com as demandas dessa clientela. Foi um sucesso, tinham listas de espera longuíssimas pelos acessórios mais improváveis (uma bota de borracha, uma bolsa com tecido atoalhado, colares tipo fio de telefone), o verde do logo e sacola virou hit absoluto e a etiqueta foi colocada entre as mais influentes do mercado. Não à toa, o estilista inglês recebeu vários prêmios pela transformação que implementou na Bottega.

Tudo isso segue firme e forte aos cuidados de Matthieu, só que com uma atitude bem diferente. A diferença vem nos detalhes, nos acabamentos. As formas são menos arrojadas, mais contidas, ainda que impactantes. O corte é elaborado, extremamente sofisticado. Lembram silhuetas clássicas da moda, como os casacos com as costas e mangas arredondadas e a alfaiataria precisa e suave, por anos associada à grife.

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Bottega Veneta, inverno 2022. Bottega Veneta, inverno 2022.Foto: Divulgação

Antes de Daniel, quem comprava Bottega o fazia pela discrição, por uma ideia de luxo nada ostentador, pelo contrário. Não haviam logos nem nada que identificasse aquelas peças como caríssimo. A equação era design preciso e materiais da mais alta qualidade. Com o inglês na direção, o volume aumentou, muitas vezes atingindo níveis bem estridentes, com toda uma releitura de arte e cultura pop, muita ironia e fortes influências da cena da música eletrônica.

Agora, há um retorno ao mood anterior. Não exatamente como era, afinal o mundo mudou, as pessoas idem e o diretor de criação também. Além dos pontos já mencionados, um dos principais exemplos da volta às origens, está no trabalho com o intercciato, a técnica de couro tramado que virou símbolo da Bottega. No inverno 2022, eles aparecem delicados em botas acima do joelho, mocassins, bolsas e saias (tudo com um número mínimo de costuras). O couro, aliás, também deixa de lado a aparência sintética e sci-fi. Aqui eles são finíssimos e servem de base para saias rodadas com franjas saindo pela barra, vestido com as alças mais grossas e até com tingimento que simula a textura do jeans. Sim, calça denim combinada com regata branca do primeiro look era, na verdade, de couro.

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Bottega Veneta, inverno 2022. Bottega Veneta, inverno 2022.Foto: Divulgação

As propostas de Blazy não são menos jovens ou atuais, pelo contrário. São só mais abrangentes, menos excludentes e menos espalhafatosas. Não é difícil imaginar alguns dos clientes mais antigos da marca encontrando o conforto e a segurança de outrora em vestidos com alças largas, nas saias rodadas com suéteres de cashmere e nas camisas de mangas levemente alongadas. Já o público que se encantou pela label recentemente também não vai achar nada ruins as regatas brancas caneladas, as calças "jeans" larguinhas, o sapato de pêlo laranja e os vestidos de tricô colorido e os paetizados que encerram a apresentação.

Fazia tempo que não víamos uma abordagem de luxo tão sutil e ao mesmo tempo impactante, sem precisar jogar na nossa cara algum look statement, uma profusão de logos ou algum acessório que funciona melhor no Instagram do que na vida real. É como se a Bottega antiga gritasse por atenção e a atual apenas dá uma piscadinha, bem sedutora. Tem a ver com confiança, com design, com qualidade e, sobretudo, identidade.

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Gucci, inverno 2022. Gucci, inverno 2022.Foto: DanLecca

De certo modo, o inverno 2022 da Gucci não foi dos mais exuberantes de Alessandro Michele, e tudo bem. De novo, tem a ver com identidade. As propostas de Michele já se consolidaram de tal maneira que ele pode se permitir a reduzir o volume e explorar outras frentes menos conhecidas (ou visualizadas) até o momento. É o caso da alfaiataria nessa coleção, extremamente precisa, cortada e com uma interessante relação com o corpo.

Ainda assim, a principal notícia que rodou o mundo foi a parceria com a Adidas. A marca alemã já flerta com a moda há algum tempo, com colaborações com Yohji Yamamoto, Rick Owens, Missoni, Stella McCartney e Prada, só para citar algumas. As famosas três listras brancas e o logo da etiqueta esportiva servem como base para uma série de interpretações que levam os símbolos da Adidas para um mundo mais sofisticado e repleto de referências vintage.

Porém, a estrela real da coleção são os ternos – sim, eles estão de volta e com tudo, já uma das principais tendências da estação. Aqui, porém, eles são variados: justos, largos, decorados, com mix de cores e texturas, estampados, sexy ou mais fechados. É interessante notar que, nas últimas coleções, Michele vinha explorando uma linguagem sexual em sua moda, com muita lingerie, pele à mostra e elementos do universo S&M. Sempre com aquela ideia de derrubar barreiras e propor novas formas de representação do que se entende por masculino e feminino. Agora, a mesma ideia é trabalhada com paletó, camisa e gravata – e algumas variações.

Gucci, inverno 2022. Gucci, inverno 2022.Foto: DanLecca

A passarela da Gucci era cercada por espelhos que deformavam os corpos neles refletidos. É uma associação quase boba para falar de como a moda e as mídias transformam nossa percepção sobre nossos corpos e identidades. Porém, quando colocamos o terno nessa jogada, a coisa fica mais interessante. Desde sua criação e popularização entre os homens do século 19, o costume virou quase como um uniforme. De revolução industrial em diante, essa roupa ganhou outros significados: masculinidade, poder, rigor, riqueza, tradição, discrição e por aí vai.

Nos espelhos de Michele tudo isso é ressignificado, transformado, adulterado. A começar pelo fato de que o corpo nunca está exatamente escondido ou camuflado. Uma das qualidades da alfaiataria da Gucci é que o corpo nunca é desconsiderado, há sempre uma preocupação com o movimento. E aí vem os tecidos, os brilhos e toda uma profusão de referências culturais que torna tudo aquilo bem mais profundo e nunca sobre uma tendência qualquer. É o completo oposto da ideia de uniforme, de conformidade e homogeneidade. Em todos os sentidos.

Versace, inverno 2022. Versace, inverno 2022.Foto: Divulgação

É bem diferente da Versace, em que os blazers de tweed com ombros marcados e barras desfiadas se conectam diretamente a algumas das vontades mais quentes do momento: os anos 2000 (já com gostinho de 2010), a eterna obsessão pelo terninho com minissaia dos anos 1990, e o clima sexy, que ainda segue latente nesta temporada.

Sobre este ponto, vale destacar a onipresença dos corsets. A gente já falou deles durante a semana de moda de Nova York, lembram? Pois bem, em Londres também só deu espartilho e agora, no inverno 2022 da Versace, são eles que roubam a cena e definem a silhueta. Quase todas as peças, de tops curtinhos e vestidos justos até jaquetas puffer volumosas e casacos compridos, apresentavam uma estrutura similar ajustando e marcando a cintura.

A barriga de fora, tendência Y2K que vem aparecendo bastante nesta temporada, também dá as caras em looks com a parte de baixo volumosa, como calças coloridas, jeans envernizados, ou minissaias estampadas em conjuntinho à la Patricinhas de Beverly Hills. Os famosos sapatos pesados que viraram hit nas últimas estações voltam repaginados, em versões Mary Jane, coturnos e botas de verniz brilhante com salto tratorado e bico fino.

Dolce & Gabbana, inverno 2022. Dolce & Gabbana, inverno 2022.Foto: Divulgação

Recentemente, a Dolce & Gabbana bateu o recorde de valor por NFTs de moda vendidos. Foram nove peças por quase 6 milhões de dólares. Agora, os estilistas Domenico Dolce e Stefano Gabbana querem trazer referências dos games para a passarela real. Para tanto, apostam sem medo em cores intensas e proporções agigantadas, com ombros imensos e recortes e estampas em alusão a bidimensionalidade de algumas produções digitais. A alfaiataria também destaque aqui, ainda que um pouco distante da tradição de corte e ajuste no corpo pela qual a etiqueta é famosa.

Giorgio Armani, inverno 2022. Giorgio Armani, inverno 2022.Foto: Divulgação

Diferentemente do seu verão al mare, a coleção apresentada por Giorgio Armani neste domingo (27.02) é mais cosmopolita. Com terninhos justos, calças de couro e veludo, blazers brilhantes e vestidos de festa, a paleta é escura, com alguns pontos de cores, como azul em vários tons e salmão. A coleção é mais sóbria, sem muita inventividade, mas cheia de boas peças que completam qualquer guarda-roupa. A mulher e o homem pensados por Giorgio Armani preferem apostar em silhuetas clássicas e sem erro – seu toque de ousadia vem nas estampas geométricas e do brilho em vestidos de festa.

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