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Linn da Quebrada entrou hoje, 20.01, na casa mais vigiada do Brasil vestindo uma camiseta repleta de significados. A peça em questão estampa a imagem de Anastácia Livre e foi produzida exclusivamente por Yhuri Cruz, artista visual, escritor e dramaturgo. ''Eu e Lina planejamos isso desde o meio de dezembro. Como alcançar os circuitos midiáticos com uma imagem de liberdade radical? Ela me convidou então para gente pensar uma camisa exclusiva para sua entrada no grande reality do Brasil! Muito feliz e orgulhoso por isso'', escreveu o artista em uma publicação nas mídias sociais. O desenho vem de uma obra que atualmente consta na exposição 'Um Brasil Para Brasileiros', sobre a vida e o impacto da escritora Carolina Maria de Jesus, do IMS de São Paulo. Intitulada de Monumento À Voz De Anastácia, fala sobre a ''monumentalização e massificação da liberdade'', nas palavras de Yhuri.

Quem assina o styling de Linn no Big Brother Brasil 2022 é a dupla Isac e Katriel, conhecidos como MEMBRANA. Já a camiseta foi produzida pela marca MARTINS, e a estampa, pela cooperativa de serigrafia Fudida Silk.



Quem foi Anastácia

Na Enciclopédia Negra, obra que reúne centenas de perfis de personalidades negras ao longo da história, Anastácia é descrita como uma mulher que ''circula entre o mito, a realidade e a memória''. Isso porque existem algumas versões sobre sua origem. Algumas dizem que ela foi uma princesa africana, escravizada na África Central e, depois, trazida para a Bahia e Minas Gerais, até chegar no Rio de Janeiro. Outra teoria, mais difundida, diz que sua mãe, Delminda, chegou ao Brasil em um navio negreiro, chamado Madalena, em 1740, com pessoas negras escravizadas originárias do Congo. Delminda teria sido vendida, violentada por um homem branco e engravidado de Anastácia.

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Ela teve sua imagem associada a uma pintura realizada por Jacques Étienne Arago (1790-1854). O francês esteve nas terras cariocas entre 1800 e 1850 e retratou Anastácia, no ano de 1817, com a boca tampada por uma máscara de flandres – instrumento usada no período escravagista para proibir pessoas escravizadas de ingerir alimentos, ou terra na tentativa de suícido. Dizem que ela fora obrigada a usar a máscara por recusar ter relações sexuais com seu senhor.

Cultuada como uma santa popular e chamada muitas vezes de ''escrava Anastácia'', a Enciclopédia ainda relata que sua adoração remonta do século 18 até as décadas de 1960: em 1967, sua imagem foi apresentada em uma exposição que homenageou os oitenta anos da abolição. Mesmo sem haver precisão nos detalhes da história de Anastácia, é certo que ela é uma figura que representa luta, resistência e fé, ao fundir símbolos do catolicismo com experiências religiosas africanas. Sua imagem livre significa um rompimento dos valores e imaginário colonial e é um chamado à emancipação de toda a população negra. Linn da Quebrada escolhê-la como estreia, em um dos programas de maior audiência do país, sinaliza a resistência da luta antirracista, mas além: deixa o recado de que não haverá mais como calar, ou tentar calar, a história, a vida e a celebração de pessoas negras.

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