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Alguns meses antes do casamento que a tornaria a princesa mais popular do planeta, Diana Frances Spencer apareceu, aos 19 anos, em uma partida de pólo de seu noivo Charles, o Príncipe de Gales. Era o verão de 1981 e o mundo já estava encantado por ela. Diana, porém, ao menos naquele momento, não parecia estar disposta a se apresentar para os fotógrafos. São raras as suas imagens do dia. Dentre as existentes, a britânica não aparece posando ou sorrindo em nenhuma. O suéter que usava parecia sutil mas, quando observado de perto, revelava um detalhe interessante: uma ovelha negra isolada em meio ao rebanho branco.

É impossível saber o que Diana quis dizer quando usou aquela peça pela primeira vez. Era uma espécie de mensagem? Ou apenas uma jovem que achou divertida a ideia de um suéter coberto por ovelhas? A segunda hipótese parecia mais provável, até que a história mostrou que talvez a primeira opção fazia mais sentido.

Dois anos depois, a princesa ia a uma outra partida de pólo e com uma peça bem similar àquela de quando ainda era noiva. Dessa vez, o suéter foi usado por cima de uma camisa branca e com um laço preto no pescoço que conduzia os olhos até a ovelha negra. E há um ponto a se destacar aqui: a peça usada em 1983 não é a mesma da de 1985. É o mesmo estilo e conceito, mas algumas pequenas mudanças no padrão podem ser notadas. Seja lá qual for o motivo para que ela tenha precisado de um novo suéter, o esforço para isso faz com que seja difícil não considerar que há alguma mensagem intencional nele.

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Getty Images

Nessa segunda vez que apareceu com os motivos de ovelha, Diana já era esposa, mãe e um ícone global. Ela também já havia passado por uma clara mudança de estilo. Quando apareceu pela primeira vez, possuía uma imagem ingênua e usava peças românticas, agora, explorava a moda a partir de uma silhueta forte e amadurecida.

Um dos principais diferenciais da princesa era a sua capacidade de se comunicar a partir do que vestia. É surpreendente perceber como existem poucos registros de Diana falando mas, mesmo assim, todos nós temos uma noção de quem ela era e o que pensava. Muito dessa noção vem a partir de fotos estáticas (daí a dificuldade de validar qualquer teoria sobre seu discurso estético). Enquanto parecia se manter reservada, a britânica falava com o mundo por meio de suas roupas.

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Getty Images


Para viagens ao exterior, escolhia homenagear a nação anfitriã 一 diplomacia que, aliás, reverbera entre as líderes atuais. Quando se tratava de eventos, preferia quebrar as regras. Diana foi a primeira mulher da realeza britânica a usar calça em um evento noturno, algo que repetiu algumas vezes. A tradição importava para ela, mas, silenciosamente, a princesa promoveu subversões sutis, sinalizando um afastamento da rigidez dos códigos reais.

Quando o seu casamento desmoronou, Lady Di evitou a moda. O seu olhar era mais sério e o estilo centrado na alfaiataria. Após o divórcio, emergiu novamente, agora, com a liberdade para explorar marcas não britânicas, como vestidos Versace para a noite e biker shorts para o dia. Nos últimos anos de sua vida, quando quis que o foco fosse o seu trabalho social, Diana leiloou as suas peças mais luxuosas, arrecadando cerca de 3,5 milhões de libras para instituições de caridade contra o câncer e HIV, e arregaçou as mangas de suas camisas. Nas visitas filantrópicas, não usava luvas. Mas, em uma rara ocasião quando o fez, as tirou de maneira visível para dar as mãos a um paciente com Aids.

Ao longo de cada uma dessas mudanças, o mundo a assistiu. Lady Di aprendeu as regras de se vestir em público e, significativamente, aprendeu a quebrar e desdobrar cada uma delas. Enquanto assumia riscos com a moda, a princesa alcançava a multidão, abraçava estranhos com entusiasmo, era expressiva, emocional e disponível 一 todas as coisas que a família real não havia sido até então. E embora seja um ícone de estilo indiscutível, Diana desenvolveu um senso misterioso de como roupas podem realçar a presença física, chegando em um nível em que tudo que víamos era apenas ela.

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