Conheça a Dua, marca baiana que cria acessórios artesanais inspirados na cultura popular
Fundada por Camila Oliveira ao lado de sua mãe, Nádia, a Dua une referências estéticas da Bahia para desenvolver acessórios feitos à mão.
Camila Oliveira trabalhava na marca soteropolitana Boah quando decidiu montar bijuterias de miçangas. O ano era 2018 e a pretensão, pouca. As vendas aconteciam entre amigas, no boca a boca, mas cresceram além do esperado. Antes mesmo de ter um CNPJ ou plano de negócio, a designer já tinha uma clientela considerável e, meses depois do início das atividades, sua mãe, Nádia Oliveira, entrou em cena para ajudar. Foi assim que a Dua nasceu oficialmente no começo de 2019.

Coleção Samborê. Foto: Divulgação
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Dua, no caso, é o nome da etiqueta de acessórios comandada por Camila e Nádia. As referências estéticas vêm de elementos de culturas populares da Bahia e de religiões de matriz africana. Búzios, figas, carrancas, peixes e figuras de Iemanjá aparecem em brincos, anéis, colares e pulseiras feitos de prata e latão com banho de ouro. Alguns itens são decorados com detalhes de miçanga, outros com pedras semi-preciosas, como a zircônia. “Misturo características que vejo nas mulheres ao meu redor, no axé que permeia a cidade”, fala Camila. “A inspiração não é necessariamente na religião, mas nesse imaginário muito forte de Salvador.”

Nádia e Camila Oliveira, sócias da Dua. Foto: Divulgação
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Enquanto a designer ainda estava no regime CLT, sua ex-chefe, Camila Schreiber, a convidou para uma colaboração. “Foi uma oportunidade muito importante”, relembra. A parceria, lançada em março de 2019, contou com 50 peças – esgotadas em pouco tempo. O sucesso serviu de incentivo para o comprometimento integral ao próprio empreendimento. Em meados daquele ano, Camila saiu da Boah.
Mãe e filha produzem tudo à mão. Ainda há criações de miçangas, material que guiou os primeiros anos da Dua, mas o trabalho evoluiu. Em 2022, a Camila mergulhou na ourivesaria para ampliar seu repertório técnico. Foi daí que nasceu o anel Bahia, no formato do mapa do estado, um dos best-sellers da marca. “Queria fazer coisas diferentes, expandir meus conhecimentos.” No ano seguinte, a etiqueta abriu um ateliê e uma loja dentro de um prédio histórico, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.

Coleção Aquidabam. Foto: Divulgação
A grife lança dois drops por ano, além das colaborações que aparecem no meio do caminho, como a parceria com a Ateliê Mão de Mãe (na SPFW N53) e com o artesão Dunga, especializado em marchetaria (na coleção Aquidabam, de 2024). No fim de 2025, a Camila se inscreveu no Mãos da Moda, uma iniciativa da Riachuelo focada na valorização de artesanias brasileiras. Entre as oito selecionadas, ela está desenvolvendo acessórios decorados com bordados de ponto crivo feitos pelo coletivo baiano Chitarte. A técnica é ligada à confraria religiosa afrocatólica da Irmandade da Boa Morte, tema da coleção que a Dua desfilará na apresentação do projeto no Dragão Fashion Brasil, em Fortaleza, em junho.
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