Em quais relógios investir segundo a Watches and Wonders 2026

Considerada a principal feira relojoeira do planeta, a Watches and Wonders 2026 celebra a maior edição de sua trajetória renovando clássicos e apostando na estética vintage.


Watches and Wonders 2026
Crash de Cartier apresentado na Watches and Wonders 2026. Foto: Divulgação



A cidade de Genebra, Suíça, acolhia desde 1990 um circuito restrito de fabricantes, compradores e colecionadores de relógios por meio do antigo Salon International de la Haute Horlogerie. Em 2020, as grifes Rolex, Patek Philippe, Chanel, Hermès e os grupos Richemont e LVMH se juntaram para transformar o evento em uma organização, a Watches and Wonders Geneva Foundation, com um evento anual, em todo primeiro semestre, a Watches and Wonders. A edição de 2026, entre os dias 14 e 20 de abril, foi a maior da história e reuniu 65 marcas que apresentaram os seus lançamentos para 6 mil varejistas e 60 mil visitantes.

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Relógio Oyster Perpetual 28, Rolex. Foto: Divulgação

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O sucesso tem relação direta com a abertura do que era um métier fechado para uma audiência mais ampla e diversa. Só nos três dias finais, os organizadores do evento venderam 25 mil ingressos, sendo um quarto deles destinado a pessoas com menos de 25 anos. Entre os lançamentos, os relógios dialogam com os novos compradores sem se limitar ao universo esportivo ou à alta tecnologia. A prioridade é resgatar a tradição e a relação emocional com a peça, agora acompanhada de cores variadas e dimensões compactas para atender homens e mulheres, sem distinções.

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Relógio Oyster Perpetual 34, Rolex. Foto: Divulgação

Refletindo a busca por novos públicos e tamanhos menores, a Rolex lança as versões do Oyster em 28 e 34 mm, de ouro amarelo com mostrador verde e ouro rosé com visor azul, respectivamente. Os itens fazem parte da coleção que celebra o centenário do primeiro relógio de pulso impermeável da marca, que conta ainda com o Perpetual 41, de luneta e coroa de ouro amarelo e marcações com o número 100 identificando a safra especial, e uma variação com a padronagem Jubilee, feita de dez pigmentos aplicados individualmente.

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Relógio Oyster Perpetual 41, Rolex. Foto: Divulgação

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Relógio Oyster Perpetual Jubilee, Rolex. Foto: Divulgação

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Visual retrô

Cada vez mais os relógios são vistos como forma de investimento. E modelos clássicos de casas tradicionais aquecem um mercado secundário de revenda de relógios antigos. Para se beneficiarem diante deste cenário, as marcas apostam em reedições históricas. Na Tag Heuer, evoluções do Tag Heuer Monaco de 1969 foram apresentadas com melhorias ergonômicas. O exemplar Ludo Secret, da Van Cleef and Arpels, revisita um projeto de 1949. O item é feito de ouro e safiras, com um mostrador de madrepérola branca embutido secretamente na pulseira. A Audemars Piguet, que completa 150 anos em 2026, se inspirou no 1271, de 1929, para chegar ao novo Neo Frame Jumping Hour – sem ponteiros, com os algarismos aparecendo conforme a hora.

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Relógio Tag Heuer Monaco, Tag Heuer. Foto: Divulgação


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Relógio Ludo Secret, Van Cleef and Arpels. Foto: Divulgação


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Relógio Neo Frame Jumping Hour, Audemars Piguet. Foto: Divulgação

A Cartier é uma das empresas que mais se favorecem da recuperação de desenhos emblemáticos do passado. O Tank Normale retorna com pulseira de platina em referência ao original de 1934. Já o Cartier Roadster, um marco no universo automotivo dos anos 2000, reaparece com linhas mais aerodinâmicas. O Crash de Cartier, de 1967, resgata uma fase ousada da joalheria com a sua silhueta assimétrica e agora com estrutura que expõe os mecanismos internos.

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Relógio Tank Normale, Cartier. Foto: Divulgação


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Relógio Roadster, Cartier. Foto: Divulgação

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Relógio Crash, Cartier. Foto: Divulgação

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O visual esqueletizado, de caixa transparente com a engenharia interna à mostra, é outra tendência. A Hermès exibiu o seu primeiro modelo do tipo na família H08, feito de titânio em parceria com a fabricante de movimentos Vaucher Manufacture Fleurier. O sentimento geral é de que os artesãos desejam evidenciar a distinção entre os aparelhos mecânicos e os smartwatches. Na Tudor, até mesmo o novíssimo Tudor Monarch, com mostrador que combina algarismos romanos e arábicos, carrega um visual mais antigo.

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Relógio H08 Squelette, Hermès. Foto: Divulgação

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Relógio Monarch, Tudor. Foto: Divulgação

Variedade na composição

Outra novidade da marca é o Black Bay Ceramic, com pulseira feita de cerâmica fosca negra. A feira consolidou o uso de diversos materiais além daqueles tradicionais, com destaque para o titânio, o aço e a cerâmica. A Panerai revelou um relógio de háfnio, elemento raro utilizado em motores de foguetes. A IWC desenvolveu um cronógrafo composto de ceralume, material luminescente.

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Relógio Black Bay Ceramic, Tudor. Foto: Divulgação

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Relógio Navy Seals, Panerai. Foto: Divulgação


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Relógio Big Pilot's Perpetual Calendar, IWC Schaffhausen. Foto: Divulgação

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As soluções criativas respondem à disparada do preço do ouro, que subiu quase 60% no último ano e atingiu 4.800 dólares por onça. As relojoarias enfrentaram esse e outros obstáculos em 2025, como a retração do mercado chinês e as imposições tarifárias estadunidenses. Segundo os relatórios de desempenho anual divulgados pelos grupos Richemont e LVMH, a força do franco suíço em relação a outras moedas também elevou os custos operacionais das fábricas localizadas no país europeu.

Apesar dos desafios, a Federação da Indústria Relojoeira Suíça informou no dia 19 de março que as exportações avançaram 9,2% em fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado. As nações que impulsionaram o avanço foram os Estados Unidos (26,8%), o Japão (23,7%) e a França (57,1%, embora parte das remessas francesas seja direcionada a outros territórios). Os relógios acima de 500 francos suíços, o equivalente a 641 dólares, lideraram os ganhos financeiros. No caso dos conglomerados, o desempenho das joalherias também ajudou a atravessar o ano passado com menos impactos negativos.

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Entre a relojoaria e a joalheria

Por isso, o investimento em peças de altíssimo luxo, semelhantes às joias, segue firme. Os modelos de alta relojoaria, chamados também de Métiers d’Art, enfatizam o trabalho manual e a raridade. Na Hermès, o relógio The Roaaaaar mostra a figura de um leão construída por minúsculas partes de couro. Na Hublot, o Big Bang Impact One Million é composto de 500 diamantes que cercam um turbilhão central. Na Bvlgari, o Serpenti Aeterna é feito de ouro rosé e recebe 122 pedras preciosas, que totalizam 13 quilates de rubelitas, ametistas, esmeraldas, safiras e outras gemas.

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Relógio The Roaaaaar, Hermès. Foto: Divulgação

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Relógio Big Bang Impact One Million, Hublot. Foto: Divulgação

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Relógio Serpenti Aeterna, Bvlgari. Foto: Divulgação

Na Chanel, o diretor criativo de relojoaria, Arnaud Chastaingt, criou um tabuleiro de xadrez no qual os 32 peões são construídos com cerâmica, ouro branco e diamantes. As peças remetem ao universo da grife: a coluna da Place Vendôme, endereço onde fica a butique de alta joalheria da maison, faz as vezes de torre, enquanto a rainha do jogo é personificada pela figura de Gabrielle Coco Chanel. A miniatura da fundadora da casa esconde um relógio sob os pés e pode ser usada como pingente de um colar. E se engana quem pensa que a peça é muito nichada, passada e difícil de encontrar um comprador. Assim que a Watches and Wonders 2026 foi aberta, o item já havia sido arrematado e restaram apenas os esboços e o protótipo do projeto para os visitantes admirarem.

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Relógio The Chessboard, Chanel. Foto: Divulgação


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Relógio The Chessboard, Chanel. Foto: Divulgação


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Relógio The Chessboard, Chanel. Foto: Divulgação

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