• Considerada uma das maiores estrelas da música pop mundial, Rihanna foi aos poucos se destacando também como ícone fashion nos brindando nos red carpets com looks que ficarão para sempre na memória;
  • Ela mostrou que também sabe colocar a mão na massa ao assinar coleções da marca de roupa inglesa River Island em 2012 e da MAC em 2013;
  • Em 2016, Riri provou ainda mais seu valor na moda como diretora criativa à frente da Fenty x Puma;
  • A Fenty Beauty nasce em 2017 provocando uma revolução no mercado da beleza com seus 40 tons de base;
  • Em 2019, o Savage x Fenty Show encerra de vez o reinado das angels da Victoria Secret's com sua celebração espetacular à pluralidade de corpos e faz história ao lançar uma grife de roupas dentro do grupo LVMH;
  • Acompanhe a sua trajetória abaixo.

NASCE UMA ESTRELA

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Tudo começou em Barbados, uma ilha no Caribe, no dia 20 de fevereiro de 1988. Foi nesse dia que nasceu Robyn Rihanna Fenty, que o mundo todo conhece simplesmente como Rihanna. Apaixonada por música desde criança, foi descoberta pelo produtor musical Evan Rogers quando tinha 15 anos. Menos de um ano depois, estava nos Estados Unidos fazendo a audição que lhe renderia um contrato com a gravadora Def Jam, à época presidida por ninguém menos que o rapper Jay-Z.

Single do seu terceiro álbum, "Umbrella" foi o hit que fez o mundo inteiro colocar os olhos em Rihanna para nunca mais tirar www.youtube.com

Desde então, foram 8 discos lançados, mais de 60 milhões de álbuns vendidos no mundo todo, 9 Grammys e 14 singles em primeiro lugar na parada Hot 100 da Billboard. Além da música, ela também já esteve no cinema (sua personagem mais recente foi a hacker Nine Ball no longa "8 mulheres e um segredo", de 2018) e virou uma das principais vozes políticas, reconhecida até mesmo pela Universidade de Harvard como Humanitária do Ano, em 2017. Todo esse sucesso, é claro, sempre embalado por sua personalidade envolvente, que mescla autenticidade, sedução e ousadia sem seguir protocolos ou forçar a barra. Rihanna tem, sem dúvidas, aquilo que os norte-americanos chamam de star quality.

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ÍCONE DE ESTILO

O designer Peter Dundas, por exemplo, diz que Riri se tornou a grande musa das garotas nesta última década, que muitas passaram a desejar ser como ela – e que Rihanna, reconhecendo isso, sempre deu passos cada vez mais adiante. A sua capacidade em ditar tendências para um público vasto, da rua aos maiores eventos de luxo, a consagrou como uma it-girl disputada pelas maiores revistas de moda e as principais marcas do mundo. Porém, ela nunca foi uma fashionista qualquer, a mercê das labels.

Rihanna usa a própria imagem como bem entende, inclusive para divulgar novos e pequenos designers nas aparições públicas. Foi o que aconteceu, por exemplo, com Kerby Jean-Raymond e Adam Selman. Este teve a sua carreira alavancada após criar o icônico vestido transparente feito com 216 mil cristais que ela usou na edição de 2014 da premiação da CFDA (Council of Fashion Designers of America) e que ficou eternizado como "naked dress".

É indiscutível que, com a ajuda do stylist e diretor criativo da Interview Magazine, Mel Ottenberg, Rihanna fez escolhas de looks para aparições em red carpet que ficarão por muito tempo na memória. Como esquecer, por exemplo, do vestidão amarelo, de cauda gigantesca, da estilista chinesa Guo Pei, que ela usou no Met Gala 2015? A peça de alta-costura demorou dois anos para ser concluída e foi achada online por Riri. E quando Rihanna apareceu com aquele Comme des Garçons volumoso, em uma homenagem a Rei Kawakubo, no MET de 2017? O look, que já era marcante só pelo vestido monumental da grife, ganhou um toque de personalidade com sandálias vermelhas de amarração e uma maquiagem cor-de-rosa intensa. Isso para citar algumas das muitas produções de Rihanna que deram o que falar.

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Looks de Rihanna no tapete vermelho

Rabbani and Solimene Photography / Getty Images

Riri com o icônico vestido apelidado de "naked dress" que alavancou a carreira do estilista Adam Selman

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PRIMEIRAS COLLABS

Mas não foi apenas com a própria imagem que Rihanna abalou as estruturas da indústria. Desde 2012, ela faz parte da criação colocando a mão na massa. Primeiro, na parceria com a marca de roupa inglesa River Island, que rendeu duas coleções assinadas por ela. Depois, na colaboração com a grife de beleza canadense MAC. A linha Riri <3 MAC teve quatro coleções totalizando 31 produtos lançados ao longo de 2013. No ano seguinte, ela ainda assinou duas coleções da linha de batons Viva Glam, que tem 100% dos lucros revertidos para a luta contra o HIV.

Mas foi em 2016 que Riri iniciou a sua collab de maior sucesso, com a Puma. A Fenty x Puma rendeu – e muito! – durante quatro estações, incluindo desfiles nas semanas de moda de Nova York e de Paris. Suas produções deram um novo fôlego para peças esportivas serem usadas de forma mais urbana. Em 2018, por exemplo, ela levou as bermudas de ciclista combinadas com salto alto para as passarelas, fortalecendo uma tendência que se mantém até hoje de incluir a peça esportiva em produções fashion.

Duas modelos posam em cima de motos vestindo looks esportivos da Fenty x Puma com salto alto A coleção 2018 da Fenty x Puma mostrou que roupas esportivas também combinam com salto alto Divulgação / Fenty x Puma

ERGUENDO UM IMPÉRIO

Em 2017, veio o seu lançamento próprio de maior impacto, a Fenty Beauty. Em parceria com a Kendo, incubadora de beleza do LVMH, a marca de cosméticos gerou 500 milhões de euros só no primeiro ano de operação. Seu primeiro lançamento foi uma linha de bases com uma gama de 40 tons – atualmente são 50 –, o que chacoalhou o mercado da beleza como um todo. Naquele momento, Rihanna deixava claro que criar produtos para os mais diversos tons e subtons de pele não só era necessário, como era possível.

Mais do que isso, ela colocou a pele negra como centro dessa transformação, deixando escancarada a negligência das marcas mais tradicionais de maquiagem com um público que estava ávido por produtos que performassem bem e valorizassem seu tom de pele. E isso não se restringe apenas às bases e aos corretivos. A chegada dos seus iluminadores em cores como magenta, tangerina, lilás e menta mostrou ao mundo o esplendor que o brilho colorido cria em uma pele retinta – o que não impede que pessoas de pele branca brinquem com as cores iluminadas de outras formas. Até então, o mercado contava majoritariamente com produtos de fundo branco, que costumam deixar a pele negra acinzentada.

Quatro bra\u00e7os com tons de pele diferentes mostram os 50 "swats" da base Pro Filt'R da Fenty A cartela de 50 tons da base Pro Filt'r chacoalhou a indústria da belezaDivulgação / Fenty Beauty

A Fenty Beauty também tem best sellers para além da preparação de pele, como o brilho labial Gloss Bomb, um dos produtos favoritos da Rihanna, e a máscara para cílios Full Frontal, Volume, Lift & Curl. Isso tudo com uma comunicação que celebra ao máximo a diversidade e a representatividade, o que mais recentemente se tornou o DNA de tudo que leva a assinatura da Rihanna. No site oficial, todos os produtos são apresentados em modelos com peles de cores distintas não só para que o cliente se reconheça, como também para tornar evidente a versatilidade de cada tom e acabamento escolhido.

Em agosto deste ano, a Fenty Beauty provocou um bafafá com a sua chegada ao Brasil. Com venda exclusiva na Sephora, a Fenty Beauty finalmente desembarcou em território nacional trazendo inicialmente 90% da sua linha. O auê foi tanto que quase todos os produtos esgotaram em menos de 10 horas após o lançamento – mas logo seu estoque foi renovado e, agora, as vendas seguem normalmente. Os brasileiros, no entanto, seguem esperando a chegada dos produtos Fenty Skin nas prateleiras nacionais. A linha de skincare foi lançada em julho de 2020 e conta com itens-desejo, como o Instant Reset Overnight Recovery Gel-Cream, mais novo lançamento, que promete revitalizar a pele enquanto você dorme.


PARA TODOS OS CORPOS

Em 2018, Riri decidiu chacoalhar as engrenagens de outro setor, o de lingerie, com a criação da Savage x Fenty. Feita em parceria com o grupo Techstyle Fashion, a marca alcança hoje uma receita anual estimada em 150 milhões de dólares. O destaque da etiqueta é a grade maior de numeração, a publicidade efetivamente mais diversa e as apresentações em formato de show, que contam com vários tipos de corpos.

"Existem muitas mulheres que se sentem no escuro, invisíveis. Que pensam que não podem experimentar algo porque não foi feito para elas. Aqui é onde você se sente mais segura, bem aqui na Savage", foi com esta frase que Rihanna anunciou o lançamento da marca na época. Mulheres que durante muitos anos sonharam em virar angels da Victoria Secret's – com aquele padrão extremamente alto e magro, praticamente inalcançável –, viram ali a oportunidade de serem uma Savage exatamente como são.

E por mais que este jeito de apresentar uma coleção tenha sido consagrado pela Victoria's Secret, a marca de Rihanna foi recebida pela crítica como a pá de cal no evento das angels que já acumulava críticas pela falta de diversidade. O primeiro show de apresentação da Savage Fenty foi um impacto e tanto, tocou até um trecho de "Malokera", feat da Ludmilla com MC Lan, Skrillex, TroyBoi e Ty Dolla Sign para delírio dos brasileiros. Foi lindo de ver o nosso funk, que ainda é criminalizado por aqui mesmo sendo um dos ritmos mais populares, como trilha de um desfile dessa magnitude com corpos tão plurais sendo celebrados.

O Brasil vibrou ao ouvir Ludmilla e MC Lan como parte da trilha sonora do "Savage x Fenty Show" com o funk "Malokera" www.youtube.com

Mesmo com a pandemia, Rihanna deu um jeito de fazer o show continuar e, sem plateia, gravou o "Savagy X Fenty Show Vol. 2", disponibilizado no Amazon Prime Video globalmente em outubro de 2020. A sexualidade, sempre tão presente nos desfiles de lingerie, dessa vez foi abordada com um discurso sobre a importância e a dificuldade dos processos de aceitação e de empoderamento dos próprios desejos. A cantora Lizzo, a modelo Cara Delevingne e a atriz Indya Moore, uma das estrelas de "Pose", são algumas das convidadas que engrandeceram o espetáculo.

GRIFE DE LUXO

Tanto com a Fenty Beauty quanto com a Savage x Fenty, o debate sobre inclusão na moda foi parar em outro patamar. Mas Rihanna fez história mesmo com a criação da grife de roupas da Fenty, que chegou ao Brasil pouco antes da linha de maquiagem, no meio de julho de 2020. Ela foi lançada em 2019 dentro do LVMH, grupo que detém grifes como Dior, Givenchy e Louis Vuitton, se tornando a primeira marca de moda criada do zero já inserida na holding francesa desde Christian Lacroix, em 1987.

Rihanna, por sua vez, virou a primeira mulher negra a ocupar o topo de uma das 70 casas pertencentes ao grupo. Ainda que a grife propriamente não seja uma revolução em termos de design, ela coloca em prática algumas iniciativas mercadológicas que marcas do mesmo nível não conseguiram assumir. Uma delas é a prática do tão comentado "see now, buy now" – aquele tipo de coleção que é divulgada na própria estação e fica disponível para compra no mesmo momento. O foco da marca é total na venda online, uma inovação e tanto em termos de marca de luxo. Além disso, inclusão na Fenty é uma premissa nas estruturas do negócio, não só na imagem. E aí mais uma vez Riri muda as regras do jogo.


A gente sabe que a resposta não existe, mas quer entender porque são os empresários negros, principalmente, que precisam lidar com essa pergunta.


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