PFW: Loewe, inverno 2026
Na segunda coleção como diretores criativos da Loewe, Jack McCollough e Lazara Hernandez atualizam as conexões espanholas da marca e sua excelência material e de design.
O inverno 2026 da Loewe dá continuidade às ideias da elogiadíssima coleção de estreia dos diretores criativos Jack McCollough e Lazaro Hernandez. E, se permitem, com muito mais êxito.
Explico: a Loewe é uma marca espanhola que completa 180 anos em 2026. Nos últimos 12 anos, a etiqueta foi comandada por Jonathan Anderson, hoje na direção criativa da Dior. Sob sua gestão, a grife se destacou pela valorização de trabalhos manuais, pela experimentação têxtil e, no começo, por uma pegada meio boho à la Ibiza.
Jack e Lazaro, ambos estadunidenses, fundaram a Proenza Schouler em 2002 e logo se tornaram um dos principais nomes da moda de Nova York. Eles sempre sonharam com um posto em uma casa europeia, o que finalmente aconteceu em 2025. Para o début, o duo decidiu olhar para as origens da etiqueta e para sua excelência material com referências mais sensoriais do que visuais.

Loewe, inverno 2026. Foto: Getty Images

Loewe, inverno 2026. Foto: Getty Images

Loewe, inverno 2026. Foto: Getty Images

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Para os estilistas, a Espanha é, resumidamente, sobre calor – e em vários sentidos: solar, luminoso, térmico, cromático, comportamental, carnal, sexual, emocional. Tudo frequentemente associado ao verão. Daí o desafio em reproduzir isso em uma coleção de inverno.
Uma saída foi colocar um arremate peludo em vestidos que parecem toalhas amarradas sobre o corpo. Outra foi adaptar a influência esportiva do verão 2026. As modalidades aquáticas seguem dominantes, porém agora com aparatos de maior cobertura e volumetria. Pense em long-johns ou macacões de mergulho combinados a jaquetas e parkas infladas como boias salva-vidas. A inspiração em tais uniformes também informa a silhueta geral da coleção: mais ajustada e com formas precisas. Essa objetividade e domínio de design também foram um dos pontos altos da estreia da dupla na estação anterior.
Alguns materiais têm estrutura e aparência de neoprene – e muitas vezes é isso mesmo, porém dublado com couro ou látex coloridos. Falando no tecido emborrachado, ele aparece superfino em slip dresses e em alguns casacos texturizados. Tem ainda texturas felpudas que, na verdade, são tricôs com pontos de tamanhos variados e efeito desfiado. Aqueles vestidos justos com cauda espiralada, por exemplo, derivam dessa técnica.
Loewe, inverno 2026.
Foto: Getty Images
Loewe, inverno 2026.
Foto: Getty Images
Loewe, inverno 2026.
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Loewe, inverno 2026.
Foto: Getty Images




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Outra referência importante é o trabalho da artista alemã Cosima von Bonin. Ela possui algumas séries de obras compostas de réplicas lúdicas de animais marinhos. Os polvos, baleias e ostras de pelúcia que compunham o cenário do desfile desta sexta-feira (06.03) são dela. Os padrões xadrez de alguns looks, como os volumes inflados que saem por debaixo de casacos de lã ou nos forros de algumas peças, também derivam dessas obras.
Em tempo impressionante, Jack e Lazaro conseguiram imprimir um estilo próprio na Loewe sem descartar os vieses ou abordagens divertidas e artísticas tão bem trabalhados pelo seu antecessor, Jonathan Anderson. Também conseguiram dar vida nova e relevância às qualidades materiais (as manuais em especial) tão centrais à marca e ao mercado de luxo de um jeito leve, autêntico e nada forçado.
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