PFW: Jean Paul Gaultier, inverno 2026
Na segunda coleção de Duran Lantink como diretor de criação da Jean Paul Gaultier, o estilista resgata a alfaiataria da casa e as formas exageradas que o tornaram famoso.
Duran Lantink estreou como diretor criativo da Jean Paul Gaultier em outubro passado. A escolha de chegar sem medo, absorvendo o espírito libertário do fundador e mirando o lado mais queer e clubber desse patrimônio teve um preço. A performance dividiu opiniões e uma das maiores críticas foi a representação feminina proposta pelo designer, ao cobrir mulheres com estampas de corpos masculinos nus.

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

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A coleção de inverno 2026 apresentada neste domingo (08.03) é um pé no freio estratégico depois do que aconteceu. O criador diz que as ideias anteriores continuam ali, só que agora elas aparecem mais polidas e sob um novo tema. A inspiração da vez é uma foto de Marlene Dietrich segurando um chicote. Por causa disso, a modelo estadunidense Alex Consani usa um vestido coluna justo com uma estampa da atriz fumando. Na parte de trás da roupa, um mecanismo solta fumaça de verdade enquanto a jovem desfila – o mesmo efeito se repete em outros looks. A influência de Marlene também está no jogo entre masculino e feminino por meio da alfaiataria. Um conjunto de paletó e gravata é moldado pelo estilo faroeste, com o chapéu de caubói preso ao colete. A lapela de um blazer é costurada invertidamente para criar um decote inesperado, ao passo que as golas das camisas são ampliadas para virarem capuzes com colarinhos que emolduram o rosto.

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação

Jean Paul Gaultier, inverno 2026. Foto: Divulgação
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Algumas peças se abrem para uma vertente esportiva, na qual parkas desconstruídas se transformam em vestidos ou emprestam detalhes utilitários para conjuntos de blazer e saia ou camisa e calça. O clima de esporte de inverno permeia essa ala, onde as segundas peles de tricô escocês recebem recortes em formato de lingerie com padrão vichy. Outros macacões têm uma estampa que simula manequins articulados de madeira e são uma interpretação da coleção de inverno 2004 da casa, intitulada Les Marionnettes.
É só ao final, porém, que a plateia consegue ver melhor o talento que Duran lapidou em sua marca própria desde 2016. Os destaques são os vestidos de jersey e veludo com drapeados e enchimentos que deixam o corpo parecendo um personagem de desenho animado ou um antagonista caricato de uma obra expressionista. Talvez o erro na estreia tenha sido não apresentar melhor tais qualidades ao chegar. O estilista tentou falar uma língua que não era a dele e acabou se perdendo na tradução – e continua patinando. Em entrevistas, o designer fala que suas roupas não são para todo mundo. Só que, quando quase ninguém pega a piada, o problema talvez não seja de quem está assistindo.
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