Inspirada em fantasias e modelagens antigas, Paula Rondon expande paixão por vintage em marca homônima
A etiqueta de Paula Rondon, cofundadora do brechó B. Luxo, se especializou em roupas com estilo romântico feitas de tecidos vintage.
Paula Rondon, 47, teve seu primeiro contato com moda aos 14 anos, quando começou a trabalhar como vendedora em uma loja de artigos de skate e surfe em São Bernardo do Campo, São Paulo. Ela atuou no varejo por mais de uma década, passando por empresas diferentes e pulando de área em área, do atendimento ao visual merchandising. O que nunca mudou foi sua obsessão por coisas antigas. Desde a adolescência, Paula frequenta bazares de igreja para garimpar tecidos vintage e peças que às vezes nem eram exatamente do seu tamanho. Onde ia, chamava a atenção pelo que vestia. “Todo mundo perguntava o que eu estava usando. Daí veio a primeira faísca de negócio”, fala ela.

Foto: Divulgação
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Em 2006, Paula conheceu Gil França na loja da Cavalera, no bairro do Jardins, onde ele trabalhava, e logo os dois começaram a namorar. No mesmo ano, decidiram unir forças e abrir o brechó B. Luxo, na sala do apartamento que dividiam. Na época, ainda era raro encontrar curadorias de produtos de segunda mão históricos alinhados às vontades de moda vigentes. A seleção não se restringia a tendências, mas foi pelas peças brilhantes, ombreiras e muito couro que o negócio ficou famoso.
A empreitada não tinha nem feito aniversário quando eles foram convidados para ter um espaço dentro da multimarcas francesa Surface to Air, recém-inaugurada em São Paulo. Pouco depois, em 2007, a dupla abriu um espaço próprio na rua Augusta. No mesmo período, Paula e Gil lançaram um blog e uma festa, ambos com o nome de Freak Style. No primeiro, eles divulgavam fotos de pessoas que visitavam o endereço e imagens de inspiração de desfiles que combinavam com as peças disponíveis nas suas araras. Com os eventos, eles reuniram uma comunidade. Isso fez a clientela crescer a ponto de virar um fandom. “Criamos um lifestyle em torno da empresa”, comenta Paula.

A estilista Paula Rondon. Foto: Divulgação
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Na virada de 2016 para 2017, o casal mudou para Londres para estudar e garimpar – o B. Luxo continuou operando por aqui. Durante a temporada na capital inglesa, Paula fez dois módulos do curso de costura e modelagem na faculdade Central Saint Martins. Eles voltaram para o Brasil antes de a pandemia fechar as fronteiras ao redor do mundo.
Exatos 14 anos separam a abertura do B. Luxo da criação da marca Paula Rondon, em meados de 2020. A palavra upcycling começava a se popularizar no Brasil quando nasceu a primeira coleção. Eram 14 vestidos de decote quadrado, babados e mangas bufantes, feitos de tecidos que ela guardou durante a vida. As peças eram inspiradas em fantasias de palhaço das décadas de 1920, 30 e 40, estética que permeia a etiqueta até hoje.

Os tecidos vintage são a matéria-prima preferida da designer. Foto: Divulgação
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O drop inicial esgotou rapidamente. Por alguns meses, a produção girou em torno desse único item de vestuário. Depois de algum tempo, veio a vontade de expandir o portfólio. Em 2021, com uma pequena base de consumidoras já consolidada, Paula criou camisas amplas, bermudas com babados na barra e calças balão com renda. Em seguida, vieram os acessórios, como brincos, colares e pulseiras feitos de pequenos objetos antigos. Até aquele momento, tudo era feito com técnicas de reutilização.
Em 2024, nasceu dentro de Paula uma vontade inédita de trabalhar com tecidos novos. “Comecei a frequentar a academia e queria um look legal para malhar”, explica. Ela desenvolveu então a linha Utilitários, composta de jaquetas, bermudas e short-saias de nylon. O lançamento mais recente traz blusas de manga comprida e vestidos de tela com estampas vintage digitalizadas. Outra razão para o investimento nesses insumos é o desejo de expandir o negócio. Um dos principais desafios do upcycling é justamente a dificuldade de escalar a produção, já que a oferta limitada de recursos restringe o crescimento da operação.

As blusas de tela complementam vestidos amplos. Foto: Divulgação
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Desde o início da marca, o DNA romântico com influências do streetwear e do movimento punk se mantém intacto. O que também não mudou foi o caráter artesanal da produção. Paula corta tudo sozinha antes de mandar para suas duas costureiras de confiança. Atualmente, a grife lança de 30 a 40 peças únicas por mês – e é preciso ficar atento, pois elas se esgotam rapidamente.
Hoje, a rotina de Paula é dividida entre as criações da marca de roupas e o B. Luxo – sim, ele continua firme e forte, agora em novo endereço na Barra Funda. As coleções da Paula Rondon são vendidas somente em seu e-commerce, mas ela sonha em estar presente em multimarcas para que sua etiqueta chegue a mais pessoas. “Quero extrapolar a bolha da indústria da moda, que já conhece e consome minha moda.”

O mix de estampas também é parte do DNA da Paula Rondon. Foto: Divulgação
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