PFW: Dior, verão 2027
Jonathan Anderson deixa tudo mais leve, visual e materialmente, em uma de suas coleções mais despretensiosas como diretor de criação da Dior.
O desfile de verão 2027 feminino da Dior começa onde o masculino termina. Naquela apresentação, em junho, num dos dias mais quentes do verão francês, o diretor de criação Jonathan Anderson deixou tudo o mais leve possível. Até o terno, em um dos seus moldes mais tradicionais, apareceu todo desestruturado, com caimento solto e uma estampa xadrez transparente.
No desfile desta terça-feira, 29 de setembro, num dia menos quente, mas ainda quente demais para essa época do ano, havia peças bem parecidas com aquelas. O primeiro look é um bom exemplo, apesar dos itens com padronagem listrada. O segundo também, aí já com o mesmo motivo pied-de-poule que vimos meses atrás.
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
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As semelhanças importam por alguns motivos. Um deles é que, ao assumir a direção criativa da Dior, o Jonathan tinha como missão unificar ou sintonizar as linhas da marca – antes dele, masculino e feminino eram comandados por pessoas distintas. Outro é o desafio de fazer roupas visualmente similares com técnicas diferentes.
A alfaiataria, que é tradicionalmente mais estruturada, rígida ou pesada, aqui é tratada como se fosse vestido. Muitas peças são feitas de chiffon para reforçar a leveza. Os acabamentos e formas também são menos precisos. Quer dizer, precisos eles são, só não são tão certinhos e simétricos.
A imprevisibilidade e a assimetria da natureza são uma das inspirações dessa coleção. Por isso, os comprimentos e barras são irregulares, franzidos, ondulados, desfiados. Christian Dior, em si, amava tudo que era orgânico e natural. As flores principalmente. Várias criações suas são baseadas na botânica. Algumas saias e blusas do verão 2027 são interpretações diretas em originais do couturier compostos de camadas de tecidos como se fossem pétalas.
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Repetição e continuidade são recursos muito utilizados por Jonathan e pelo seu stylist e parceiro de longa data, o Benjamin Bruno. Isso vem de tempos, desde quando eles estavam na Loewe. Essa recorrência ajuda a consolidar e fixar imagens na cabeça das pessoas, a estabelecer elementos de linguagem de um universo criativo, além de servir de exercício para aprimoramentos e evoluções.
Sabe os volumes nos quadris, tipo roupa do século 18 que Jonathan usou nas suas duas primeiras coleções de prêt-à-porter (verão 2026 e inverno 2026)? Então, eles continuam aqui, porém menos complicados, com mais movimento.

Dior, verão 2027. Foto: Getty images
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Lembro de assistir ao desfile anterior, em março, ali em volta do mesmo tanque (ou lago) nos Jardins das Tulherias, e não conseguir imaginar quem usaria aquelas roupas (lindas) na rua, naturalmente. Ontem, várias convidadas estavam com aqueles mesmos looks. Elas estavam belas, mas nem todas com aparência confortável ou à vontade.
Isso não acontece – ou não deve acontecer – com as propostas do verão 2027, porque Jonathan deixa tudo mais solto, descompromissado, menos composto e arrumado. E isso é ótimo.
A Dior sempre foi uma marca meio certinha, tradicional. Essas características seguem presentes, porém nas entrelinhas, como uma sensação, uma ideia. São mais abstratas.
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Dior, verão 2027. Foto: Getty Images |
Ao abrir esse espaço, o Jonathan amplia ainda mais o repertório de produtos. As calças metalizadas com textura de cobra, vistas no masculino, voltam aqui com aquele de rebeldia aristocrática. As saias rodadas, com barras cortadas a fio, são encurtadas.
A pele e o corpo vêm para jogo, ainda de um jeito bem Dior, bem à francesa. Algumas combinações são meio improváveis, principalmente em relação aos acessórios, como os sapatos de trilha, as bolsas de rede e as joias corporais caídas sobre os looks.
Aos poucos, Jonathan vai dando cara própria à Dior, com uma silhueta romântica do século 18, mas sensualidade, jovialidade e uma certa despretensão bem de agora.
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