Fernanda Torres, em foto alterada pela segunda enchente que atingiu o estúdio de Bob Wolfenson, no ano passado

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"Éuma coletânea, mas não uma retrospectiva", diz Bob Wolfenson sobre Desnorte, livro que contempla cinco décadas de seu trabalho, lançado nesta quinta-feira (6), dois meses após a edição da ELLE que comemora seus 50 anos de carreira. "É uma revisão do que eu fiz conectado de outra forma. É um novo trabalho, na verdade, calcado em fotos antigas. Por isso, o nome Desnorte", conta Bob à ELLE. "O livro não tem um tema específico. O tema sou eu, o meu olhar, a minha passagem pelo mundo."

Este olhar de Bob abarca desde seus conhecidos nus até séries documentais sobre Cubatão e apreensões realizadas pela Polícias Federal. As 128 imagens do livro, que passeiam por diferentes temas, estão distribuídas de forma não linear e embaralham a produção do fotógrafo. "Não é um livro clássico, cronológico", diz.

Para a edição deste arquivo tão extenso de imagens, Bob contou com a ajuda do designer Eduardo Hirama, que também assina o projeto gráfico. "O Edu pegou um trabalho bruto, muito grande e foi dando um fluxo de conexões, de forma e conteúdo. Aí, fui burilando isso, tirando fotos. Fomos ajustando até chegar neste formato final", conta. "Quando você faz um trabalho novo com fotos antigas, elas são vistas de outra forma também. Elas deixam de ser fotos antigas para serem inseridas de outra forma, atualizadas pelo hoje."

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Foto: Divulgação


O livro que comemora seus 50 anos de carreira seria lançado no início do ano passado, em outro formato – Bob chegou a cogitar lançar a publicação em fascículos, dedicados cada um a diferentes temas de seu trabalho –, quando ele foi surpreendido pela pandemia. Depois, o lançamento de Desnorte acabou adiado por causa da edição comemorativa da ELLE, conta, para evitar uma "intoxicação de imagens suas". "Infelizmente, o livro não inclui o trabalho da ELLE. Há algumas imagens que seguramente estariam lá. Por outro lado, foi bom porque são trabalhos bem particulares."

Para marcar o lançamento, Bob participa hoje, às 19h, de uma conversa por Zoom com o curador Thyago Nogueira (é necessário confirmar presença pelo e-mail bobwolfensonestudio@gmail.com).


Prestes a completar 50 anos de carreira, o fotógrafo discute os impactos da pandemia, reflete sobre aposentadoria e relembra a inundação que atingiu seu acervo em fevereiro: "Renasceram coisas que estavam mortas".





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