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Há quem defenda a tese de que Sex and The City envelheceu mal. A série da HBO que narra a vida de quatro amigas solteiras descobrindo Nova York por meio de restaurantes, boates, homens, liberdade e sexo foi considerada uma revolução ao ser lançada, em um longíquo 1998. À época, os seriados nem eram uma grande tendência e mulheres se orgulhando de sua solteirice, sua vida sexual e suas descobertas pessoais não eram bem vistas. O papel da mulher era viver um amor perfeito acima de tudo e de qualquer outra preocupação – assim eram retratadas no cinema e na TV.

Quem não assistiu Sex and the City de cabo a rabo, prestando atenção na sua história completa, nas miudezas, talvez não entenda a importância de sua existência. Carrie Bradshaw, a jornalista de sexo que desbravava a cidade atrás de pautas para sua coluna, entre compras na Manolo Blahnik e na Dior, tinha uma vida que muitas das mulheres gostariam de viver – eu inclusa. Com a companhia essencial de suas três melhores amigas, Samantha Jones, Miranda Hobbes e Charlotte York, ela narrou, durante seis temporadas, as dores e vantagens de viver em uma cidade que te entrega tudo, mas que também demanda demais.

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Era como se as quatro personagens de 30 e poucos anos representassem diferentes lados de uma só: Carrie, a fashionista independente & sonhadora; Miranda, a trabalhadora feminista que não deita para qualquer homem; Samantha, a empoderada hipersexual & egocêntrica; e Charlotte, a conservadora que julga algumas escolhas de suas amigas, mas que sempre as ouve. Trazer à tona e colocar sob os holofotes as complexidades, as diferenças e as contradições dessas mulheres fez com que muita gente entendesse e visse que não há apenas um caminho – casamento, homens, filhos –, mas que, se assim quisessem, essa também é uma estrada válida.


Explorar a sexualidade feminina de maneira livre como nunca tinha sido feito antes foi um dos grandes diferenciais de Sex and The City. A série trouxe ao centro das discussões temas como bissexualidade, aborto, drogas, relações entre homens e mulheres de diferentes faixas etárias, independência, boquete, HIV, relações interraciais, dificuldades da maternidade, divórcio, disfunção erétil, orgasmo feminino, entre muitos outros. Algumas vezes, esses temas eram, sim, cobertos com um véu de preconceitos e falta de informação condizente com a época – mas não dá pra negar a importância de criar uma conversa sobre eles pela primeira vez na televisão.

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É verdade, no entanto, que a série falhou em trazer discussões profundas sobre diversidade racial e de realidades financeiras diversas, afinal, estamos falando de quatro mulheres brancas que moram em uma das cidades mais caras do mundo e narram suas vidas do alto de diversos privilégios. Muitas vezes foi questionado, até, como Carrie Bradshaw sustentava uma vida em Manhattan com um salário de colunista – questão que perturba qualquer jornalista (de moda ou não) até hoje. As questões problemáticas da série são contundentes – mas em volume menor do que qualquer outra série da mesma época.

Retratar a vida de quatro mulheres, sem nenhum homem como protagonista (de suas vidas principalmente), já é, por si só, uma coisa nova. Mostrar que, mesmo independentes, elas também choram e têm seu coração partido. Entender que ser feminista e independente não te exime de sofrer é das maiores lições a se tirar da série. Talvez o grande destaque de Sex and The City seja exatamente esse: mostrar diferentes lados de mulheres que não podem ser descritas com apenas um adjetivo e que suas complexidades são, sim, contraditórias, como a de todas nós.

Fotos das personagens Miranda, Charlotte e Carrie, em Sex and The City Miranda, Charlotte e Carrie.Foto: Divulgação

Neste domingo, a HBO Max confirmou a nova temporada de Sex and The City, batizada de "And Just Like That…", que começará a ser gravada no meio do ano, em Nova York. A nova temporada vai explorar as relações de Carrie, Miranda e Charlotte, agora com 50 anos – Kim Cattrall, que interpreta Samantha Jones, não vai participar – em dez episódios de meia hora.

Se é possível ignorar os erros da série original transmitida de 1998 a 2004, hoje não há mais desculpa. Nessa nova temporada, não vai dar para passar pano para preconceitos raciais, de gênero e de sexualidade – e espero não ser necessário. A mentalidade das quatro mulheres explorada nos 94 episódios e dois filmes da franquia com certeza as levaram a descobertas e desconstruções nos últimos anos. E é isso que esperamos ver.



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