Maison Margiela, inverno 2026

Em desfile na China, Glenn Martens, diretor criativo da Maison Margiela, destaca a importância do processo de criação para a marca com roupas amassadas, corroídas e propositalmente imperfeitas.


Maison Margiela, inverno 2026
Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação



Desde que a Maison Margiela foi fundada em 1988, a etiqueta nunca apresentou uma coleção fora de Paris. Até hoje (01.04), quando encerrou a semana de moda de Xangai, na China.

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

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A casa vai retornar à capital francesa no calendário de alta-costura em janeiro de 2027 e no de prêt-à-porter em setembro do mesmo ano, mas a prioridade agora é consolidar a presença no continente asiático. A estratégia reforça uma relação comercial que rende resultados, já que o Japão ocupa o posto de principal mercado consumidor da empresa.

O início da conexão chinesa se deu em 2019 e, até o momento, já são 26 unidades físicas da Margiela no país. Embora o perfume seja o item mais vendido, a companhia enxerga um amplo espaço de crescimento no vestuário. Para impulsionar essa frente, foi organizada uma agenda local robusta que vai bem além da passarela. 

Quatro exposições acontecem em cidades diferentes ao longo do mês. A primeira abre em Xangai na sexta-feira, dia 3, reunindo 58 originais da linha Artisanal, a ala de alta-costura da grife. Pequim recebe uma mostra dedicada às tradicionais máscaras, enquanto a história do icônico calçado Tabi será contada em Chengdu e a da técnica bianchetto, que recobre objetos com tinta branca, ganhará destaque em Shenzhen.

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

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O desfile ocorreu em um cenário composto de containers, caixas metálicas gigantescas que nos dão a dimensão agressiva do consumo contemporâneo. As roupas, por sua vez, colocam a manualidade no centro da história, explorando a construção minuciosa e a desconstrução intencional – a ideia é deixar claro o processo. Entre peças de prêt-à-porter e de alta-costura, os tratamentos de superfície são o grande destaque, tanto nos itens usuais quanto nos impraticáveis – algumas criações não serão comercializadas, já afirmou a maison.

A alfaiataria recebe camadas ultrafinas de jersey coladas sobre o tecido plano, criando uma ilusão de segunda pele. A noção de camadas segue firme nos itens de couro grudado sobre o tweed e o veludo aplicado sobre a lã. Um dos corpetes é feito de fios de aço inoxidável e um vestido longo criado com 500 fragmentos de porcelana reorganizados em mosaico. Uma tapeçaria do século 19 ganhou bordados de lantejoulas metalizadas antes de ser moldada sobre o corpo com moulage. 

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Um dos visuais dourados ostenta aplicações de folhas de ouro, enquanto o bustiê dele foi desenvolvido a partir de uma impressão negativa de joias antigas. Ou seja: colares, pulseiras, aneis e brincos encontrados em mercados de antiguidades foram agrupados sobre um busto para servirem de molde a estruturas de látex. Dessa forma, a memória do metal antigo permanece no novo objeto, agora com acabamento plastificado.

O conceito de mercado de pulgas, aliás, funciona como a principal referência da estação. Segundo o release, o espaço carregado de relíquias encoraja o reaproveitamento como uma forma de dar uma segunda vida ao que parecia descartado. Não à toa, um traje original da era eduardiana foi reutilizado com aplicação de cera de abelha para alcançar um aspecto congelado num modelo atualizado. 

O mesmo período inspira vestidos de renda que destacam o colo e têm pequenas mangas bufantes, além de golas altas e silhuetas alongadas. A combinação de texturas corroídas e superfícies envelhecidas reflete um desejo recente da moda de se reaproximar do toque humano e se afastar da uniformidade digital. Aqui, essa imperfeição proposital também está ligada ao legado da marca, que sempre teve mais interesse no processo do que no resultado. 

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

Maison Margiela, inverno 2026

Maison Margiela, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Por fim, há um tom sombrio e melancólico na apresentação. Os looks de organza são quase fantasmagóricos, com camadas do tecido tingidas por aerógrafo e drapeadas para criar um efeito enrugado – esta técnica é uma assinatura de Glenn Martens desde os tempos de Y/Project. 

As máscaras escondem a identidade dos modelos para concentrar a atenção nas roupas, como sempre propôs Martin Margiela, mas também dão uma sensação de fragilidade e contenção. O caminhar dessas pessoas vendadas provoca um desconforto em quem acompanha. 

A tensão, no entanto, parece ser um recurso assumido pelo estilista, desde a sua estreia, em julho do ano passado, quando cobriu alguns rostos com plástico e metal. É a maneira que ele escolhe de seguir a veia provocativa que tanto caracteriza a grife.  

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