MFW: Gucci, inverno 2026
Demna retoma o sexy da era Tom Ford e mantém o apreço pelas ruas em sua estreia nas passarelas como diretor criativo da Gucci.
Sexy is back, segundo Demna. Pelo menos é essa a primeira impressão de sua estreia na passarela como diretor criativo da Gucci. Demna tinha acabado de completar dez anos no comando da Balenciaga quando veio o anúncio de que ele assumiria a direção criativa da Gucci, até então ocupada por Sabato de Sarno. O comunicado rolou em março de 2025. Em setembro do mesmo ano, ele apresentou sua coleção de estreia, a verão 2026, mas não com um desfile e, sim, com um curta-metragem.

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação
Leia mais: MFW: Moschino, inverno 2026
Agora, foi a vez do show. Referências ao estilo de Tom Ford, que dirigiu a criação da Gucci de 1994 a 2004, apareceram de cara, até na iluminação, que era bem parecida com a da apresentação de inverno de 1995. Retomar esse período faz sentido. Aquele desfile simbolizou a recuperação corporativa da empresa, então à beira da falência. Hoje, os resultados financeiros da Gucci também preocupam. O lucro operacional da casa caiu 40% em relação ao ano anterior, segundo dados da Kering, o conglomerado que controla a etiqueta.
Desde setembro passado, o grupo conta com um novo CEO, Luca de Meo, reconhecido por processos de reestruturação e que montou um plano de recuperação previsto para três anos. A pressão sobre Demna, portanto, é grande. Na nova coleção, a estratégia é preservar o traço que consolidou sua reputação: o olhar direto para as ruas, estabelecendo diálogo imediato entre moda e comportamento. O estilista desenvolve essa abordagem desde a Vetements, marca que cofundou com o irmão há mais de 12 anos e deixou em 2019. E foi com leituras sobre elementos cotidianos que ele conquistou projeção na Balenciaga.

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação
Leia mais: MFW: Prada, inverno 2026
Na Gucci, o foco recai sobre a sensualidade. Ela está em conjuntos de tramas abertas que remetem à renda, vestidos e camisas ajustadíssimos ao corpo, além de couros macios em jaquetas, calças e estolas. A atmosfera noturna aparece em casacos de pele sintética, lamê, malhas cintilantes e códigos fetichistas, como pés descalços, pernas expostas e o icônico fio dental apresentado por Tom Ford no verão 1997. Desta vez, o G duplo da calcinha é de ouro branco, cravejado com 10 quilates de diamantes, e aplicado na parte de trás de um vestido usado por Kate Moss.
O conjunto da obra dialoga com a idolatria contemporânea do corpo, como homens musculosos e mulheres extremamente magras. A proposta reforça padrões, mas evidencia permanências e transformações na ideia de beleza ao longo do tempo. O cenário foi projetado para lembrar um museu de mármore, composto de reproduções de esculturas da Antiguidade clássica. Em uma carta publicada em seu perfil no Instagram, Demna afirma que o Renascimento italiano moldou profundamente a sua percepção de arte, proporção, desejo e beleza.

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação
Leia mais: MFW: Marni, inverno 2026
As roupas parecem simples, mas são engenhosas. Nas laterais e nos ombros de camisetas e vestidos justos, não há costuras. O tecido é cortado rente ao corpo, com bordas laterais colados com o calor para que nenhuma junção fique visível. As barras arredondadas impedem que o item suba ou desça conforme o movimento. A camiseta usada na diagonal é, na verdade, uma peça fluida drapeada. A alfaiataria é feita de tecidos leves, sem estruturas ou enchimentos. Desde a sua última coleção de alta-costura para a Balenciaga, o estilista trabalha com alfaiates italianos para alcançar alternativas à formalidade tradicional, com formas menos rígidas, ombros naturais e quase ausência de forro.
Os clássicos da grife recebem atualizações. A Bamboo 1947 ganha alças de couro alongadas com a textura da planta. O mesmo movimento esguio atinge os sapatos masculinos Horsebit, agora com bicos aerodinâmicos. O lenço Flora vira um simples vestido tubular de alças finas, mas também inspira um monumental modelo de manga longa confeccionado em jacquard e forrado de cristais. A peça sintetiza o trabalho presente em toda a coleção, ainda que nem todos os trabalhos envolvidos precisem estar visíveis para afirmar o seu valor.

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação

Gucci, inverno 2026. Foto: Divulgação
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.



