NYFW: Calvin Klein, inverno 2026
Veronica Leoni expande ideia de sensualidade de forma menos heteronormativa em nova coleção da Calvin Klein.
Veronica Leoni estreou como diretora criativa da Calvin Klein em fevereiro do ano passado, com o inverno 2025. A coleção foi bem recebida, em especial pela abordagem atualizado do minimalismo pelo qual a marca é conhecida – o que era de se esperar para alguém que trabalhou com Phoebe Philo e Jil Sander –, mas também foi criticada pela a ausência de sensualidade nas roupas da designer (e sensualidade é essencial na etiqueta estadunidense).

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação
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A resposta da estilista veio na coleção seguinte, a de verão 2026, com mais pele, sutiãs e calcinhas em evidência. Claro, tudo de forma discreta. No inverno 2026, a designer reforça que sua sensualidade não passa por caminhos óbvios. Esse fator está quase escondido. De frente, o público vê blazers de ombros marcados, conjuntos de camisa e calça amplas combinados a casacos. Na parte de trás de alguns vestidos fechados, no entanto, um tecido delicado como a seda aparece, além de aberturas e laços. É como se o sexy não estivesse disponível para qualquer um e ficasse reservado a uma esfera pessoal relacionada à autoconfiança.
O blazer de quatro botões sem mangas e a blusa que deixa os ombros expostos fazem referência ao gesto de arregaçar a parte que cobre os braços até transformar a peça em uma regata. A associação com a estética lésbica é inevitável. Veronica Leoni, uma das poucas mulheres atualmente à frente de uma grande marca de moda, é sáfica. Fica mais fácil de entender tudo por este ponto de vista: no passado da Calvin Klein, a sensualidade esteve atrelada a ideais heteronormativos. Agora, a narrativa se amplia para signos sutis e caros para pessoas LGBTQIA+.

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação

Calvin Klein, inverno 2026. Foto: Divulgação
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O lenço é um exemplo de aceno a essa comunidade. Na coleção anterior, ele apareceu como bandana na cabeça. Aqui, ganha versão ampliada de pelo para ser usada sobre os ombros. A imagem de um lenço dobrado no bolso de uma calça jeans foi publicada no perfil da marca no Instagram e funcionou como convite online para a apresentação desta sexta-feira (13.02). O posicionamento do acessório, geralmente uma bandana, nessa parte da calça constituiu um sistema histórico de comunicação não verbal entre homens gays nos Estados Unidos. Conhecido como hanky code, ou código do lenço, o recurso permitiu que essa população se comunicasse com discrição e segurança em períodos de maior vulnerabilidade.
A sutileza do olhar de Veronica Leoni atravessa as referências e se manifesta na estratégia comercial com produtos que ignoram as barreiras de gênero e são muito bem acabados. Um casaco alaranjado pode ser usado por qualquer indivíduo. A coleção, aliás, concentra um grande número de itens de outerwear, relacionados não apenas às temperaturas muito baixas em Nova York, mas também a um posicionamento premium para a grife – lembra as eras de Francisco Costa e Raf Simons como diretores criativos e quando essa categoria ganhou destaque na label.
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