Paris Fashion Week: Tom Ford, inverno 2025
Haider Ackermann assume o posto de diretor de criação da Tom Ford com coleção sensual à sua maneira.

Três grandes estreias marcam esta temporada de inverno 2025 da semana de moda de Paris: Julian Klausner na Dries Van Noten, Haider Ackermann na Tom Ford e Sarah Burton na Givenchy. Julian estreou na manhã desta quarta-feira (05.03). Sarah é só na sexta-feira (07.03). Este texto, então, é sobre a primeira coleção de Haider Ackermann para a Tom Ford.
Antes, um pouco de contexto: Tom Ford nasceu no Texas, nos Estados Unidos, e em 1979 se mudou para Nova York, onde estudou história da arte e arquitetura. Após trabalhar para nomes como Perry Ellis e Cathy Hardwick, ele vai à Europa para se aperfeiçoar como estilista. Em 1990, foi morar na Itália, onde começou sua carreira na Gucci.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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Após dez anos revolucionários como diretor criativo da casa e um dos chefes do grupo, que hoje virou Kering, Ford pediu as contas e decidiu abrir sua marca homônima, focada somente em moda masculina, em 2005. Em 2010, veio a linha feminina.
Em 2022, ele vendeu sua etiqueta para a Estée Lauder por 2.8 bilhões de dólares para se dedicar ao cinema. Na época, ficou combinado que a empresa cuidaria da parte de beleza e o grupo Zegna, da de moda. Em abril de 2023, Peter Hawkins, que trabalhou ao lado de Ford por 25 anos, assumiu a direção criativa. No entanto, menos de um ano depois, em julho de 2024, ele foi demitido. Parece que Peter fez um comentário que Tom não gostou…
Em setembro de 2024, Haider Ackermann foi nomeado diretor de criação. A notícia foi comemorada pela indústria, já que o designer colombiano é um dos queridinhos da moda desde 2001, quando lançou sua própria label. Sua estreia na semana de moda de Paris, em setembro de 2002, o consagrou como uma das grandes revelações da época.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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Ackermann é desses estilistas que emocionam. Ele tem uma visão introspectiva e profunda sobre moda, sempre baseada em narrativas e sentimentos. Ele possui uma habilidade única para manipular tecidos luxuosos e combinar cores. E suas peças são meticulosamente construídas.
Sua marca fechou em 2020 e ele perdeu o direito sobre seu nome por conta de um imbróglio com a sua ex-parceira de negócios, Anne Chapelle. Em 2023, após uma intensa briga judicial, ele recuperou o direito de usá-lo. Em janeiro de 2023, criou a coleção de alta-costura de Jean Paul Gaultier como convidado – uma das mais elogiadas do formato.
Apesar de ter um estilo diferente do de Tom Ford, o match era considerado perfeito mesmo antes da primeira modelo pisar na passarela. A alfaiataria e a forma como suas roupas desenham o corpo feminino são denominadores comuns do trabalho de ambos.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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E foram exatamente essas duas características que marcaram a estreia de Ackermann nesta temporada de inverno 2025. Na primeira metade do desfile, há toda uma sorte de peças para o dia a dia. Calças retas, blusas de moletom encurtadas, jaquetas de couro, casacos compridos: em cada um deles, a mão do colombiano pode ser percebida pela forma de tratar roupas cotidianas, quase banais. A camiseta branca é estruturada e texturizada, enquanto a jaqueta é fechada com um maxialfinete. A saia de seda ganha um recorte assimétrico no cós, deixando a lateral da barriga nua.
Em entrevista ao The New York Times, Haider Ackermann disse: “Se as pessoas esperam roupas supersensuais, não verão isso. Não estou aqui para continuar um legado baseado só no passado. Não acredito em palavras como glamour ou poder. O poder das mulheres não vem de ombreiras gigantes. O poder delas está no que elas têm dentro, na fragilidade que podem eventualmente querer mostrar”.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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A segunda metade do desfile ilustra bem isso. São vestidos fluidos em tons de branco, amarelo, azul, lavanda e verde. Nas fotos parecem simples. No vídeo, com o caminhar das modelos, é possível ver os decotes nas costas e as fendas generosas nas coxas, algumas chegando até o ossinho do quadril. Um dos modelos é completamente aberto na lateral.
No guarda-roupa proposto para eles, o estilista explora, ainda que sutilmente, o repertório visual de Hollywood antigo, um glamour dos anos 1960 que sempre esteve presente nas coleções de Tom Ford. Ternos coloridos e combinações inusitadas, como o roxo esmaecido e o verde bandeira, reafirmam mais uma vez a maestria de Ackermann para lidar com as cores. A linha masculina é a que mais vende na marca.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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Na mesma entrevista ao jornal nova-iorquino, ele diz estar tentando encontrar o fio condutor entre o que ele e Tom Ford chamam de sensualidade.
Alguns looks sussuram sexo. Nada como o que o fundador da etiqueta fez na metade dos anos 1990 – e nem era bem a ideia. Prova disso é a beleza: quando os lábios são vermelhos ou vinho, o olho é completamente nu. Quando a sombra é colorida de tons sólidos, a boca fica nua. A sensualidade está ali, só não é óbvia em todos os momentos. É mais um jogo de sedução bastante sofisticado.
Foi uma estreia pouco arriscada, mas muito bonita. Perfeita para aumentar as vendas da linha feminina, que atualmente é mais presente no tapete vermelho. E é algo que, em alguma medida, todas as marcas buscam nesta temporada.
Tom Ford, inverno 2025. Foto: Getty Images

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