Prada, inverno 2026 masculino

Miuccia Prada e Raf Simons, codiretores criativos da Prada, apostam em uma silhueta longa e esguia para o inverno 2026 e reforçam a tendência de roupas menos performáticas.


Prada, inverno 2026 masculino.
Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgacão



Os desfiles da Prada são sempre bons indicadores do que deve influenciar a temporada. E o de hoje (18.01), o de inverno 2026 masculino, não foi diferente. Em termos práticos, as grandes aposta são as silhuetas alongadas e próximas ao corpo – sem ser justas – e os ombros reduzidos. Parece pouca coisa, mas não é. É uma mudança bem interessante que já vem sendo ensaiada há algum tempo e reflete transformações importantes na criação e na comunicação de moda.

A coleção é toda sobre camadas. Não exatamente sobreposição de camadas, e, sim, remoção e aproveitamento das que realmente importam.

O convite era um livreto, com uma das páginas feita de recortes retangulares no formato de punhos de camisas. Conforme você virava um desses recortes, revelava uma informação: a data, o assento, o horário. 

Prada, inverno 2026 masculino.

Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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O cenário reproduzia estruturas de uma casa: janelas, portas e lareiras de estilos e épocas diferentes, tudo meio empilhado. A sensação é de uma reforma, em que o processo de destruição e construção revela resquícios do que veio antes, do que estava por baixo.

Nas roupas, esse conceito é traduzido pelo styling e pelos efeitos que simulam amassados, manchas, queimaduras, sujeiras, desgastes. Miuccia Prada adora peças com aparência vivida, usada, cheia de história. É uma característica recorrente no seu trabalho, que ganha ainda mais viés político em meio ao caos do mundo em que estamos vivendo.

Em depoimentos enviados à imprensa, a estilista reitera a importância de conhecer e respeitar o passado na busca por algo novo. É o mesmo ponto de vista – e de partida – das duas coleções anteriores, a de verão 2026 e a de inverno 2025. Sem nenhum demérito aqui.

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Getty Images

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

Com esse pensamento, algumas camisas ganham golas de camisetas ou são tratadas como roupas íntimas ou underwear de décadas atrás. Agasalhos de tricô viram regatas com decotes geométricos. Alguns se assemelham a um avental. Dá para identificar referências aos anos 1970, 50, 30 e 20, porém sempre muito diluídas, meio difusas.

De um modo geral, o principal look do inverno 2026 masculino da Prada é composto de um casaco longo e seco, uma blusa de tricô solta ou uma camisa meio amarrotada, com os punhos virados para cima, e calça de alfaiataria com a barra levemente flare e um pouco empapada. Tem algumas jaquetas bomber, parkas acinturadas e trench coats com uma capa (tipo uma pelerine) esportiva. Mas é aquela outra combinação que causa mais impacto.

Em especial devido à silhueta esguia. Depois de anos de proporções oversized, o corpo (ou pelo menos o desenho dele) volta a ganhar evidência. Nesse processo de lapidação de camadas, é o equivalente a chegar à estrutura de base, ao pilar de sustentação.

Prada, inverno 2026 masculino.

Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Prada, inverno 2026 masculino. Foto: Divulgação

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Isso tem a ver com alguns movimentos bem importantes na moda de agora. Um deles é o da redução de excessos e artificialidades na imagem. A Prada está nessa há mais tempo do que o resto do mercado, mas desde a temporada passada (a de verão 2026) vemos um foco crescente em roupas menos performáticas ou pensadas primordial e exclusivamente para as mídias sociais.

Quando Miuccia e Raf Simons falam sobre redução ao essencial, não se trata de minimalismo, menos é mais, básicos e uniformes. Quer dizer, é um pouco também. A mensagem, no entanto, é mais sobre retomar a essência do design. Do design de moda. É sobre criar roupas que façam sentido, se relacionem e atendam às necessidades e vontades de quem veste.

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