RioFW 2026: Normando
Na Normando, o tempo serve de fio condutor para uma rica lista de inspirações – e os melhores resultados são os resistentes à passagem dele.
Marco Normando e Emídio Contente, a dupla por trás da Normando, mencionaram uma série de referências e inspirações para descrever o desfile da marca na Rio Fashion Week. Eles falaram do estilo art déco tão presente em prédios e monumentos cariocas; das suas estruturas e elementos de bronze oxidado; de um poema de Ferreira Gullar envolvendo uma banana estragada; de uma armadilha de pesca para pegar camarão nos rios amazônicos (o matapi); da cuia indígena e de representações de natureza morta.
Parece muita coisa e é mesmo. Mas existem alguns denominadores comuns: o tempo e sua ação sobre objetos e nossa percepção (o assunto também pautou a apresentação da Aluf). Os tingimentos degradês que abrem a coleção remetem ao crescimento de fungos. Os recortes e aberturas permeados por folhas e raízes de borracha de blazers e calças fazem alusão às rachaduras no concreto tomadas por vegetação.

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite
Leia mais: SPFW N60: Normando
A Normando se firmou como uma etiqueta empenhada em explorar alternativas técnicas e materiais, sobretudo com recursos amazônicos. Marco e Emídio são paraenses e fazem questão de ressaltar suas origens, preferencialmente do jeito menos óbvio e literal possível – embora ambos reconheçam a cobrança por fazer o contrário. Eles seguem firmes nesse fronte, porém menos resistentes a artifícios chamativos (o bustiê com bananas, as peças em formato de plantas e por aí vai). É uma cilada acreditar que a passarela só aceita algo diferente, excepcional, fora do comum. Na maioria das vezes, o simples, objetivo e funcional bem feito impacta e faz mais sentido do que a experimentação pela experimentação. No caso, da marca foi com produtos exatamente assim que ela fez sucesso.
Por mais interessante que seja ouvir os caminhos percorridos pelo casal – suas pesquisas são sempre muito ricas –, é curioso notar como os melhores resultados são os que dispensam maiores explicações. Em outras palavras, são os que carregam a bagagem cultural com leveza e naturalidade. É o vestido-camiseta de látex verde com saia de renda preta, o longo com drapeados assimétricos usado por Daiane Conterato, as camisas brancas invertidas (com a frente nas costas), as saias com costura lateral para fora.

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite

Normando. Foto: Agência Fotosite
Talvez sejam itens que rendam menos cliques ou sejam menos solicitados para aparições em eventos ou tapetes vermelhos (a marca está crescendo bastante nesse segmento). Mas são roupas mais bem resolvidas, conectadas ao que há de mais relevante na moda de agora e alinhadas à proposta inicial da dupla.
Para ler reportagens e séries especiais, assine a ELLE View, a área exclusiva da ELLE para assinantes.



