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Foto: Divulgação
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Em 1961, quando assumiu a direção criativa da Dior, sucedendo Yves Saint Laurent, o estilista Marc Bohan apresentou um desfile que rompeu com os códigos e tradições vigentes. No lugar dos vestidos acinturados e das saias volumosas, ele propôs tailleurs de cortes retos, comprimentos encurtados, já num reflexo das mudanças sócio-culturais que aconteceriam naquela década.

Não estamos vivendo revoluções como as dos anos 1960, mas há um sentimento de transformação no ar graças ao sucesso da vacinação e diminuição dos impactos da pandemia. Tudo isso ajuda a explicar por que Maria Grazia Chiuri, atual diretora de criação da Dior, olhou para o trabalho do colega francês em busca de inspiração para a coleção de verão 2022 – promovendo toda uma ruptura no seu repertório estético.

Concebida pela artista italiana Anna Paparatti, a passarela simulava um tabuleiro de jogos em tamanho real, com cores intensas, palavras e expressões como "stop", "il gioco del nonsene" (o jogo do absurdo) e "le ieu quin'existe pas" (o deus que não existe). Meio palco de show de auditório, o cenário é uma referência às obras da italiana que questionam as regras da vida e da arte, também datadas da década de 1960.

Embalada pelo espírito revolucionário daqueles tempos, Chiuri abre mão dos seus vestidos de conto de fadas para abraçar propostas mais conectadas com algumas ideias de realidade: vestidos evasês de corte simplificado, bodies combinados com minissaias com estampas geométricas, conjuntos esportivos de náilon matelassado e uma versão moderna da sua interpretação sobre o New Look, agora mais estruturado, com saia curta, meio mod – e um dos destaques da coleção.

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Quem acompanha o trabalho da estilista deve lembrar que na coleção de pre-fall 2021 houve um flerte forte com a moda 60's e com referências à pop art. Agora, esses elementos dão as caras de novos em estampas gráficas com animas e cores intensas, como verde, azul, vermelho e amarelo. Os itens esportivos também vinham ganhando mais espaço – basta lembrar do cruise 2022, desfilado em Atenas –, bem como as propostas de alfaiataria, que superaram os vestidos dos sonhos no inverno 2021 de prêt-à-porter e alta-costura.


Sinais dos tempos? Com certeza. Moda tem dessas mesmo, vive em constante evolução e buscando refletir sentimentos e vontades de determinadas épocas e grupos sociais. Depois de meses confinados em casa, dependendo quase que exclusivamente da nossa imaginação para momentos de leveza e alguma alegria, faz sentido buscar prazeres reais e materiais.

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Mais do que isso, porém, fica evidente que a Dior busca conquistar um nicho de mercado mais jovem, dinâmico e conectado com temas e tendências mais quentes do momento. E de uma maneira tão obstinada que clientes mais velhas que não se enxergam ou têm o mínimo interesse nesse jogo talvez se sintam deixada de fora da brincadeira.

Daí a sensação de inconstância na coleção. Enquanto alguns looks se mostram como evoluções bem-vindas de alguns códigos trabalhados por Chiuri desde sua estreia (os terninhos mais acinturados em preto e branco, os vestidos franjados), outros parecem distante demais da imagem que vinha sendo construída.

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