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Prada | Foto: Getty Images
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Em entrevista ao site The Business of Fashion, Miuccia Prada diz não se importar tanto com a história da moda. Ela prefere a das pessoas. Também falou que detesta a palavra sonho. "Se eu tenho um sonho, quero torná-lo realidade, então é um desejo, não um sonho. Sempre achei meio bobo sonhar o impossível. Você sonha algo que quer alcançar", falou ao jornalista Tim Blanks. Quem acompanha o trabalho da estilista não deve ter se surpreendido com a afirmação. Sua visão e abordagem sobre moda não é fantasiosa, é pragmática. Suas coleções são sempre desdobramentos ou reações a acontecimentos socioculturais. No inverno 2022 não é diferente.

No mês passado, durante a temporada de desfiles masculinos, Miuccia e o codiretor de criação Raf Simons apresentaram uma espécie de estudo sobre roupas de trabalho. A ideia era ilustrar como as vestimentas de determinada profissão funcionam como demarcador social. Agora, no feminino, a dupla explora como as tradições servem como condutores culturais entre as gerações. "Tradição é sobre humanidade – conexões entre pessoas, transmissão de conhecimento. Uma história humana. Essas ideias nos interessaram — ver como e por que as coisas foram criadas de certas maneiras. Mas há apenas um rastro, uma memória", disse ela, em um comunicado à imprensa.

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Prada, inverno 2022. Prada, inverno 2022.Foto: Getty Images

No caso, essas memórias são da própria marca. Desde que Raf se juntou a Miuccia o duo vem revisitando alguns conceitos, elementos e looks essenciais do tal DNA Prada. Agora, esse processo chega intensificado e ainda mais evidente. Em continuidade às silhuetas e proporções do masculino, o feminino chega focado na alfaiataria. Com ombros marcados, proporções exageradas e corte quadrado, jaquetas e alguns vestidos lembram looks do verão 1992 e, mais recentemente, do inverno 2010. As saias rodadas com suéter com decote V ou blazer idem – além de serem o uniforme da estilista, estão presente desde a estreia da marca nas passarelas, em 1988.

As estampas geométricas são uma releitura ampliada do motivo que fez sucesso no verão 1996 (a coleção que cunhou o termo ugly chic). As penas, os tecidos franzidos, o degradê e o mix de texturas, agora trabalhados em saias transparentes com justaposições de materiais diferentes, são uma releitura leve do inverno 2007. As flores, a lingerie e a regata canelada branca (que já promete ser um hit da temporada) se conectam ao legado minimalista pelo qual a Prada ficou famosa.

Assim como na coleção, o casting também tinha rostos facilmente reconhecíveis. Kaia Gerber, Amanda Murphy, Elise Crombez, Julia Nobis, Arizona Muse, Liya Kebede, Erin O'Connor, Mica Argaranaz e, pela primeira vez na marca, Kendall Jenner e Hunter Schafer. É aquela coisa, quando algo não vai bem, costumamos olhar para o passado, para o que já conhecemos e sabemos ser seguro, prático e confortável. E convenhamos, o mundo não anda nada bem.

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Prada, inverno 2022. Prada, inverno 2022.Foto: Getty Images

É um tanto óbvio dizer que roupas cumprem funções bastante básicas em nossas vidas. Na essência, é a cobertura do corpo. Numa visão um pouco mais elaborada, é como nos apresentamos para o mundo, como comunicamos ou escondemos partes de nossas identidades. É uma representação, uma construção, uma ferramenta de linguagem. Dito isso, a moda pode ser entendida de várias maneiras: como uma documentação ou registro de determinadas realidades e contextos ou como um escape, uma fantasia.

De um lado, temos aquelas peças que funcionam em qualquer situação, que você sabe que vai usar até enjoar e, ainda assim, usar mais um tanto depois de um tempo. Tipo o que vimos na Prada. Do outro, temos aqueles itens mais pensados para um clique para as redes sociais ou até mesmo só para passarelas e editoriais de moda. Com boa parte do faturamento correspondente aos acessórios e artigos de couro e pele, o prêt-à-porter da Fendi sempre tendeu mais para o lado imagético. E com Karl Lagerfeld na direção criativa essa lógica deu muito certo.

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Fendi, inverno 2022. Fendi, inverno 2022.Foto: Divulgação

Acontece que o tempo passou e o que fazia sentido lá atrás, já não tem o mesmo impacto hoje. Com a morte do estilista, em 2019, e a chegada de Kim Jones no seu lugar, as coisas começaram a mudar. Entre as incumbências do estilista britânico está o fortalecimento e expansão da linha de ready-to-wear. O inverno 2022 é uma de suas coleções mais bem-sucedidas nesse sentido.

Como na Prada, aqui o olhar para o passado também é o ponto de partida. Kim começa sua pesquisa com uma blusa do verão de 1986, roubada por Delfina Delettrez do guarda-roupa de sua mãe, Silvia Venturini Fendi. Naquela coleção, Karl Lagerfeld fez uma imersão nas cores intensas e formas geométricas do Memphis Group, movimento artístico e de design pelo qual estava obcecado. De lá, saem as estampas de bolas, zigue-zague e xadrez, agora atualizadas em tons esmaecidos (a cartela de cores é um destaque à parte).

Fendi, inverno 2022. Fendi, inverno 2022.Foto: Divulgação

Outro ponto em comum entre as duas marcas são as transparências e o jogo entre tecidos de pesos e opacidades diferentes. Vide os vários vestidos, saias e blusas de seda transparente, decorados com babados, e combinados a peças de alfaiataria (provavelmente os melhores casacos que você verá nesta temporada). E é aqui que o trabalho de Jones começa a dar bons frutos. Nesse jogo entre delicadeza e austeridade, o estilista consegue combinar elementos essenciais da Fendi com traços característicos do seu próprio estilo. É reverencial sem parecer retrô ou limitado, é atual sem se render ao estilo preguiçoso e oportunista das peças feitas para brilharem apenas no Instagram. São roupas de verdade, para mulheres que existem além dos feeds.

Emporio Armani, inverno 2022. Emporio Armani, inverno 2022.Foto: Divulgação

“Não é simplesmente sobre estar arrumado, mas também sobre tomar cuidado com o que usamos”, diz Giorgio Armani, em nota sobre a mais recente coleção da Emporio Armani. Para isso, no começo do desfile, ele aposta em uma alfaiataria mais ampla e sóbria com toques de tons vibrantes. Os casacos importantes, já uma peça que se destaca nesta temporada italiana, roubam a cena: tem desde sobretudos de lã até casaquetos de pele falsa. Do meio para o fim, a coleção ganha mais cor, com mix de tons vibrantes e looks monocromáticos. Apesar do apelo da roupa para o dia a dia, a marca também apresentou vestidos curtos de festa, inclusive combinados a blazers sequinhos, e longos brilhantes.

Diesel, inverno 2022. Diesel, inverno 2022.Foto: Divulgação

No primeiro desfile presencial do diretor de criação Glenn Martens (fundador da Y/Project) para Diesel, os anos 2000 voltam a dar o tom. Eles aparecem nas peças de cintura baixa, nas minissaias e até naquele maxicinto que ninguém sabe bem se é um acessório ou uma peça de roupa. O conjunto de jeans com jeans, um hit daquela época, também marca presença. Aliás, há uma extensa pesquisa com denim, com trabalhos de superfície que transformam o material em casacos, vestidos e blusas felpudas, além de ganhar vários tipos de lavagem e beneficiamento. E tem para todo mundo, para jovem adolescente que não viveu a virada do milênio, para a viciada em seduzir (com muito cropped, top de alcinha, comprimento curtíssimos e vestidos soltinhos) e até as insiders das modas, amantes de uma inovação têxtil (os casacos de jeans desfiado, meio felpudo são para vocês) e de um bom visual de impacto.

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