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Kenzo Takada, Paris e Supermodels

Neste Pivô, contamos a história de Kenzo Takada, um dos principais nomes a consolidar a moda japonesa no mundo, além de entusiasta da roupa como uma forma de diversão.

  • No dia 4 de outubro faleceu, em decorrência de complicações da Covid-19, Kenzo Takada, na cidade de Paris;
  • O estilista, fundador da marca homônima, virou um dos principais nomes da moda japonesa no mundo, além de grande entusiasta da roupa como uma forma de diversão;
  • E ainda: os highlights da semana de moda de Paris; o desenvolvimento de um couro à base de fungos; Kerby Jean-Raymond na Reebok e Glenn Martens na Diesel; além da série documental sobre Cindy Crawford, Christy Turlington, Linda Evangelista e Naomi Campbell!
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No dia 4 de outubro, morreu aos 81 anos, na cidade de Paris, em decorrência de complicações da Covid-19, o estilista Kenzo Takada. De acordo com um porta-voz do designer, ele estava internado no American Hospital, na capital francesa, nas últimas semanas, mas não resistiu.

Neste Pivô, contamos a história desse designer que foi um dos principais nomes a consolidar a moda japonesa no mundo, além de acreditar na potência de uma moda que se leva muito menos a sério.

É segunda-feira, a gente sabe, as coisas não costumam facilitar nesse dia. Mas tenta aí, vai! Abre um sorriso! Ninguém tá vendo, nem a gente. Mas faça esse favor, para você mesmo, dê um sorriso.

Estranhou a nossa abertura de hoje? Bem, existe um porquê. Esse ato tão simples é uma característica fundamental para compreender não só a personalidade de Kenzo Takada, como também entender uma das maiores contribuições que ele trouxe para a moda. A ideia de que ela pode ser menos carrancuda, pode se levar um pouco menos a sério.

Essa indústria realmente não tem boa fama, né. A maioria tem aquela imagem negativa, seja pelo rosto fechado da modelo, o nariz empinado da editora, o estilista que não dá entrevista… Mas Kenzo Takada decidiu acreditar em um outro tipo de moda possível.

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Basta jogar o nome do designer no Google e você vai ver em seus retratos: o sorriso é uma unanimidade. Na marca homônima, o legado também é marcado pela diversão, como o uso de cores em cima de cores, print sobre print, desfiles que pareciam shows, com direito a tenda de circo, ou modelos bem livres, que as vezes pareciam mais dançar do que desfilar. A diversão com a moda era tamanha, que não havia também receio de misturar culturas, sincretizar aparências, num resultado sempre respeitoso, enriquecedor. Ele decidiu ir pelo caminho oposto ao que os contemporâneos franceses, todos glamourosos, criavam. E, não à toa, deixou para a história frases como "a moda não é para poucos, é para todos", ou que "se vestir é como comer, você não deve ficar preso a um só menu".

Nascido em 1939, na cidade de Himeji, no Japão, Kenzo era filho de hoteleiros e percebeu a sua fascinação por design ao folhear, ainda novo, as revistas de moda das irmãs. Ele chegou a estudar literatura na Kobe University, para satisfazer o gosto dos pais que não curtiam nada a ideia de uma carreira de estilista. Mas, pouco tempo depois, ele já vinha a se tornar um dos primeiros alunos homens da Bunka Fashion College, em Tóquio.

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Na década de 1960, Kenzo chegou a ganhar um prêmio Soen, concedido por uma tradicional revista de moda japonesa, mas o seu trabalho como designer se mantinha restrito a desenhar roupas femininas para uma loja de departamento. Em 1964, porém, um evento mudou a sua vida para sempre.

Para a realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio, o prédio em que Kenzo morava precisou ser demolido. Com o dinheiro da indenização, ele não pensou duas vezes: foi para Paris. Bem, tecnicamente não direto. A viagem, feita de barco, parou em Singapura, Índia, Espanha até chegar à capital francesa. Mas uma vez por lá, não hesitou em ficar. O que deveriam ser poucos meses acabou se transformando em meio século, de uma relação recíproca, na qual a cidade o influenciava, enquanto ele também influenciava a cidade.

Na década de 70, Kenzo abriu a sua primeira loja. A butique, inteira colorida, ganhou o título de Jungle Jap. Anos depois, ele mudou o nome do negócio para o seu próprio. Nascia, assim, a Kenzo.

Na sua cabeça não havia vontade alguma de copiar os franceses, o desejo mesmo era o de ter um trabalho algo próprio, autoral, que ele começou a fazer explorando tecidos encontrados em brechós, em feiras de rua, em arquivos que tinha de quimonos. Todos os panos eram reunidos em um mix de estampas e de cores que só ele podia conduzir. Não demorou muito para que fosse convidado a estampar a capa de uma grande revista com um look seu. Sabe qual? A ELLE francesa. E daí em diante foi só crescimento. Em 1983 Kenzo ampliou a grife para atender também moda masculina, em 1986 expandiu com uma linha de jeans e em 1988 inaugurou o seu braço de perfumes, o que viria a se tornar um dos mais fortes da Kenzo até hoje.

No começo da década de 90, porém, o estilista desacelerou, após a morte de seu parceiro de vida e depois do adoecimento de seu sócio. Kenzo, então, vendeu a própria grife ao grupo LVMH, permaneceu como o estilista principal até o final da década, mas na virada do milênio se aposentou de vez da moda.

De toda maneira, ele nunca parou. Seguiu trabalhando até muito recentemente, desenvolvendo principalmente produtos de design para casa. A etiqueta Kenzo também continuou, principalmente sob a direção dos designers Humberto Leon e Carol Lim, fundadores da Opening Ceremony, além de grandes responsáveis em manter o espírito vibrante da Kenzo de 2011 a 2019 e dar fôlego novo a marca, de tal maneira que até hoje ela é reconhecida como um símbolo de juventude. Foram eles também os responsáveis por colocar a Kenzo como uma das pioneiras nas experimentações tecnológicas, digitais, sem nunca deixar de lado o seu passado jungle pop, selvagem e divertido, reforçando o tigre colorido como o principal logo da casa.

Após a morte de Kenzo, ambos publicaram um texto no portal The Business of Fashion.

"Palavras como pioneirismo não eram o tipo de coisa que ele pensava quando produzia. Ele apenas fazia o que amava fazer, se divertia em Paris. Mas ele foi sim o primeiro designer asiático a criar uma casa de moda na capital francesa, além de toda uma linguagem nova por meio dela. Kenzo abriu as portas para designers asiáticos como nós, especialmente na Europa, um território que historicamente é de homens e mulheres brancos. Ele mostrou que há lugar para nós, além do papel secundário. Nós também podemos liderar uma grande casa."

Desde a metade do ano passado, a direção criativa da marca passou para as mãos do estilista português Felipe Oliveira Baptista, que também se pronunciou após o anúncio do falecimento de Kenzo. Chamando o estilista de mestre, Baptista disse que o seu sorriso era realmente contagiante e que seu espírito viverá para sempre. No instagram oficial da marca a homenagem ao fundador foi a seguinte: "ao longo de meio século, Takada foi uma personalidade emblemática na moda trazendo criatividade e cor ao mundo. Hoje, o seu otimismo, apreço pela vida e generosidade continuam sendo os pilares desta maison. Ele fará falta e para sempre será lembrado".

E antes da gente aterrissar completamente na capital francesa, para terminar o nosso review das principais semanas de moda internacional, nós vamos falar de só mais uma coleção norte-americana, que foi apresentada na semana passada. Trata-se do verão 2021 de Christopher John Rogers, um dos maiores destaques entre os estilista da nova geração, que inclusive ganhou recentemente um CFDA e vestiu ninguém menos que a Zendaya, a vencedora do prêmio de melhor atriz dramática no último Emmy, que rolou no final de setembro. Você deve ter visto ela em seu feed com um look de saia à la Purple Rain, num oitentismo bem chique.

A gente usa muito uma expressão aqui na ELLE que é dar o nome, quando se faz sucesso. E, assim, com certeza Christopher John Rogers vem dando o nome em sua marca, que já tem quatro anos, e se firma ainda mais no mercado com essa última coleção. Formado em artes plásticas, o designer mostrou que curte mesmo trabalhar com cores, e é por meio delas que ele muitas vezes encontra as formas da roupa.

Pontinhos de arco-íris decoram uma base preta, linhas de tons primários acentuam o cós de uma calça, pinceladas de neon salientam o saiote de babado. Ele tem mão boa para focar em um culote aqui, um ombro ali, uma verve que não passa despercebida e é muito bem humorada. Não à toa a musa Tracee Ellis Ross é uma das maiores entusiastas da grife. O ponto positivo dessa estação é que o seu glamour agora encontra também momentos mais coesos, reduzidos, prontinhos para a realidade da rua e não só para a opulência do tapete vermelho.

Foi na loja de departamentos La Samaritaine, prédio que existe desde o século 19 e é de propriedade do grupo LVMH, que a Louis Vuitton realizou a sua apresentação híbrida. O espaço esteve fechado para reforma durante quinze anos, deveria ser reaberto no começo de 2020, mas teve a data adiada para o começo do ano que vem. Por enquanto, o espaço teve as suas paredes pintadas de verde para funcionarem como um chroma key e ambientarem o verão 2021 de Nicholas Ghesquière. Quem assistiu online viu as modelos passarem em frente a imagens do clássico Asas do Desejo, de Wim Wenders. Escolha que transformou a experiência igualmente exclusiva e especial para quem só pode acompanhar virtualmente.

Nas roupas, o estilista segue com o espírito dos anos 80, que cada vez mais faz parte do repertório do designer e que é menos um tique datado de silhueta e mais uma queda pela ousadia, pitadas de exagero e desejos de futuro que a época ecoava. Estampas localizadas super coloridas, calças largonas e casacos agigantados foram as escolhas do designer que, nesta estação, também quis falar da neutralidade de códigos encontrados tanto nas vestimentas masculinas e quanto nas femininas.

E na Givenchy rolou estreia. Como a gente já havia falado no episódio #5 do Pivô, o estilista Matthew M. Williams foi nomeado em junho o novo diretor criativo da maison francesa. A escolha para a sua primeira apresentação foi inteiramente digital, com a produção de um lookbook. Ao The New York Times ele explicou que "não pareceu o tempo correto para fazer um desfile por muitas razões, incluindo o fato de que que não poderia estar nem com os meus amigos e familiares neste momento, uma vez que pessoas dos Estados Unidos e de grande parte da Ásia não poderiam estar presentes. Me pareceu melhor uma abordagem mais modesta". Nos looks, porém, não foi assim tão comedido.

Acenos mais literais ao arquivo da marca apareceram nos cortes angulosos, as linhas geométricas e a busca de uma modelagem arquitetônica. Sai a sensibilidade romântica de Clare Waight Keller e entra o look noite, com modernismos que às vezes funciona bem, em outros momentos precisam ser bastante mais elaborados, mas de forma geral reverberam o jeito pop desse criativo que tem o histórico marcado pelo entretenimento, os shows e as parcerias com estrelas como Lady Gaga e Kanye West

A Miu Miu decidiu falar como a pandemia afetou principalmente os mais novos, que largaram escola, ginásios de esporte, encontros físicos com amigos e tiveram uma juventude, no mínimo, única. Na marca mais jovem do grupo Prada, essa reflexão apareceu com referências ao uniforme escolar, roupinhas retrô para práticas esportivas e toques contemporâneos da casa, como as chuteiras com salto alto e as minissaias trabalhadas. A imagem, segundo Vanessa Friedman pareceu "algo como se Maria Antonieta quisesse jogar basquete e chamasse Roy Lichtenstein para fazer os uniformes do jogo". Mas um dos grandes acontecimentos foi Lila Moss, que aos seus 18 anos abriu o desfile. Lila, como o nome dá pra pegar, é a filha do ícone noventinha Kate Moss.

As ruas vazias da Cidade Luz, durante a madrugada, foram o cenário para a apresentação da Balenciaga, em um filminho com jeito de clipe, dirigido por Walter Stern, ao som de um remix da música dos anos 1980, Sunglasses at Night, de Corey Hart. O curta de nove minutos mostra a coleção de pré-verão 2021 da grife, que agora segue um formato próprio e novo de calendário: Demna Gvasalia, diretor criativo da casa deve fazer a partir de agora apenas uma apresentação presencial por ano, uma coleção de alta-costura tanto para mulheres quanto para homens. As entradas principais de verão e de inverno, além de pré-temporadas (como essa lançada agora) serão trabalhadas ao longo de cada ano, não necessariamente batendo com o calendário tradicional de moda. Essa é uma tentativa de colocar essas coleções de entressafra, que geralmente duram mais tempo nas lojas, em destaque.

E nas roupas desta apresentação é possível ver um pouco de reflexão ou ressaca de quarentena, contando com uma mistura de pijama, roupa íntima, e peças noturnas. Tudo, inclusive, tá adaptado para noite, como o chinelão felpudo que ganha um salto e vira tamanco. Destaque para o bom balanço entre streetwear, esporte e alfaiataria, fazendo ser possível identificar várias personagens, como aquele que acaba de chegar do trabalho, o que vai tomar um drink, quem vai passar na casa da amiga, ou quem decidiu no meio da noite partir para a balada. Inclusive, é difícil assistir ao vídeo e não ficar com saudade de bater um saltinho na pista.

Trata-se de uma imagem desconcertantemente banal, como é típico do estilista, mas com uma inteligência e ironia que paira sobre cada peça aparentemente despretensiosa. Um exemplo disso é o conjunto de moletom com a frase Paris Fashion Week, estampada na frente da blusa de capuz. Quem diria que um dia veria este nome estampando um conjuntinho tão ordinário? Com Gvasalia isso é possível. E a escolha de tecidos aparentemente menos luxuosos tem uma boa razão: segundo a marca, mais de 90 % dos tecidos usados são mais sustentáveis ou inteiramente reciclados

A Chanel, por sua vez, decidiu homenagear o cinema, um dos setores mais afetados pela pandemia. As musas das telonas, como Anna Karina, Romy Schneider e Jeanne Moreau foram abertamente citadas como inspiração em um filminho produzido pela dupla de fotógrafos Inez and Vindooh, que antecedeu a apresentação.

A maison, famosa pelos cenários escalafobéticos dentro do Grand Palais, em Paris, dessa vez decidiu replicar o famoso letreiro "Hollywood", de Los Angeles, com o nome da casa. A escolha, apesar de ter uma aparência menos exagerada do que costuma ter, ainda assim foi questionada por alguns críticos que queriam entender a decisão da grife de seguir com a opulência em tempos de novo coronavírus.

Mas há de se pontuar o esforço de Virginie Viard em trazer mais objetividade às peças e edição aos looks, numa coleção que bebe menos do glamour da referência, do que da magia que a sétima arte proporciona. E o resultado é a imagem mais jovial, alcançando garotas que curtam a casa e não pareçam pesadas com os signos da marca.

Já a Margiela apresentou um segundo vídeo em colaboração com Nick Knight. A peça, entre um documentário e uma ficção fantasiosa, tem 44 minutos e segue como uma continuação do longa produzido para a coleção Artisanal, a alta-costura da casa, apresentada no final de julho. O filme, inclusive, recebeu também o título Swalk, acrônimo de Sealed With a Loving Kiss, mas, agora, versão 2. Dessa vez, a história parte de uma memória do estilista John Galliano, mais precisamente de quando o britânico esteve na cidade de Buenos Aires e assistiu a um tango. Ou seja, a declaração de amor ao ateliê agora é ainda mais apaixonada que o primeiro filme, às vezes mais sexy e carnal, em outros momentos tenebrosa ou áurea. Em resumo, de um jeito mais intenso. Os looks seguem a reconstrução de ternos e o efeito de pano molhado, feito a partir da técnica de drapeados produzidos sobre o corpo, para chegar à aparência de uma estátua em mármore detalhadamente esculpida. O resultado é de uma sensibilidade que atravessa o formato do vídeo, da mesma maneira que a arte parece interferir na produção de roupas da casa.

E os esforços por uma moda mais sustentável tiveram um impulso importante este mês. Na semana passada, a empresa de biotecnologia Bolt Threads anunciou que um consórcio de marcas vai desenvolver produtos utilizando o couro feito de fungos, criado pela companhia. E não é qualquer marca, não. O consórcio reúne Adidas, Stella McCartney, lululemon e o grupo Kering, a holding de luxo que detém grifes como Gucci, Saint Laurent, Balenciaga e Bottega Veneta, entre outras.

Batizado de Mylo, o material, de acordo com o fabricante, não tem só aparência de couro, mas também textura e resistência semelhante à matéria prima de origem animal, sem aquele toque frio, de plástico, do couro sintético. Só não dá para dizer que ele é 100% de origem vegetal porque, como a gente aprendeu na escola, os fungos não são vegetais nem animais e muito menos minerais. Eles compõem um reino à parte na natureza.

Para produzir o Mylo, a Bolt Threads utiliza o micélio, que é um emaranhado de filamentos muito fininhos, que se formam sob o fungo e se embrenham no solo ou em outros substratos. O cogumelo que a gente come seria, por assim dizer, o fruto do micélio.

A empresa cultiva o micélio em fazendas verticais, cobertas. Os esporos de fungo são espalhados sobre serragem e outros materiais orgânicos, crescem e viram uma espécie de manta, com uma textura meio fofinha, como se fosse um grande saco de marshmallows esmagados, segundo a definição da empresa. Essa manta é processada e, depois, tingida.

As mantas de micélio demoram menos de duas semanas para crescer e, portanto, consomem muito menos água e outros recursos em sua produção, se comparados à criação de gado ou mesmo às plantações de algodão.

A designer Stella McCartney diz que mal pode esperar para os produtos feitas com Mylo chegarem ao mercado e declarou, no comunicado distribuído à imprensa: "muitas pessoas associam o couro ao luxo, mas desde o começo eu quis abordar as coisas de uma maneira diferente, porque matar animais pelo bem da moda simplesmente não é aceitável".

Stella já trabalhou com a Bolt Threads anteriormente: em 2017, ela criou um vestido feito com o fio de seda vegano desenvolvido pela empresa, elaborado a partir de leveduras, açúcar e água. A peça foi exposta no MoMa, o museu de arte moderna de Nova York, mas não chegou a ser comercializada. Já as peças feitas com o couro de fungos não vão demorar para chegar às lojas: devem começar a ser vendidas a partir de 2021.

Para o Chairman e CEO da Kering, François-Henri Pinault, inovação é a chave para tentar resolver os desafios ambientais que a indústria da moda enfrenta. Segundo o executivo, o couro feito de fungo é uma das soluções mais promissoras que eles já identificaram.

A presença da Kering e de Stella McCartney no mesmo consórcio, por sinal, mostra que para achar um caminho mais sustentável a moda vai ter que unir forças. Stella McCartney, pra quem não se lembra, já foi da Kering, mas, no ano passado, se fundiu à arquirrival do grupo, a LVMH.

Como declarou o VP de estratégia global da Adidas, James Carnes: "nós esperamos que isso inspire outros a juntarem forças, porque um futuro mais sustentável é algo que nenhuma marca pode criar sozinha".

E se 2020 é um ano que não vai deixar muita saudades, pelo menos para Kerby Jean-Raymond ele está rendendo. O fundador da Pyer Moss é agora o novo Vice-presidente de Direção Criativa da Reebok.

O anúncio da contratação veio pouco depois de Kerby ter sido eleito o melhor estilista de moda masculina do ano pelo CFDA. Sem contar que, no início de setembro, o designer já tinha sido notícia ao anunciar o projeto Your Friends In New York. Feito em parceria com a gigante do luxo Kering, o projeto é dedicado a capacitar novos criadores e engloba uma plataforma online, que vai misturar moda, música e arte, além de eventos e atividades filantrópicas.

Em seu perfil no Instagram, Kerby revelou que sempre teve vontade de trabalhar para Reebok. Uma tradução livre do post do estilista: "Toda vez que um entrevistador me perguntava onde mais eu gostaria de ser diretor criativo, eu nunca dizia, mas sempre tive uma marca de calçados em mente. Tem que sacudir um pouco a bagaça, sabe? Obrigada, Reebok. Eu não tenho um emprego há 9 anos, então, por favor, me arranje uma marmita".

É muito bacana ver essa ascensão de Kerby Jean, que sempre se posicionou de maneira firme na luta anti-racista e tem uma história de vida bastante difícil. Filho de imigrantes haitianos, ele decidiu que queria ser estilista aos 12 anos, trabalha desde os 13 e comeu muita poeira até ser alçado à fama em 2013, quando Rihanna foi fotografada usando uma peça criada por ele. No nosso site, você encontra uma reportagem bem completa sobre a trajetória do designer, escrita pela Lelê Santhana. Procure por "Kerby Jean-Raymond, o escolhido para transformar a Reebok".

E outro anúncio que fez barulho na semana passada foi a nomeação do designer belga Glenn Martens como diretor criativo da Diesel. Martens, que é o nome à frente da grife francesa Y/Project, já havia feito uma coleção cápsula para Diesel há dois anos, no projeto Red Tag. Agora, no novo cargo, ele vai cuidar não só das coleções da marca, mas também da parte de comunicação e design de interiores da Diesel.

A entrada do estilista na Diesel tem um peso maior quando a gente relembra que a grife nunca teve um diretor criativo antes. A marca, fundada pelo italiano Renzo Rosso há 42 anos, só foi ter um diretor artístico em 2013, com a contratação de Nichola Formichetti. Desde a saída de Formichetti, em 2017, a Diesel vinha trabalhando com parcerias pontuais com estilistas e procurando caminhos para alcançar novamente a projeção que tinha no final dos anos 90 e início dos anos 2000, quando era uma das grifes mais cool do mundo.

E se o objetivo é inovar a marca, a escolha de Glenn Martens parece mais do que acertada.

O belga, que começou a carreira no ateliê de Jean Paul Gaultier, é um designers que mais vem inventando moda quando se trata de jeans. No ano passado, na coleção de primavera da Y/Project, ele lançou as polêmicas "janties", uma espécie de calcinha de denim de cintura alta. As calças jeans da marca francesa também não têm nada de convencionais: exibem cós duplos ou com cavas em V, formas volumosas ou recortes inusitados. Mesmo na Diesel, Martens vai continuar seu trabalho na Y/Project.

Quando a gente toca Freedom 90 do George Michael a gente vai falar de quem? Pois é, não dá para ouvir essa música e não lembrar das quatro supermodels do anos 90 no desfile de Gianni Versace, no inverno de 91. Dessa vez, a notícia sobre Cindy Crawford, Christy Turlington, Linda Evangelista e Naomi Campbell é que a Apple TV vai produzir uma série documental sobre essas modelos icônicas.

E promete ser uma bela de uma produção, porque o time por trás das câmeras também é gigante. A direção está a cargo de Barbara Kopple, que já dirigiu mais de 30 documentários, dois deles ganhadores de Oscar, o Harlan County USA, de 1976 e o American Dream, de 1990. Os produtores-executivos são Brian Grazer and Ron Howard, da produtora Imagine, responsável por vários sucessos do cinema, como Uma mente brilhante, O código da Vinci e, mais recentemente, o documentário sobre Luciano Pavarotti.

As quatro amigas se mostraram muito animadas e todas postaram a novidade em seus perfis no Instagram. Christy Turlington disse que está ansiosa pra relembrar esse período único na moda. Cindy que celebrar e analisar a maneira como as supermodels transcenderam e percepção tradicional e os limites da profissão na indústria da moda através dos tempos. Já Naomi Campbell e Linda Evangelista esperam que a história delas inspira outras mulheres pelo mundo. Segundo Linda: "eu adoraria que as pessoas vissem isso não apenas como a celebração de nossas histórias individuais, mas também como do poder da amizade, dos sonhos e da perseverança".

A série ainda não tem data de estreia definida e não foram liberadas outras informações sobre a produção, mas pode deixar que quando for rolar a gente solta a vinheta do George Michael e avisa você.

E hoje a dica é minha [Gabriel Monteiro]! Como neste 12 de outubro eu fico mais velho, ganhei o presente de escolher uma música! E ela deve servir aí como uma boa sugestão para sua semana. Quem me deu o toque sobre essa artista foi a Vivian Whiteman, editora especial de moda da ELLE, e que me conhece como ninguém: ela mandou um hit da Tiana Major 9 em uma madrugada, porque sabe o que eu curto ouvir e tá ligada que eu não durmo cedo. A Tiana é uma garota londrina, de família jamaicana, que tem contrato assinado com a Motown, já colaborou com o rapper Stormzy e só cresce. Ela passeia entre o Reggae, o R&B, o Jazz, o Soul, de tal maneira que tem uma galera comparando a sua voz com Lauryn Hill, Amy Winehouse — curiosamente as minhas preferidas. Então fique aí com um single de Tiana, o Think About You, que é perfeito pra ouvir nesse feriadão.

Lembrando que se você quiser sugerir, perguntar, conversar com a gente… Enfim, participar do próximo episódio do Pivô, basta entrar em contato por uma das redes sociais da ELLE Brasil ou pelo nosso grupo do Facebook, o ELLE, O Grupo.

Este episódio usou trechos das músicas Think About You, de Tiana Major9, Meat Free Monday, de Paul McCartney; Sue Me, de Wale; Freedom 90, de George Michael, além de trechos dos desfiles de verão 2021 da Louis Vuitton e do pré-verão 2021 da Balenciaga.

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