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Podcast

Mais desfiles em Paris e o mercado pós-pandemia

Neste episódio, você vai saber o que rolou nos desfiles da Chanel, da Dior e da Louis Vuitton e também ficar por dentro das perspectivas do mercado de moda um ano após o início da pandemia de Covid-19.

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E as semanas internacionais chegaram ao fim. Como você vem acompanhando por aqui os desfiles de ready-to-wear, inverno 2021 das grifes, começaram lá em Nova York, no dia 14 de fevereiro e terminaram semana passada, dia 10, em Paris.

Sendo assim, nos faltou comentar as apresentações de algumas marcas da semana de moda francesa. A começar por Chanel…

Nada de Grand Palais nesta temporada. O edifício que é sempre palco das apresentações da Maison está fechado para reformas até 2024. No lugar dele, a estilista Virginie Viard, diretora criativa da Chanel, optou por um outro ponto simbólico de Paris: o Chez Castel, boate frequentada por estrelas durante os anos 70, como a modelo e artista Grace Jones.

Ao som de "Do You Know Where You Going To", de Diana Ross, que você acabou de ouvir, as modelos andam pelos corredores estreitos e pela pista do clube francês. Há muita roupa escura e peças que esbanjam conforto, como se viu bastante nos desfiles desta temporada, mas aqui também com desejo por noite, por voltar a andar por estes espaços fechados pela pandemia, com detalhes cheios de glamour: foco nas botas e acessórios peludos, além dos detalhes de brilho e as cores sintéticas do lamê.

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Já Maria Grazia Chiuri, na Dior, escolheu a Sala de Espelhos de Versalhes para a sua apresentação. O espaço que por essência já evoca esse olhar para si mesmo, passou por uma interferência da artista Silvia Giambroni. Convidada pela estilista, a artista passou cera nos espelhos e os cobriu com espinhos para ajudar Chiuri a falar como anda a nossa relação com a autoimagem hoje.

Outras referências também vieram da biblioteca de contos de fadas da diretora italiana. E o resultado foi esta coleção chamada de Disturbing Beauty, ou Beleza perturbadora. Tanto nos looks, quanto no clima em geral, este olhar pra dentro, através dos espelhos espinhosos não parece positivo, na real, sugere algo bastante melancólico: em um clima sombrio, as modelos atravessaram o salão vestindo roupas escuras, tons densos de azul e vermelho, e com seus olhos pretos profundamente esfumados.

E Nicholas Ghesquière, por sua vez, invadiu o Louvre com a sua coleção de inverno 2021 da Louis Vuitton. Invadiu, porque a sala, toda recheada por estátuas gregas e etruscas, foi arrebatada pelo som sintético de Around The World, do Daft Punk, e por modelos bem afrontosas, meio rebeldes.

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Cathy Horyn, crítica do The Cut, chamou a coleção de uma explosão de criatividade que muito provavelmente esteve reprimida dentro do estilista ao longo da pandemia. E, de fato, foi uma série de referências jogadas no liquidificador, reunindo no mesmo look mitologia com futurismo, mundo gamer e arquitetura. A coleção meio pop-art encerrou as semanas de moda, no dia 10 e desenhou bem essa série de desejos sobrepostos que nós temos em meio a reclusão.

Como está o mercado de moda um ano depois da pandemia de Covid-19?  

Um ano após a Organização Mundial da Saúde decretar a pandemia de Covid-19 no mundo, alguns países já começam a ver uma luz no fim do túnel.

No dia 9 de março, o grupo italiano Pitti Immagine anunciou um retorno presencial de seus eventos em junho. O primeiro deles será a famosa semana de moda masculina, a Pitti Immagine Uomo, na Itália, programada para acontecer entre os dias 15 e 17 de junho. Depois dela, serão as vezes dos eventos focados em marcas infantis e de fragrâncias.

A Pitti Immagine também funciona como uma feira comercial, mas como a maioria das semanas de moda do mundo precisou se adaptar ao formato digital desde o ano passado, em função das restrições causadas pela pandemia. Segundo o presidente executivo, Raffaello Napoleone: "o retorno cauteloso às feiras presenciais será feito com consciência de que todos terão que acompanhar atentamente a evolução da situação da saúde".

E esse é mais ou menos o panorama atual: onde a programação de imunização tem rolado bem, há mais otimismo do mercado. A indústria não só vê a possibilidade de eventos presenciais retornarem em breve como também uma melhora nos registros econômicos das marcas destes países.

Outra grife italiana, a Ferragamo, por exemplo, sinalizou uma alta econômica no início de 2021, após as perdas sucessivas de 2020. A alemã Hugo Boss prevê uma recuperação gradual ainda no final do primeiro semestre de 2021.

China e Coreia do Sul têm sido os pontos de recuperação para Burberry, Hermès e Moncler e, graças ao aumento de vendas na Ásia, o grupo Prada também relatou recuperação em seus lucros operacionais no segundo semestre de 2020.

Estes dados são reforçados pelas projeções do Instituto Global McKinsey que, na última semana, avaliou como a indústria passa a ficar mais esperançosa com os avanços dos programas de vacinação em algumas regiões do mundo.

De acordo com a organização, são três pontos chave para que a crise sanitária não arraste ainda mais uma crise econômica no setor: vacinação é a principal determinante para qualquer tipo de recuperação econômica; medidas do governo, como bloqueios e restrições devem ser assistidas com subsídio do Estado; e será necessário cada vez mais ficar atento a como o consumidor está se comportando. A maioria dos consumidores estadunidenses, por exemplo, afirma que só irá atrás de lojas depois de receberem as suas segundas doses da vacina.

Ou seja, tudo o que for feito ao longo deste ano terá um impacto em nosso futuro ainda incerto. E aí o Brasil é um grande exemplo na contramão dessas iniciativas. Para a comparação, a gente puxa alguns dados da Covid-19 e da imunização em nosso país:

Enquanto os Estados Unidos, por exemplo, esperam vacinar todos os seus cidadãos adultos a partir do dia primeiro de maio e Joe Biden afirma que o país ficará mais próximo de uma normalidade no dia 4 de julho, quando celebram sua independência, o Brasil vive o pior momento da pandemia desde o seu início.

As taxas de mortalidade por aqui não param de bater recordes. E até o fechamento desta edição o Brasil registra mais de 270 mil óbitos causados por Covid-19 e uma média de mortalidade acima de mil pessoas por dia.

Isso significa que na última semana, a cada cinco minutos, oito brasileiros morreram por causa do coronavírus. E, até agora, cerca de 5,78% dos brasileiros acima de 18 anos tomaram a primeira dose da vacina e apenas 2,06% a segunda. Os dados são do consórcio de imprensa.

Calçado da pandemia: Havaianas bate recorde de vendas no Brasil e exterior

Havaianas bate recorde de vendas no Brasil e exterior

Divulgação

Qual foi o calçado que você mais usou no último ano? Se foi um bom par de Havaianas, saiba que você não está só. E os números provam isso. A venda dos famosos chinelos de borracha atingiu um volume recorde no trimestre passado, segundo dados divulgados pela Alpargatas, o grupo que detém a marca. Foram 79 milhões de pares vendidos entre outubro e dezembro de 2020. Em relação a 2019, o crescimento da receita da Havaianas foi de 6%, alcançando o valor de 3,1 bilhões de reais.

E não foi apenas no Brasil que a Havaianas teve uma boa performance. No mercado externo, as vendas da empresa também tiveram um aumento significativo: 12% em relação ao ano anterior, contabilizando R$ 900 milhões de reais.

No resultado geral do grupo, a Alpargatas apresentou um crescimento de 10,5% na receita líquida no comparativo trimestral, atingindo o valor recorde de 1,1 bilhão de reais. Apesar dos números vistosos, o lucro líquido da Alpargatas, que também é dona das marcas Osklen, Mizuno e Dupé, teve um recuo de 55,3% no 4º trimestre em relação ao mesmo período no ano passado. Isso porque as despesas operacionais da companhia também cresceram muito durante o período de pandemia.

As iniciativas mais sustentáveis de Ralph Lauren e Hermès

E o mercado de luxo continua procurando caminhos para ser mais sustentável. Dessa vez, é a Ralph Lauren que está investindo na criação de experiências circulares para os consumidores.

No início do mês, a grife lançou um programa de assinaturas que funciona como uma espécie de aluguel de roupas. O cliente recebe 4 peças pré-selecionadas, usa pelo tempo que quiser, depois devolve e recebe outras. Ou, se preferir, comprar as peças que mais gostou com desconto.

Na semana passada a Ralph Lauren dobrou a aposta na moda circular e anunciou que planeja criar alternativas para coletar seus produtos a partir do ano que vem e, assim, estimular a reciclagem e a revenda de suas roupas.

E ainda falando em sustentabilidade, quem também anunciou uma iniciativa nesse sentido na semana passada foi a Hermès. A grife promete lançar no final do ano uma versão da sua clássica mala de viagem Victoria feita de lona, detalhes em couro de bezerro e… cogumelos. Quer dizer, na verdade, trata-se de um material feito a partir do micélio, que são filamentos muito fininhos, que se formam sob o fungo. Depois de tratada, essa matéria-prima ganha textura e aparência similares às do couro. Feito em parceria com a empresa californiana MycoWorks, o material foi batizado de Sylvania.

Vale lembrar que a Hermès não é a primeira grife a investir nesse tipo de material alternativo. No ano passado, um consórcio de marcas, entre elas, Adidas, Stella McCartney, lululemon e o conglomerado de luxo Kering, se associou à empresa de biotecnologia Bolt Threads para investir na produção do Mylo, uma outra versão de couro feito a partir de fungos.

Dolce & Gabbana processa o perfil Diet Prada 

Uma campanha polêmica da Dolce & Gabbana, veiculada no final de 2018, voltou a ocupar o noticiário da moda. O motivo é que o perfil do Instagram Diet Prada está sendo processado por difamação pela grife devido a postagens feitas na época, que criticavam a campanha. O processo já corre na corte de Milão desde o início de 2019, mas veio a público só agora. De acordo com a postagem feita pelo Diet Prada no dia 5 de março, a ação pede uma indenização de 3 milhões de euros para a Dolce & Gabanna e de 1 milhão de euros para Stefano Gabbana. De acordo com o post do Diet Prada: "Com tanto ódio antiasiático se espalhando pelos Estados Unidos, sentimos que seria errado continuar em silêncio a respeito de um processo legal que ameaça a nossa liberdade de expressão. Somos uma companhia pequena, co-fundada por uma pessoa de cor, tentando falar contra o racismo em nossa comunidade".

A campanha que originou todo esse imbróglio trazia vídeos de uma modelo asiática tentando comer pratos típicos italianos, como pizza e cannoli, usando pauzinhos. As cenas foram postadas na Weibo, a rede social mais popular da China, e no Instagram da grife, para divulgar um grande desfile que seria realizado em Shangai. Mas apesar da hashtag #DGloveschina, usada pela marca, muita gente não gostou do que viu. A campanha foi acusada de ter cunho racista, de reforçar estereótipos e de ser também sexista, por causa dos comentários feitos por um narrador enquanto a modelo tentava comer pratos ocidentais com palitinhos.

O Diet Prada foi um dos primeiros canais a levantar esses questionamentos. Os posts relativos a essa campanha, por sinal, foram os grandes responsáveis pelo crescimento da popularidade desse perfil do Instagram na moda.

Para complicar ainda mais a situação, o Diet Prada publicou prints de mensagens enviadas pela conta de Stefano Gabbana no Instagram com comentários depreciativos em relação à China. A grife se pronunciou na sequência, informando que a conta do co-fundador da marca havia sido hackeada.

Com a repercussão negativa dos vídeos, a campanha foi retirada do ar e o grande desfile programado para acontecer em Shanghai acabou sendo cancelado.

Um dos fatores que podem complicar a situação do Diet Prada é que o processo não está sendo movido contra a empresa, mas diretamente contra os seus fundadores, Tony Liu e Lindsey Schuyler. A defesa da dupla está sendo coordenada pelo Fashion Law Institute, organização sem fins lucrativos, em parceria com um escritório de advocacia italiano, que se ofereceu para pegar o caso com taxas reduzidas. No dia em que comunicou a existência do processo, o perfil também lançou uma campanha de arrecadação de fundos para despesas legais. Até o fechamento deste episódio, a vaquinha já havia arrecadado cerca de 50 mil dólares.

Alexander Wang dá nova declaração sobre denúncias de assédio 

No episódio passado do ELLE News, a gente falou sobre mais uma acusação de assédio divulgada contra Alexander Wang, dessa vez por um estudante da Parsons School of Design. Desde dezembro, pipocaram denúncias de comportamento abusivo por parte do designer britânico, em episódios que teriam ocorrido principalmente em clubes noturnos. Wang negava veementemente as acusações.

Na semana passada, no entanto, o designer divulgou um comunicado no Instagram com uma mudança de postura. E tudo indica que as partes envolvidas se encontraram e chegaram a um entendimento. De acordo com Wang: "Vários indivíduos se apresentaram recentemente para fazer reclamações contra mim em relação ao meu comportamento pessoal no passado. Eu apoio o direito deles de se manifestar e ouvi atentamente o que eles tinham a dizer. Não foi fácil para eles compartilharem suas histórias e lamento ter agido de uma forma que lhes causou dor. Embora discordemos de alguns detalhes sobre essas interações pessoais, eu darei um exemplo melhor e usarei minha visibilidade e influência para encorajar outras pessoas a reconhecer comportamentos prejudiciais. A vida é aprendizagem e crescimento, e agora que tenho mais conhecimento, vou fazer melhor."

A advogada Lisa Bloom, que representa 11 homens que fizeram acusações contra Wang, também se pronunciou no Twitter: "Nós nos encontramos com Alexander Wang e sua equipe. Meus clientes tiveram a oportunidade de falar sua verdade a ele e expressar sua dor e mágoa. Aceitamos as desculpas do Sr. Wang e estamos seguindo em frente. Não temos mais comentários sobre este assunto".

Uma vez que estamos em plena temporada de premiações dos principais filmes e séries do ano, nossa editora de cultura Bruna Bitencourt separou os seus destaques! Bruna, o que a gente precisa ficar de olho, o que está por vir?

"Nesta segunda-feira saem as indicações ao Oscar, que rola no próximo dia 25 de abril. Estamos quase na metade da temporada de premiações e já rolaram até aqui o Globo de Ouro e o Critic's Choice, com os apresentadores presencialmente no evento e os indicados em casa. E se teve muita gente que usou trajes de gala, grifes, teve quem apareceu de moletom para receber a premiação. Teve concorrente que apareceu sozinho, com a família, mostrando ou não a sala de casa. Foi bem democrático. Por outro lado, foi consenso que o Critic's Choice foi bem mais legal de acompanhar do que o Globo de Ouro, que ainda enfrentou críticas pela falta de diversidade entre seus votantes. E nenhum discurso foi melhor do que Alan Kim, o ator mirim do longa Minari, que tentou agradecer o prêmio que recebeu no Critic's Choise como um adulto, mas chorou com uma criança. Se você não assistiu esse vídeo, vale muito resgatar. Os grandes destaques até aqui foram Nomadland entre os filmes e The Crown entre as séries, próximo da entrevista de Meghan Markle e príncipe Harry a Oprah. Também rolou neste domingo o Grammy, que foi adiado de janeiro para março por conta da pandemia, cercado por críticas pela falta de representatividade. Além do Oscar, ainda teremos o SAG Awards, no dia 4 de abril, e o Bafta, dia 11 de abril. E vamos ver como a Academia vai lidar com toda a informalidade que a pandemia exige. A gente volta a falar de Oscar por aqui.

Este episódio usou trechos das apresentações de inverno 2021 da Chanel, da Dior e da Louis Vuitton, e da música Meu chinelo Havaianas, de MC Paulin Da Capital e MC Ryan SP.

E nós ficamos por aqui. Eu sou Patricia Oyama. E eu sou o Gabriel Monteiro.

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