Entre o folk e a MPB, Nina Fernandes mostra álbum intimista

Cantora tem parceria com Anavitória e músicas na trilha de novelas da Globo e filme da Netflix.


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Fotos: Yussef Haridy



Aos 23 anos, Nina Fernandes usa a imagem de um cubo de vidro para descrever o ambiente que influenciou suas composições durante a pandemia. “Sempre pensei nessa imagem: eu chutando o cubo de vidro e saindo de dentro dele, porque era como eu me sentia, no amor e na pandemia”, afirma a cantora paulistana de 23 anos, explicando a concepção de seu terceiro trabalho. Amor é fuga: fuja, lançado pela Som Livre em 2021, foi gravado por Nina dentro do próprio quarto (e depois finalizado em estúdio). Ela apresenta o disco neste domingo (25.06), na casa de shows Bona, em São Paulo.

Nutridas pelo folk estadunidense e pela MPB de Marisa Monte e Nando Reis, suas composições da fase pandêmica remetem ao tal cubo. “São muito inspiradas na sensação claustrofóbica de estar dentro de casa, de ser controlada. É um efeito pós-pandêmico que ressoa muito em mim, o controle comigo mesma, com os outros, com as pessoas com quem me relaciono. É uma pena, mas, digamos, é uma sequela da pandemia”. Filha do publicitário Fábio Fernandes, que também a empresaria, Nina se formou na faculdade de música, com foco em produção, e teve no cantor e compositor Jair Oliveira o primeiro incentivador musical fora da família.

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A proximidade do folk do passado e do presente se comunica, segundo ela, com o amor do pai pela música James Taylor e Bob Dylan, mas também pela produção nacional da dupla Anavitória: “São duas artistas que admiro muito e com quem acabei cruzando quando estava começando. Elas abriram muitas portas, assim como Tiago Iorc”. Em 2021, Ana Caetano e Vitória Falcão gravaram “Te procuro”, parceria de Ana com Nina, que em seguida também gravou a canção.

O folk se encontra também com a influência emepebista adquirida a partir da universidade. “Marisa Monte não é uma artista folk, ela flerta muito mais com a música brasileira e com samba, mas é uma contadora de histórias, principalmente depois que começou a escrever também. Ela, Nando Reis, Arnaldo Antunes e os Tribalistas acabaram influenciando, obviamente, essa nova geração.”

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Enclausuramentos à parte, a música de Nina tem circulado desde 2017, quando lançou as composições “Sem fim” e “Cruel”, entre outras. A segunda entrou na trilha sonora da novela global Tempo de amar (2018) como tema de pai e filha vividos por Tony Ramos e Olívia Torres, e coleciona 22 milhões de acessos no Spotify. No mesmo ano, outros dois temas foram incluídos nas trilhas da série adolescente Malhação (“Beijo”), na Globo, e do filme Pai em dobro (“Casa”), protagonizado por Maysa, na Netflix. “É também uma história de uma menina que vai em busca do pai. A trilha é superlegal, tem uma galera, Anavitória, Melim.”

No ano passado, Nina fez uma participação musical na série Tá tudo certo, na Disney+, em meio a um elenco formado por outros cantores de sua geração, como Ana Caetano, Vitão, Pedro Calais (da banda Lagum) e Agnes Nunes.

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Outra referência são as cantoras que ela define como hiperpop: “Sempre amei Madonna, sempre achei Cyndi Lauper legal. E tive a época de gostar das cantoras da Disney, que depois fizeram suas próprias carreiras, Miley Cyrus, Selena Gomez. E adoro Taylor Swift, que é uma diva pop que vem do country, né? Só gosto dela por causa disso, talvez”. Em 2022, o single “O mesmo dia” contou com produção do violinista estadunidense Rob Moose, que já trabalhou com Taylor Swift e outros artistas que Nina admira, como Phoebe Bridges e Bon Iver. “Rob fez uns jobs muito lindos, muito grandões.”

De Anavitória, diz absorver também a influência brasileira de Gilberto Gil e Djavan. “É isso que me dá coragem também de assumir as particularidades que fazem de mim a artista que eu sou, as influências do hiperpop; assumir que gosto da Rosalía, apesar de também gostar da Joni Mitchell.”

No pós-pandemia, Nina tem composto músicas que classifica como mais solares e menos enclausuradas, com parceiros novos como Victor Kley e Ana Gabriela. No show deste domingo, dominado ainda pelo repertório pandêmico, ela apresenta repertório de Amor é fuga: fuja, tocando piano (o instrumento no qual costuma compor) e violão, quase sempre sozinha no palco. Ela pretende sair em turnê ainda neste ano, agora com banda, saindo definitivamente do cubo de vidro.

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