Quem é Jane Birkin – e porque ela é o maior ícone de estilo

Cantora, atriz, musa e símbolo da liberdade dos anos 60, a inglesa ajudou a definir o look parisiense e, de quebra, inspirou a bolsa mais famosa da moda. 


Jane Birkin em foto PB
Foto: Getty Images



Jane Birkin será para sempre a típica garota com aquele je nais sai quoi parisiense. O tipo de mulher que, sem nenhum esforço, funciona tal um imã, atraindo olhares e fazendo com que todos se apaixonem por ela – seja pela sua voz, quase sussurrada, seja pela icônica franjinha que virou um clássico ou pela displicente bolsa de palha, que acabou inspirando você sabe o quê, a it-bag mais famosa da história da moda. 

Nascida em Londres em 14 de dezembro de 1946, Jane começou sua carreira como atriz aos 20 anos, em 1966, em plena Swinging London, a era efervescente do Reino Unido, que viu despontar a minissaia de Mary Quant, a pílula anticoncepcional e a emancipação feminina, entre outras revoluções culturais.   

E, ainda que no início os papéis destinados a ela fossem pequenos, de coadjuvante, os primeiros filmes (foram mais de 60 durante a carreira) já eram gigantes: ela atuou, por exemplo, em Blow-up, vencedor da Palma de Ouro em 1967, e Caleidoscópio, ambos de Antonioni.

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Birkin, o ícone: musa da música e da moda

O músico francês Serge Gainsbourg com sua mulher, a atriz e também cantora Jane Birkin, na casa do casal em Paris.

Jane Birkin e Serge Gainsbourg, na casa deles em Paris. Getty Images

Mas foi depois de uma ida à França, para uma audição em 1968, que ela se tornaria mundialmente conhecida – com direito a embargos na sua música mais famosa em vários países e looks que desafiavam as normas.

No set de Slogan, Jane Birkin e Serge Gainsbourg se conheceram, contracenaram e deram início a uma das parcerias mais bem-sucedidas (e bonitas) da música.

Do encontro apaixonado entre os dois, nasceu a gravação de Je t’aime… moi non plus (originalmente composta para a ex de Gainsbourg, Brigitte Bardot), um dueto com sussurros e gemidos que simulam orgasmos.

Banida pelo Vaticano, a canção chegou a ser proibida no Brasil e em Portugal – e provavelmente, é mesmo a música mais sexy de todos os tempos. 

“Desde a minha estreia, cantei os sentimentos de Serge. No começo, ele fez músicas para mim, como Di doo dah e Mon amour baiser. Elas eram charmosas, doces e engraçadas”, disse em entrevista à ELLE Brasil. “Fui sua intérprete e acho que fui uma boa intérprete. O último álbum que ele escreveu, Amours des feintes (1990) foi para mim.”

Em 1971, os dois tiveram uma filha, Charlotte Gainsbourg, também cantora e atriz, e o relacionamento amoroso acabou em 1980, ainda que o profissional tenha persistido até a morte do cantor.

Fato é que, depois do término, Jane continuou a cantar as músicas que Serge compunha para ela, e até o final da própria vida foi uma das maiores guardiãs das suas criações e da importância que ele tem para a música francesa.

Serge Gainsbourg e Jane Birkin na premiére de 'Slogan', em 1969, na França.

Serge Gainsbourg e Jane Birkin na premiére de 'Slogan', em 1969, na França. Getty Images

Além das letras musicais, a cantora inspirou também a moda. Sempre com sua inconfundível bolsa de vime na mão, carregando inúmeras coisas, acabou servindo de referência e batizando a bolsa mais desejada da história: a Birkin bag, da Hermès.

Tudo começou quando Jane encontrou por acaso Jean-Louis Dumas, chairman e head designer da marca, em 1984, num aeroporto, e todas as suas coisas caíram da bolsa, que não tinha nenhum tipo de fecho.

Ela sugeriu então a criação de um modelo prático, que abrigasse tudo o que uma mulher precisa carregar. No mesmo ano, nascia o mito, no tamanho requerido por ela. 

Como ser uma parisiense: o estilo de Jane Birkin

Charlotte Gainsbourg e Jane Birkin durante o Festival Internacional de Cannes, em 2021, na França.

Charlotte Gainsbourg e Jane Birkin durante o Festival de Cannes, em 2021. Getty Images

Embora fosse inglesa, Jane se naturalizou francesa e viveu até sua morte, em 16 de julho de 2023, na França – ela lutava contra um câncer e foi encontrada em seu apartamento.

É dela, aliás, a principal lição do estilo effortless chic típico das parisienses: um misto entre feminino e masculino, pouca maquiagem e atitude altiva e nonchalance. 

Dos minivestidos Paco Rabanne e Andrés Courrèges, o auge dos 60’s, às roupas emprestadas do guarda-roupa deles, Jane Birkin nunca seguiu o vai-e-vem de tendências, mas, sim, uma visão muito clara de estilo, que consistia em conforto e sex appeal natural. Jane se tornou um ícone por sempre ser fiel à ela mesma, sem se importar com que os outros pensavam, tampouco sem pretender se tornar referência.

Ela dispensava sutiãs e era adepta do handmade, incluindo vestidinhos de tricô colados ao corpo. Um pouco hippie, naturalmente glam. 

E, assim como Chanel, também adotou as camisetas Breton, as calças amplas e a alfaiataria masculina, itens que foram se tornando cada vez mais frequentes com o passar dos anos, assim como o jeans. 

Se pudesse indicar uma única peça para a vida? “O smoking Saint Laurent é realmente o melhor em qualquer ocasião.”

Jane Birkin participa de um protesto pro-aborto em Bobigny.

Jane Birkin participa de um protesto pró-aborto em Bobigny. Getty Images

Ativismo: mulheres, LGBTQIAP+, refugiados e animais 

Embora seus maiores legados estejam de fato na música, no cinema e na moda, Jane Birkin também pode (e deve) ser lembrada pela sua trajetória no ativismo.

Filha de um militar e da atriz Judy Campbell, ela usou sua voz pelo direito das mulheres, da comunidade LGBTQIAP+ e dos refugiados internacionais, incluindo trabalhos para a Anistia Internacional da Bósnia. 

Chegou, inclusive, a pedir, em 2015, que a Hermès retirasse seu nome dos modelos da Birkin feitos com pele de crocodilo, devido à crueldade envolvida no processo, divulgada pelo PETA.

“Pedi ao Grupo Hermès para renomear a Birkin até que melhores práticas, em conformidade com as normas internacionais, sejam implementadas na produção da bolsa”, disse à época em um comunicado.

Uma mulher que viveu de acordo com suas maiores crenças e que já está fazendo falta.

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