Prada, verão 2027 masculino
Calça skinny, jeans, couro, barriga de fora, silhueta slim e visual adolescente. Entenda o que está por trás do look da Prada no verão 2027 masculino.
A calça skinny voltou, a barriga de fora também e, junto com elas, a magreza extrema e uma idealização do visual adolescente. São essas as notícias do verão 2027 masculino da Prada, que aconteceu neste domingo (21.06), em Milão.
Já faz algumas temporadas que acompanhamos o afinamento das silhuetas. Na estação anterior, Marc Jacobs, Celine, Loewe, Gucci e Dior Men estavam entre as marcas que apostaram no visual. Os codiretores de criação Miuccia Prada e Raf Simons estão nessa há mais tempo – praticamente desde que começaram a trabalhar juntos, em 2020 –, mas enfatizaram o look seco e alongado no inverno 2026, especialmente no masculino.
Lá, as roupas já estavam bem justas e com proporções reduzidas, como se fossem de um tamanho menor que o adequado. Essas propostas continuam no verão 2027, porém dentro de um recorte mais específico e com um sortimento de produto mais delimitado.

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação
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A coleção é quase toda baseada em algumas modelagens clássicas, já conhecidas. As duas principais são a da calça jeans – naquela versão famosa de cinco bolsos, com costuras reforçadas por rebites – e a da jaqueta do mesmo material.
Só que nem sempre essas peças são de denim e nunca azuis. Há versões de lã com padronagens tradicionais de alfaiataria, com estampas geométricas à la anos 1970 (mais Prada, impossível), de couro numa ampla variedade de cores e de um tecido transparente, tipo organza de nylon, deixando a construção interna visível.
De novo, tudo bem colado no corpo, com barras e mangas encurtadas, e uma faixa de barriga à mostra ou coberta por lenços amarrados na cintura. Os outros shapes-base são um blusão de couro, um blazer de ombros largos, a boa e velha camiseta e suéteres de lã com decote V.

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Getty Images
No texto enviado à imprensa, Miuccia e Raf afirmam que a intenção é oferecer roupas que possam ser combinadas de várias maneiras, de preferência diferentes daquelas mostradas na passarela. É quase uma continuação da mensagem do desfile feminino de inverno 2026, em que, a cada entrada, as modelos removiam camadas dos seus looks para mudar sua leitura.
Por isso, segundo os diretores, o foco está em peças que percorreram a história e resistiram ao tempo, sendo constantemente ressignificadas e adaptadas, o que tem uma certa relação com o visual adolescente e a atitude irreverente dos modelos.
Trata-se de uma fórmula conhecida, mas ainda eficaz. Na virada dos anos 1990 para os 2000, designers como Hedi Slimane e Raf Simons criaram um novo paradigma na moda masculina ao idealizar não o homem, mas o adolescente – com todas suas complexidades, idiossincrasias e negligência com os padrões ou regras pré-estabelecidos.

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Divulgação

Prada, verão 2027 masculino. Foto: Getty Images
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De um lado, havia a liberdade, a irreverência, o senso de experimentação, de descoberta e a construção de personalidade e identidade. Do outro, a vulnerabilidade, a fragilidade e as incertezas que acompanham as transformações características dessa fase da vida. As duas frentes, combinadas, serviram de insumos para mudanças expressivas na moda e no universo masculino como um todo.
Além da sedução (e nostalgia) da juventude, aquelas imagens contestavam ideias de masculinidade – como homens devem ser, se portar, se apresentar, se vestir –, de luxo, de status, de poder, de estilo. Agora, Miuccia e Raf querem reviver alguns desses aspectos, o que é super bem-vindo. Afinal, muito do que vemos hoje parece programado, controlado, artificial e carente de espontaneidade, de personalidade, de verdade e, às vezes, até de humanidade.
É como se, ao trabalhar com peças reconhecíveis, desenhadas com precisão máxima, livres de qualquer excesso ou distração, a Prada oferecesse ferramentas para possíveis novas representações estéticas. Ou pelo menos representações mais diversas e significativas. E seria ainda melhor se não fossem limitadas a corpos extremamente magros.
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