PFW: Balenciaga, inverno 2026
Em sua terceira coleção como diretor criativo da Balenciaga, Pierpaolo Piccioli começa a definir um ponto de vista distinto por meio de construções que colocam o corpo no centro da discussão – e com ótimos looks drapeados.
Aos poucos a Balenciaga de Pierpaolo Piccioli vai ganhando cara própria. Era só questão de tempo, como a gente bem desconfiava. E, sim, ainda falta um tanto disso para todas as peças se encaixarem e a visão ficar redonda mesmo. Porém, o desfile de inverno 2026, na noite de sábado (07.03), dá bons sinais do que está por vir.
Esta é só a terceira coleção do estilista como diretor criativo da marca. As duas anteriores, a de verão 2026 e a de pre-fall 2026, careceram de um ponto de vista distinto. O comentário geral era de que pareciam um pot-pourri de tudo que os designers que passaram pela casa já fizeram, em especial do mais recente, Demna e suas propostas street e proporções exageradas.
Acontece que Pierpaolo assumiu o cargo oficialmente no dia 10 de julho de 2025. Sua primeira apresentação na passarela foi em menos de três meses – intervalo curtíssimo para o desenvolvimento de uma coleção com proposta e estilo 100% autênticos. O fato de seu antecessor ter concebido uma estética tão específica complicou a situação.

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Divulgação

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Divulgação

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Balenciaga, inverno 2026. Foto: Divulgação
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Para o inverno 2026, o designer italiano diz ter se inspirado no conceito de chiaroscuro das pinturas renascentistas – as de Caravaggio principalmente. E isso vale tanto para aspectos materiais e visuais quanto simbólicos. Começando por esses últimos, Pierpaolo fala que todo mundo tem um pouco de luz e sombra. Segundo ele, faz parte da natureza humana ser meio mau, meio bom.
Vem daí a parceria com o cineasta Sam Levinson, o criador da série Euphoria. A dupla trabalhou junto na concepção e no cenário do desfile – mas, sinceramente, há aspectos mais relevantes para a gente prestar atenção. Um deles, ainda no campo das ideias e das representações, é como a noção de claro e escuro se desenrola entre elementos de alta-costura e casuais (ou do streetwear). É interessante a maneira como o diretor criativo brinca e subverte esses conceitos, dando a eles valores quase iguais.

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images
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Na seara prática, a dualidade contrastante entre claridade e escuridão se desenvolve por meio de técnicas mais ou menos elaboradas. Tem as estampas fotográficas noturnas ou de corpos luminosos. Tem degradês nos casacos de lã. Tem um vestido curto verde brilhante maravilhoso. Porém, o mais interessante são os drapeados e como eles desenham, revelam ou escondem o corpo de acordo com o movimento, com o tecido e com a construção.
Pierpaolo já falou isso algumas vezes desde que chegou à Balenciaga: o corpo é a base e o foco principal de seu trabalho. Também era o de Cristóbal Balenciaga. Isso aparece também nas peças justas, tipo legging, nos jeans de cintura alta com jaqueta cropped e nos itens inspirados em silhuetas couture da maison. Mas são os drapeados que mostram um ponto de vista distinto do atual estilista no comando. São eles que equilibram o legado escultural do fundador da grife com vontades e atitudes bastante atuais. Enfim, um caminho promissor.

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Divulgação

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images

Balenciaga, inverno 2026. Foto: Getty Images
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