11 colaborações marcantes entre moda e arte
No embalo do MET Gala 2026, que celebra a exposição Costume Art no Museu Metropolitano de Arte de Nova York, selecionamos parcerias entre moda e arte que valem relembrar.
O MET Gala 2026, que acontece na próxima segunda-feira (04.05), abre a exposição Costume Art (Arte do Vestuário), organizada pelo departamento de moda do Museu Metropolitano de Arte de Nova York (MET). Estilistas buscam fôlego criativo nas artes visuais há tempos, com movimentos estéticos, mestres e obras servindo de base para as suas coleções. Simultaneamente, artistas plásticos também colaboraram em produções de moda, firmando um intercâmbio poderoso entre as duas linguagens.
Abaixo, selecionamos 11 colaborações memoráveis entre moda e arte:
Schiaparelli e Salvador Dalí

Foto: Cortesia do Dalí Museum
Nos anos 1930, Elsa Schiaparelli foi a responsável por uma das primeiras colaborações com artistas. Salvador Dalí levava o inconsciente para as telas, explorando cenas oníricas com as suas pinturas. Em diálogo com a estilista, suas ideias surrealistas resultaram em roupas que iam além da função. Entre os itens mais célebres estão o vestido com estampa de lagosta, o chapéu no formato de sapato e o look com enchimentos acolchoados nas costelas como se fosse um esqueleto.
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Louis Vuitton e Takashi Murakami

Foto: Divulgação
A colaboração entre a maison francesa e Takashi Murakami é uma das mais longevas do mercado. Iniciada em 2003 sob a tutela de Marc Jacobs, então diretor criativo da grife, a união perdurou por mais de uma década. O japonês é um dos expoentes do movimento Superflat, estética que combina a tradição nipônica à cultura pop contemporânea. A intervenção mais icônica dele nessa dobradinha foi a reestilização do monograma da casa em versão multicolorida.
Louis Vuitton e Yayoi Kusama

Foto: Divulgação
Em 2012, a Louis Vuitton causou um tremendo sucesso ao convidar Yayoi Kusama para uma parceria. As obras da japonesa investigam padrões repetidos, principalmente bolinhas, em paletas de cores vibrantes. Marc Jacobs, diretor criativo da grife na época, aplicou o repertório gráfico da artista ao vestuário, gerando um efeito quase hipnótico. O projeto se expandiu para as vitrines da maison, que funcionavam como extensões de instalações de Yayoi. Em 2023, a marca resgatou tal encontro em uma nova coleção comemorativa.
Calvin Klein e Sterling

Foto: Divulgação
O estadunidense Sterling Ruby consolidou uma assinatura crua e experimental na arte contemporânea, transitando entre pinturas, esculturas e colagens. E Raf Simons estabeleceu uma conexão estreita com o artista, durante a sua passagem como diretor criativo da Calvin Klein (2016-2018). Em 2017, Ruby fez uma instalação imersiva na loja de três andares da marca na Madison Avenue, em Nova York, e, meses depois, desenvolveu uma coleção cápsula com peças que emulavam respingos de tintas, texturas irregulares e desgastes.
Prada e Christophe Chemin

Foto: Getty Images
No inverno 2016, Miuccia Prada recrutou o artista Christophe Chemin para criar roupas que representassem a beleza e o sofrimento da história humana. As ilustrações do francês mostravam figuras de diferentes épocas em cenas de luta e romance, enquanto a coleção foi construída em cima de diversas sobreposições, como uma colagem de texturas e tecidos distintos.
Handred e Vivian Caccuri

Foto: Divulgação
A reverberação do som e a sua influência no corpo humano norteiam a obra de Vivian Caccuri. O portfólio de instalações sensoriais da artista atraiu André Namitala, fundador e diretor criativo da Handred. Em 2023, os dois conceberam a coleção Entre-ondas, influenciada por elementos da natureza, como o zumbido do mosquito e o clima tropical, na construção de estampas, silhuetas e texturas. Materiais como o linho e a organza foram empregados para conferir uma interpretação tátil e lúdica às frequências sonoras exploradas por Vivian.
Misci e Elian Almeida

Foto: Zé Takahashi
Para o verão 2026, Airon Martins, fundador e diretor criativo da Misci, se inspirou no universo de Tieta do Agreste (1977), de Jorge Amado. Na ocasião, o designer convidou o pintor Elian Almeida para fazer a sua interpretação contemporânea da protagonista, um processo que resultou na tela Mangue Seco (2026). A obra foi então transposta para camisas e lenços de seda, retratando a figura de Tieta com cabelos em tons de terracota e situada entre elementos da arquitetura e do artesanato da fictícia Santana do Agreste.
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Neriage e Regina Silveira

Foto: Zé Takahashi
Em 2023, a Neriage homenageou José Leonilson, um dos principais nomes da arte brasileira na década de 1980, nas passarelas. Um ano depois, a marca de Rafaella Caniello procurou Regina Silveira — artista gaúcha e antiga mentora de Leonilson — para uma outra colaboração. Na coleção Andrômeda, desfilada em agosto de 2024, as gravuras disformes de Regina ilustraram camisas, shorts, saias e vestidos.
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P. Andrade e Samuel de Saboia

Foto: Divulgação
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Em sua estreia na semana de moda masculina de Paris, em junho de 2025, a etiqueta P. Andrade – label criada pelo casal Pedro Andrade e Paula Kim – investiu em uma conexão com o pernambucano Samuel de Saboia. Autodidata, o pintor e cantor utiliza técnicas de pinceladas que remetem à vivacidade e à natureza de Recife. A coleção apresentou padronagens baseadas nos traços dinâmicos das telas do artista em jaquetas e saias.
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Dendezeiro e Renan Estivan

Foto: Divulgação
Uma saia de tapeçaria decorada com rostos de vários tons de pele virou o símbolo do desfile da Dendezeiro na SPFW N55. A proposta da apresentação era abordar a representatividade racial e, para tanto, o trabalho de Renan Estivan foi destacado. O artesão é famoso pela criação de tapeçarias que retratam corpos com a pele à vista. Desde então, a grife soteropolitana e o paulista já realizaram três colaborações, desdobrando as obras do tapeceiro em bolsas e coletes que exploram contornos humanos.
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Dior Men e Amoako Boafo

Foto: Divulgação
Kim Jones, diretor criativo da Dior Men entre 2018 e 2025, descobriu as pinturas de Amoako Boafo durante uma edição da Miami Art Basel. O pintor ganense é aclamado por retratos vibrantes que celebram a identidade negra. O interesse do estilista britânico surgiu ao ver uma boina verde em uma das telas. O tom daquele acessório desenhado coincidia com um vestido de arquivo da maison. A partir desse detalhe, a coleção de verão 2021 foi desenvolvida, integrando as texturas pictóricas de Amoako à alfaiataria masculina da casa.
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